Pegadas e ossos de animal selvagem intrigam moradores em Planaltina

agosto 21, 2026
Trecho da BR-020 em Planaltina, com solo vermelho e vegetação de cerrado às margens da pista

Moradores do Núcleo Rural Pipiripau II, em Planaltina, encontraram pegadas e ossos de animais nos quintais e passaram a relatar sons noturnos que não reconhecem. O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) já fez visita técnica à região e instalou armadilhas fotográficas em pontos estratégicos, mas até agora não achou nada que identifique o animal.

O caso foi publicado pelo Metrópoles nesta sexta-feira (21/8). A moradora Ana Lídia Gonçalves conta que ouviu o cachorro reagir de madrugada e, em seguida, um som que não era de cão. “Eu escutei ele latindo, na madrugada de 3 de agosto, e um animal fazendo o que parecia ser um esturro”, relatou. Na mesma noite, segundo ela, o silêncio da chácara ajudou a perceber o movimento: “O som ambiente da chácara estava muito silencioso naquela noite. Vi um olho brilhando”.

Marcas no quintal indicam mais de um animal

As pegadas deixadas no terreno alimentaram a suspeita de que não se trata de um bicho isolado. “Ele está com um filhote, porque as pegadas que eles deixaram dentro do quintal são diferentes”, afirmou a moradora. A hipótese que circula entre os vizinhos é a de uma onça-preta, mas nenhuma autoridade confirmou a espécie, e a identificação depende de imagem ou de laudo.

O desaparecimento de animais domésticos é o que mais preocupa quem vive na área. “Todo dia a gente fica apreensivo, fica com aquela agonia de mais um desaparecer”, disse Ana Lídia. Em núcleo rural, cães, galinhas e animais de pequeno porte ficam soltos no terreno e são presa fácil para qualquer predador de médio ou grande porte.

“Ele está com um filhote, porque as pegadas que eles deixaram dentro do quintal são diferentes”, afirmou a moradora Ana Lídia Gonçalves ao Metrópoles.

O que diz o Ibram

O Instituto Brasília Ambiental informou que fez visita técnica ao local e que “nada foi encontrado até o momento”. O órgão instalou armadilhas fotográficas em pontos estratégicos da região e disse que vai continuar acompanhando a situação. Esse tipo de equipamento registra a passagem do animal por sensor de movimento e é o método usado para confirmar espécie sem contato direto.

Enquanto não há registro fotográfico, qualquer afirmação sobre a espécie é hipótese. Pegada isolada em solo seco perde definição rápido, e ossos encontrados em quintal podem ter origem em predação, em carcaça arrastada ou em descarte. O laudo depende de comparação de medidas da pegada, de pelos e de imagem.

Seca empurra fauna silvestre para a área urbana

O período em que os relatos aparecem não é coincidência. O Distrito Federal atravessa o pico da estiagem, e o cerrado seco reduz água e presa natural, o que amplia o deslocamento de animais silvestres em busca de alimento. Chácaras e núcleos rurais ficam na fronteira entre a área preservada e a ocupação humana, e é ali que o encontro acontece.

O quadro de seca no DF está entre os mais severos dos últimos anos. Em 19 de agosto, o Distrito Federal chegou a 54 dias sem chuva, com 1.012 incêndios em vegetação no mês. Fogo em área de cerrado destrói abrigo e fonte de alimento e empurra a fauna para as bordas ocupadas.

O que fazer ao encontrar vestígio de animal silvestre

  • Não se aproxime do animal nem tente fotografá-lo de perto. Animal acuado ataca.
  • Recolha os animais domésticos ao entardecer e mantenha cães e aves em local fechado durante a noite.
  • Não deixe restos de comida ou carcaça a céu aberto no terreno, porque o cheiro atrai o predador de volta.
  • Preserve a pegada encontrada, cubra com um balde e acione o órgão ambiental antes que a marca se perca.
  • Acione o órgão ambiental pelos canais do Ibram, no site do instituto, ou o Batalhão de Polícia Militar Ambiental pelo 190 em caso de avistamento.

Matar, perseguir, caçar ou capturar animal silvestre é crime previsto no artigo 29 da Lei 9.605/1998, com pena de seis meses a um ano de detenção e multa, mesmo quando o morador alega defesa do rebanho. A regra vale inclusive para o produtor rural que perdeu criação para o predador, e a via correta é o registro da ocorrência e o acionamento do órgão ambiental.

A reportagem procurou o Ibram para saber quantas armadilhas foram instaladas e se há prazo para o resultado do monitoramento. Não houve retorno até a publicação, e o espaço segue aberto.

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