Veterinária atacada por cão do Senado passa por cirurgia e está grave

agosto 19, 2026
Cão da raça pastor-belga-malinois em campo aberto

Uma médica-veterinária de 36 anos foi atacada por um cão do canil do Senado Federal na manhã desta terça-feira (18), na Esplanada dos Ministérios, e passou por cirurgia de emergência no Hospital de Base do Distrito Federal. Vitória Valle de Oliveira Pinha teve uma lesão profunda no pescoço e permanece internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva.

O animal é um pastor-belga-malinois ligado ao Serviço de Cinotecnia do Senado, unidade que treina cães usados em rondas e em varreduras de segurança no Congresso Nacional. O canil fica na área da Esplanada, nas proximidades do Ministério da Justiça.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, a mordida atingiu a região cervical e provocou uma hemorragia intensa. A equipe encontrou a vítima com parte da coluna exposta e uma artéria lesionada. Ainda no local, a veterinária sofreu uma parada cardiorrespiratória e precisou ser reanimada antes do transporte.

Cirurgia do trauma e internação na UTI

A vítima foi levada ao Hospital de Base, referência em trauma no DF, onde foi operada pela equipe de Cirurgia do Trauma. O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF), que administra a unidade, confirmou a entrada da paciente e informou que ela seguia internada em estado grave depois do procedimento.

Casos de mordedura na região do pescoço são tratados como emergência cirúrgica porque a área concentra vasos calibrosos, a traqueia e a coluna cervical. O risco imediato é a perda de sangue; o risco seguinte é a infecção, já que a boca do animal carrega bactérias que se instalam em ferimentos profundos.

O que dizem o Senado e a polícia

Em nota, o Senado Federal informou que a profissional recebeu atendimento imediato e que a instituição acompanha o caso, prestando o suporte necessário à vítima. A Casa não detalhou o que motivou o ataque nem informou qual será o destino do animal.

A profissional recebeu atendimento imediato e a instituição acompanha o caso, prestando o suporte necessário à vítima.

A ocorrência foi registrada na 5ª Delegacia de Polícia, que instaurou inquérito. O caso foi classificado como acidente de trabalho, o que direciona a apuração para as condições em que a profissional lidava com o cão: protocolo de contenção, equipamento de proteção e presença de adestrador durante o manejo.

Cão de trabalho exige protocolo de manejo

O pastor-belga-malinois é a raça mais usada por forças de segurança no Brasil em faro de explosivos e drogas e em patrulhamento. São animais de mordida forte e alto impulso de trabalho, treinados para agir sob comando. Justamente por isso, o manejo veterinário desses cães costuma seguir rotina própria, com focinheira, contenção física e acompanhamento do condutor que treina o animal no dia a dia.

A investigação deve estabelecer se esse protocolo estava em vigor no atendimento em que a veterinária foi ferida. O inquérito também vai apurar se houve falha de supervisão e se o cão tinha histórico de agressividade registrado no serviço de cinotecnia.

Ataques de cães a profissionais que lidam com animais são a principal causa de afastamento na medicina veterinária de campo, ao lado de lesões por coice e por contenção de animais de grande porte. Em unidades de segurança pública, o manejo é considerado atividade de risco e demanda treinamento específico da equipe de saúde animal.

Quem procurar em caso de mordedura

Qualquer pessoa mordida por cão no DF deve procurar imediatamente uma unidade de saúde. O protocolo padrão inclui limpeza do ferimento, avaliação da necessidade de sutura, vacina antitetânica e, conforme o caso, o esquema de profilaxia antirrábica. A rede pública oferece o atendimento de forma gratuita.

  • Emergência com hemorragia ou perda de consciência: acionar o 192 (Samu) ou o 193 (Bombeiros).
  • Ferimento sem gravidade: procurar a UPA ou a UBS mais próxima e informar a espécie e a situação do animal.
  • Animal desconhecido ou sem carteira de vacinação: informar a equipe, porque isso muda a conduta de profilaxia contra a raiva.
  • Registro do caso: delegacia da circunscrição, presencialmente ou pela Delegacia Eletrônica da PCDF.

O DF passou por um bloqueio de vacinação em agosto depois da confirmação de raiva canina no Lago Norte, e a Secretaria de Saúde segue monitorando animais na região. Leia mais sobre o monitoramento da raiva canina no DF.

Próximos passos

A veterinária segue internada, e o boletim médico depende da evolução no pós-operatório. Cabe agora à 5ª DP concluir o inquérito e ao Senado informar quais medidas administrativas foram tomadas no canil, incluindo a revisão do protocolo de manejo e a situação do animal envolvido.

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