Uma ação conjunta de órgãos do Distrito Federal desocupou nesta terça-feira (18) um ponto de tráfico de drogas na região conhecida como Matinha, na Asa Norte, entre a Ponte do Bragueto e o Setor Hospitalar Norte. A operação envolveu polícia, assistência social e serviços urbanos.
A área é uma faixa de mata e brejo encravada entre vias de grande circulação, usada como esconderijo de entorpecentes. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), a intervenção reuniu a Polícia Civil (PCDF), por meio da 2ª Delegacia de Polícia, o canil da Divisão de Operações Especiais (DOE), a Polícia Militar (PMDF), a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), o Detran-DF e o DF Legal.
A desocupação foi precedida de uma prisão em flagrante no dia 12 de agosto, na mesma área. Naquele dia, os policiais localizaram porções de droga enterradas em trecho alagado do brejo e prenderam um homem que, segundo a PCDF, já havia sido autuado por tráfico em 2021 e cumpria prisão domiciliar quando foi flagrado.
O que cada órgão fez na operação
A presença de secretarias que não são de segurança tem uma razão prática. Pontos de tráfico em áreas verdes costumam se apoiar em três elementos: vegetação alta que dá cobertura, acúmulo de entulho que serve de esconderijo e a permanência de pessoas em situação de vulnerabilidade no local. Atacar só a parte policial devolve o ponto ao mesmo estado em poucas semanas.
- PCDF (2ª DP) e canil da DOE: varredura da área, localização das porções enterradas e autuação do suspeito.
- PMDF: cerco e segurança do perímetro durante a ação.
- Sedes: abordagem social das pessoas encontradas no local e oferta de acolhimento.
- SLU: retirada de entulho e resíduos acumulados na mata.
- Detran-DF e DF Legal: fiscalização de veículos e de ocupações irregulares no entorno.
A quantidade exata de droga apreendida não foi divulgada pelas corporações até a publicação desta reportagem. A SSP-DF também não informou se outras pessoas foram conduzidas à delegacia durante a desocupação de terça.
Por que a Matinha é um ponto recorrente
O trecho fica em um dos vazios urbanos da Asa Norte, cercado por vias expressas e pelo Setor Hospitalar. A localização oferece rota rápida de fuga em várias direções e, ao mesmo tempo, mantém o ponto invisível para quem passa de carro. É o mesmo padrão observado em outras áreas verdes do Plano Piloto que voltaram ao radar policial nos últimos meses.
O enquadramento aplicado ao preso em 12 de agosto foi o de tráfico de drogas, previsto no artigo 33 da Lei 11.343/2006, com pena de 5 a 15 anos de reclusão. O fato de o suspeito cumprir prisão domiciliar quando foi flagrado tende a pesar na análise da Justiça sobre a manutenção da custódia.
Ninguém é considerado culpado antes da condenação definitiva. A PCDF trata o homem preso em 12 de agosto como suspeito, e o caso segue em apuração na 2ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte.
Como denunciar ponto de tráfico no DF
Moradores que identificarem movimentação suspeita em áreas verdes podem acionar os canais oficiais. A denúncia é anônima e não exige identificação de quem informa.
- 197: disque-denúncia da Polícia Civil do DF, disponível 24 horas.
- 190: emergência da Polícia Militar, para situações em curso.
- Delegacia Eletrônica da PCDF: registro on-line de ocorrências sem deslocamento até a unidade.
- 162: Ouvidoria da SSP-DF, para reclamações sobre o atendimento.
A PCDF tem concentrado ações de rua em regiões administrativas com histórico de furto e tráfico. Em agosto, a corporação já havia prendido quatro suspeitos de 35 furtos a comércios da Asa Norte, em outra frente de investigação na mesma região administrativa.
A expectativa da SSP-DF é manter rondas periódicas no trecho da Matinha para evitar a reocupação. Não há prazo divulgado para uma nova etapa de limpeza da área nem informação sobre projeto de requalificação do espaço.
A 2ª Delegacia de Polícia fica na Asa Norte e atende toda a região administrativa, incluindo as quadras residenciais, os setores comerciais e a área do Setor Hospitalar. É a unidade que segue responsável pelo inquérito aberto a partir da prisão de 12 de agosto.
Quem tiver informação sobre o ponto pode acionar o 197 sem se identificar. Denúncias com referência de local, horário e descrição do movimento têm mais chance de virar diligência do que relatos genéricos, porque permitem à delegacia programar a abordagem.








