Corvette é apreendido no SIA na terceira fase da Operação Black-Tie

agosto 21, 2026
Ternos masculinos pendurados em arara de loja de alfaiataria

A Polícia Civil do Distrito Federal apreendeu um Chevrolet Corvette 2025 no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), em Brasília, na terceira fase da Operação Black-Tie, que apura lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública no DF. A apreensão foi divulgada pelo Correio Braziliense nesta sexta-feira (21).

A diligência foi executada por delegacias especializadas da corporação, a DRCOR e a DECOR, com apoio da Assessoria Criminal do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Segundo o jornal, a retirada do carro de circulação foi autorizada pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, depois de pedido da PCDF e de manifestação favorável do MPDFT. O veículo ficou sob custódia da Polícia Civil.

O carro não está no nome do ex-secretário

O Corvette foi flagrado com Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do governo Ibaneis Rocha e um dos alvos da Operação Black-Tie. O registro, porém, está em nome de um empresário de Brasília que fornece para o Governo do Distrito Federal. A relação entre os dois segue sob investigação, e nenhum deles foi condenado nesse processo. Todos são tratados como investigados até que haja decisão judicial definitiva.

A distinção entre quem dirige e quem consta no documento é o ponto central desta fase. A apuração busca entender se bens de alto valor registrados em nome de terceiros foram usados para ocultar patrimônio, prática que caracteriza o crime de lavagem de dinheiro quando comprovada.

Quanto vale o veículo

Há divergência sobre o valor. O Correio Braziliense informa que o carro foi avaliado em cerca de R$ 500 mil no processo. O mesmo jornal registra que o preço de mercado do modelo no Brasil fica entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão, a depender da versão e do ano. A diferença entre a avaliação processual e a tabela de mercado costuma aparecer em apreensões desse tipo e não foi explicada pelos órgãos envolvidos.

  • Modelo: Chevrolet Corvette 2025
  • Local da apreensão: Setor de Indústria e Abastecimento (SIA)
  • Autorização: Conselho Especial do TJDFT
  • Responsáveis: PCDF (DRCOR e DECOR) e Assessoria Criminal do MPDFT
  • Avaliação no processo: cerca de R$ 500 mil

As três fases da Black-Tie

A primeira fase da operação foi deflagrada em 17 de junho de 2026, contra suspeitas de crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A segunda, em 24 de julho, cumpriu mandados de busca e apreensão de dois veículos ligados a um casal investigado. A terceira é a que retirou o Corvette de circulação.

O nome da operação faz referência a roupas de alto valor compradas em dinheiro vivo, linha de investigação que apareceu logo na primeira fase. As apurações começaram em fevereiro de 2025, depois que a movimentação financeira e patrimonial de alguns alvos foi considerada incompatível com a renda declarada.

A compra de ternos foi o ponto de partida da tese investigativa. Segundo apurações do Metrópoles e da Revista Fórum, a operação identificou o pagamento de R$ 50 mil em espécie por três ternos de grife em uma loja do Iguatemi Brasília, em janeiro de 2025, sem nota fiscal e sem identificação do comprador. É esse tipo de transação, de valor alto e sem rastro documental, que os investigadores usam para tentar demonstrar ocultação de origem de recursos.

Pagamento em dinheiro vivo não é crime. O que a investigação precisa provar, para sustentar a acusação de lavagem, é que os valores tinham origem ilícita e que a forma de pagamento serviu para esconder essa origem. Sem essa demonstração, a apreensão de bens pode ser revertida na Justiça.

O que diz o investigado

Ney Ferraz se manifestou por meio do Correio Braziliense. Ele afirmou que passa por um momento difícil e negou irregularidade.

“Episódio pessoal extremamente doloroso, por acusações infundadas”

A reportagem não teve acesso a manifestação do empresário em cujo nome o veículo está registrado. PCDF e MPDFT não detalham as próximas etapas de investigações em andamento.

O que acontece agora

O carro permanece sob custódia da PCDF enquanto o processo corre. A defesa dos investigados pode recorrer da decisão que autorizou a apreensão. A operação segue aberta, o que mantém a possibilidade de novas fases.

Casos de bens de luxo apreendidos em investigações patrimoniais têm sido recorrentes no DF. Em agosto, a PCDF também prendeu um suspeito de distribuir drogas no Núcleo Bandeirante a partir de um esquema comandado de dentro de um presídio de Mato Grosso do Sul, em outra linha de atuação da corporação. Veja em vídeo gravado em presídio do MS leva a prisão no Núcleo Bandeirante.

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