Um vídeo gravado dentro de um presídio de segurança máxima de Mato Grosso do Sul terminou com um homem preso no Núcleo Bandeirante, no Distrito Federal, na noite desta quinta-feira (20/8). A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) chegou ao suspeito depois de identificar quem recebia e distribuía a droga anunciada nas imagens, e o caso foi registrado na 27ª Delegacia de Polícia.
Segundo o Metrópoles, as gravações mostravam um detento de 31 anos oferecendo drogas pelas redes sociais de dentro do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande. A unidade é a maior do sistema prisional sul-mato-grossense e concentra presos de alta periculosidade. O anúncio circulava abertamente, com preço e forma de entrega, e a ponta da negociação estava no Distrito Federal.
O que a polícia apreendeu
As duas versões publicadas sobre a ocorrência não coincidem em todos os detalhes. O Metrópoles informa que a PCDF apreendeu maconha, cocaína, uma balança de precisão, dinheiro em espécie e celulares com o suspeito preso no Núcleo Bandeirante, e que ele tem 21 anos. O Correio Braziliense registra a apreensão de R$ 170, além de porções de cocaína, haxixe e skunk, e atribui ao preso a idade de 31 anos.
O que as duas apurações confirmam é o núcleo do caso: a prisão ocorreu no Núcleo Bandeirante, o inquérito corre na 27ª DP e a origem do anúncio foi rastreada até a unidade prisional de Campo Grande. Ao Correio, o delegado-chefe da 27ª DP, Alexandre Godinho, afirmou que “a unidade prisional confirmou a identidade do preso” que aparecia nas imagens.
“A unidade prisional confirmou a identidade do preso”, disse o delegado-chefe da 27ª DP, Alexandre Godinho, ao Correio Braziliense.
Ainda segundo o Correio, o detento afirmou nas conversas que cumpre pena em presídio próximo à fronteira com a Bolívia e que só seria solto em 2031. A informação partiu do próprio investigado e não foi confirmada pela administração penitenciária de Mato Grosso do Sul.
Celular dentro da cadeia é o elo da cadeia de venda
O caso repete um padrão que a segurança pública brasileira enfrenta há anos. O aparelho celular introduzido de forma irregular em unidade prisional permite que o preso siga coordenando a venda no varejo, negocie remessas e movimente dinheiro sem sair da cela. A entrada dos aparelhos costuma ocorrer por arremesso sobre o muro, por drones ou com auxílio de servidores, e a detecção depende de bloqueadores de sinal e de revistas periódicas.
Introduzir aparelho de telefonia em presídio é crime previsto no artigo 349-A do Código Penal, com pena de três meses a um ano de detenção. Para o preso que usa o aparelho, a posse configura falta grave, com perda de dias remidos e regressão de regime, além de responder pelo tráfico apurado a partir das conversas.
No Distrito Federal, operações recentes mostram que a repressão tem se deslocado do flagrante de rua para o rastreamento das estruturas que sustentam a venda. Em 20 de agosto, a PCDF prendeu seis pessoas em uma operação contra a lavagem de milhões para facções. Dois dias antes, as forças de segurança desocuparam um ponto de tráfico na Matinha, na Asa Norte.
O que acontece agora com o caso
O preso no Núcleo Bandeirante foi autuado em flagrante e passa por audiência de custódia, na qual um juiz decide se ele responde ao processo em liberdade ou segue detido. A investigação sobre o detento de Mato Grosso do Sul depende de cooperação entre a PCDF e as autoridades sul-mato-grossenses, já que ele está sob custódia de outro estado.
- Onde: Núcleo Bandeirante, no Distrito Federal.
- Quando: quinta-feira, 20 de agosto de 2026.
- Quem investiga: 27ª Delegacia de Polícia da PCDF.
- Origem do anúncio: Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande (MS).
- Apreensão: drogas, dinheiro e celulares, com divergência entre as fontes sobre os itens exatos.
Todos os investigados respondem com direito à presunção de inocência até decisão judicial definitiva. A reportagem procurou a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul para saber se houve sindicância sobre a entrada do celular na unidade de Campo Grande. Não houve retorno até a publicação, e o espaço segue aberto.
Como denunciar
Quem tiver informação sobre pontos de venda de droga ou sobre uso de celular dentro de unidade prisional pode acionar a PCDF pelo 197, com garantia de anonimato. Em situação de emergência, o número é o 190, da Polícia Militar. O registro também pode ser feito pela Delegacia Eletrônica, no site da PCDF.








