dom, 11 out
Segurança

Homem é preso na W3 Norte após oferecer R$ 300 a criança de 11 anos

Testemunhas acionaram o 3º BPM ao ver a abordagem na altura das quadras 708 e 709. O suspeito, de 38 anos, tem condenação anterior por estupro de vulnerável.

Por Denver Moura 4 min de leitura
Viatura da Polícia Militar do Distrito Federal com giroflex acionado
Neste texto5 tópicos
  1. Suspeito tem condenação anterior por estupro de vulnerável
  2. Oferta de dinheiro já configura o crime
  3. O papel de quem viu
  4. Onde a vítima é atendida no DF
  5. Próximos passos do caso

Um homem de 38 anos foi preso em flagrante na tarde desta terça-feira (18) na W3 Norte, em Brasília, depois de oferecer R$ 300 a uma criança de 11 anos em troca de relação sexual. A prisão foi feita por policiais militares do 3º Batalhão, responsável pela Asa Norte, na altura das quadras 708 e 709.

A guarnição foi acionada por testemunhas que estavam na via e viram a abordagem. Segundo o relato dado aos policiais, o homem se aproximou da criança e ofereceu o dinheiro. A vítima confirmou o ocorrido à equipe no local, e o suspeito foi detido em seguida.

Suspeito tem condenação anterior por estupro de vulnerável

O levantamento feito pela polícia após a prisão apontou passagens anteriores por lesão corporal, ameaça e violência doméstica com base na Lei Maria da Penha. O registro mais grave é por estupro de vulnerável contra a própria enteada, uma criança de 7 anos à época.

O homem foi conduzido à delegacia, onde o caso foi registrado como exploração sexual de criança. O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê pena de quatro a dez anos de reclusão para quem submete criança ou adolescente à prostituição ou à exploração sexual, e a mesma pena se aplica a quem oferece vantagem para praticar ato libidinoso com menor de 14 anos.

A defesa do suspeito não havia se manifestado publicamente até a publicação desta reportagem. A identidade da criança é preservada, conforme determina o ECA.

Oferta de dinheiro já configura o crime

Um ponto que costuma gerar dúvida é se houve crime quando não há contato físico. A legislação brasileira não exige a consumação do ato para caracterizar a exploração sexual. O simples ato de oferecer dinheiro, presente ou qualquer vantagem a uma criança com finalidade sexual já é conduta típica, e é o que sustenta a prisão em flagrante nesse tipo de ocorrência.

O mesmo raciocínio vale para o ambiente digital. Assédio por aplicativo de mensagem, envio de conteúdo sexual e aliciamento em jogos on-line configuram crime independentemente de encontro presencial. A legislação foi endurecida neste ano com a lei que tornou hediondo o crime sexual digital contra criança, que também alcança imagens produzidas por inteligência artificial.

O papel de quem viu

A prisão só aconteceu porque pessoas que passavam pela W3 Norte acionaram a Polícia Militar imediatamente. Em crimes sexuais contra crianças, a denúncia de terceiros costuma ser a única porta de entrada do caso no sistema de justiça, porque a vítima raramente tem condições de relatar o que sofreu.

  • Flagrante ou situação em curso: acionar o 190, que direciona a viatura mais próxima.
  • Denúncia anônima: Disque 100, canal nacional de direitos humanos, e o 197 da Polícia Civil do DF.
  • Registro formal: delegacia da circunscrição ou a Delegacia da Criança e do Adolescente.
  • Suspeita sem certeza: também deve ser comunicada. Cabe à polícia apurar, e a omissão diante de indício de abuso é prevista como infração no ECA.

Onde a vítima é atendida no DF

O DF concentra o atendimento a crianças vítimas de violência sexual no Centro Integrado 18 de Maio, que reúne polícia, saúde, assistência social e Ministério Público no mesmo espaço para evitar que a criança precise repetir o relato em cada órgão. O modelo é o da escuta especializada, previsto na Lei 13.431/2017. Saiba como funciona o atendimento no Centro 18 de Maio.

O acompanhamento inclui avaliação médica, exames quando necessários, apoio psicológico e encaminhamento da família à rede de proteção. O serviço é gratuito e independe de a família ter registrado boletim de ocorrência antes.

Próximos passos do caso

Depois da lavratura do flagrante, o preso passa por audiência de custódia, em que o juiz decide sobre a conversão em prisão preventiva. O histórico criminal e a existência de condenação anterior por crime sexual contra criança são elementos que costumam pesar nessa decisão.

A investigação segue com a oitiva das testemunhas que acionaram a polícia e com o depoimento da vítima em ambiente protegido. Só depois de concluído o inquérito o Ministério Público decide pela denúncia à Justiça.

Nesse intervalo, a criança e a família passam a ser acompanhadas pela rede de proteção do DF, que reúne conselho tutelar, serviço social e atendimento psicológico. O acompanhamento não depende do andamento do processo criminal e continua mesmo que a investigação demore, porque o objetivo é reduzir o impacto do episódio sobre a vítima e evitar que ela seja exposta a novas situações de risco na mesma região.

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