DF chega a 54 dias sem chuva e agosto já soma 1.012 incêndios

agosto 19, 2026
Solo rachado pela falta de chuva durante período de estiagem

O Distrito Federal chegou a 54 dias consecutivos sem chuva, e o Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF) já contabiliza 1.012 chamados por incêndio em vegetação só em agosto, até o dia 16. A última precipitação registrada na capital foi em 25 de junho, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Julho havia fechado com 1.096 chamados, o que coloca agosto no mesmo patamar do mês anterior com metade do período contabilizado.

No acumulado do ano há divergência entre balanços. Levantamento publicado nesta quarta-feira pelo Jornal de Brasília com dados da corporação aponta 3.738 ocorrências até 16 de agosto. Balanço anterior do próprio CBMDF, divulgado na mesma semana, registrava 2.844 chamados no ano. A diferença entre os dois recortes não foi detalhada pela corporação, que não informou se os critérios de contagem são os mesmos.

Por que agosto é o mês mais crítico

A combinação que alimenta o fogo no Cerrado é conhecida: baixa umidade relativa do ar, temperaturas altas no período da tarde e ventos de fracos a moderados. Esse conjunto reduz a umidade do solo e da vegetação, o que aumenta tanto o risco de ignição quanto a velocidade de propagação das chamas.

Sem chuva desde o fim de junho, a vegetação seca funciona como combustível. Uma bituca de cigarro jogada na pista, um balão ou uma queima de lixo em terreno baldio bastam para iniciar um foco que se espalha em minutos em áreas de capim alto.

O Inmet mantém alertas de baixa umidade para o Distrito Federal ao longo da estação seca, com previsão de índices críticos no período da tarde. A recomendação padrão em dias assim inclui hidratação reforçada, uso de umidificadores ou recipientes com água nos ambientes e restrição de atividade física ao ar livre nos horários de maior calor.

A estrutura montada pelo GDF para a seca

A Operação Verde Vivo 2026 começou em abril e segue até novembro. Na fase crítica, o efetivo diário chega a 169 combatentes e 35 viaturas, com apoio de aeronaves, drones e equipamentos especializados. O reforço máximo previsto pode alcançar mil profissionais.

Foram contratados 150 brigadistas com vínculo de dois anos. Entre as ações preventivas estão a queima prescrita em cerca de 300 hectares e a abertura de 50 quilômetros de aceiros, faixas de terreno limpas que funcionam como barreira para conter o avanço do fogo.

Durante a operação, os bombeiros já atenderam 3.270 chamados relacionados a incêndio em vegetação. O número mostra que a maior parte das ocorrências do ano se concentra no período coberto pela força-tarefa, que começa justamente quando a chuva cessa no Planalto Central.

A queima prescrita, técnica usada na prevenção, consiste em queimar áreas delimitadas de forma controlada e em condições monitoradas de umidade e vento, para reduzir a carga de material combustível antes do auge da seca. É procedimento adotado em unidades de conservação do Cerrado e conduzido por equipes técnicas, não por moradores.

  • Dias sem chuva: 54, com última precipitação em 25 de junho (Inmet)
  • Incêndios em vegetação em agosto: 1.012 chamados até o dia 16
  • Acumulado do ano: 3.738 ocorrências até 16 de agosto em um balanço; 2.844 em balanço anterior da corporação
  • Julho: 1.096 ocorrências
  • Operação Verde Vivo: abril a novembro, com até 169 combatentes e 35 viaturas por dia
  • Prevenção: 150 brigadistas contratados, 300 hectares de queima prescrita e 50 km de aceiros

O que fazer e o que evita multa

Atear fogo em lixo, entulho ou vegetação é infração ambiental no Distrito Federal e pode gerar multa, além de responder criminalmente quando o fogo atinge área de preservação ou causa dano a terceiros. A denúncia de queimada pode ser feita pelo 193, número do CBMDF, e pelos canais do Brasília Ambiental.

Quem mora perto de área verde pode reduzir o risco com medidas simples: manter o terreno limpo e roçado, não acumular material inflamável no quintal, evitar fogueiras e churrasqueiras improvisadas em dias de umidade baixa e retirar restos de poda das calçadas, que viram combustível quando ressecam.

Ao avistar fumaça em área de vegetação, a orientação dos bombeiros é acionar o 193 imediatamente e informar ponto de referência, em vez de tentar combater o fogo por conta própria. Em terreno com capim alto, a chama muda de direção com rajadas de vento e alcança quem está próximo.

A previsão para os próximos meses reforça a atenção. A estação chuvosa no Planalto Central costuma retornar entre setembro e outubro, e o intervalo até lá concentra historicamente o maior número de ocorrências do ano. Nossa cobertura do balanço anterior está em DF chega a 2.844 incêndios em vegetação e entra no pico da seca.

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