Operação da PF prende 724 foragidos por homicídio e feminicídio

agosto 13, 2026
Fachada da sede da Polícia Federal, em Brasília, com o brasão do órgão

A Polícia Federal prendeu 724 foragidos por homicídio e feminicídio entre maio e agosto deste ano na Operação Omnes, ação coordenada com as forças estaduais em todo o país. O balanço foi divulgado nesta quarta-feira (12) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A operação teve como alvo pessoas investigadas ou condenadas por crimes contra a vida, com mandados de prisão em aberto. As capturas resultaram da atuação integrada entre a PF, as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), as polícias estaduais e outras instituições parceiras, com troca de informações e uso de recursos de inteligência para localizar os procurados.

Os números do ano

O balanço traz também o dado agregado do período. Entre 1º de janeiro e 11 de agosto de 2026, foram 11.767 prisões no conjunto das ações, o que equivale a cerca de 48 por dia em média.

  • 724 presos por homicídio simples, homicídio qualificado e feminicídio na Operação Omnes;
  • maio a agosto de 2026, período de execução da operação;
  • 11.767 prisões entre 1º de janeiro e 11 de agosto, somando todas as frentes;
  • 48 prisões por dia, na média do período.

A divulgação foi feita no contexto do Agosto Lilás, mês dedicado ao enfrentamento da violência contra a mulher, e do Dia Nacional dos Direitos Humanos, celebrado em 12 de agosto.

Como funciona a caçada a foragido

O trabalho começa no banco nacional de mandados de prisão, que reúne as ordens judiciais expedidas em todo o país. A partir dele, as equipes cruzam registros de endereço, movimentação bancária, vínculos empregatícios e dados de deslocamento para estimar onde o procurado está.

A estrutura das Ficco é o que permite operar além da fronteira do estado. Foragido por homicídio costuma deixar a cidade onde o crime ocorreu, e sem coordenação entre polícias o mandado fica parado. As unidades integradas reúnem PF, Polícia Rodoviária Federal, polícias civis e militares e, em parte dos estados, o Ministério Público e a Receita Federal.

Os alertas gerados por sistemas de reconhecimento facial em terminais e áreas de grande circulação entraram nessa rotina nos últimos anos. No Distrito Federal, o monitoramento em pontos como a Rodoviária do Plano Piloto já resultou em prisões de procurados identificados pelas câmeras.

Feminicídio no centro da operação

A inclusão explícita do feminicídio entre os alvos responde a uma característica desse crime: em boa parte dos casos, o autor é conhecido da vítima e a rede familiar e de vizinhança tem informação sobre o paradeiro dele. Isso torna a captura mais dependente de denúncia e de proteção às testemunhas do que a de outros crimes contra a vida.

O feminicídio passou a ser tipo penal autônomo em 2024, com pena de 20 a 40 anos de reclusão, e deixou de ser tratado como qualificadora do homicídio. A mudança alterou a forma de registro e de contagem dos casos pelas polícias.

A rede de proteção à mulher no Distrito Federal opera em paralelo à captura. A Lei Maria da Penha prevê medidas protetivas de urgência que podem ser concedidas em até 48 horas, entre elas o afastamento do agressor do lar, a proibição de aproximação e a suspensão do porte de arma. O descumprimento da medida é crime autônomo, com pena de detenção de 2 a 5 anos.

No DF, o atendimento especializado é feito pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, com unidades em regiões administrativas, e pelos Centros Especializados de Atendimento à Mulher, que reúnem acolhimento psicológico e orientação jurídica. O registro da ocorrência pode ser feito também pela Delegacia Eletrônica, o que dispensa o deslocamento em situações em que sair de casa expõe a vítima.

Onde denunciar

  • 190: emergência policial, para risco imediato.
  • 180: Central de Atendimento à Mulher, nacional e gratuita.
  • 197: denúncia à Polícia Civil do Distrito Federal, com sigilo garantido.
  • Disque 100: violações de direitos humanos.

O canal 197 funciona 24 horas e recebe denúncia anônima sobre paradeiro de procurado, tráfico e violência doméstica no Distrito Federal. A ligação não aparece na conta telefônica.

Informações sobre foragidos podem ser repassadas de forma anônima aos canais das polícias civis estaduais e da PF. Denúncia com localização precisa é o insumo que costuma fechar a última etapa da captura, segundo o padrão descrito nas operações do tipo.

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Perguntas frequentes

Quantas prisões a Operação Omnes fez?

Foram 724 prisões de foragidos por homicídio simples, homicídio qualificado e feminicídio entre maio e agosto de 2026.

Quantas prisões foram feitas no ano?

Entre 1º de janeiro e 11 de agosto de 2026 foram 11.767 prisões no conjunto das ações, cerca de 48 por dia em média.

Como denunciar o paradeiro de um foragido no DF?

Pelo 197, canal da Polícia Civil do Distrito Federal, com sigilo garantido. Em risco imediato, o número é o 190.

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