A Polícia Federal prendeu 724 foragidos por homicídio e feminicídio entre maio e agosto deste ano na Operação Omnes, ação coordenada com as forças estaduais em todo o país. O balanço foi divulgado nesta quarta-feira (12) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A operação teve como alvo pessoas investigadas ou condenadas por crimes contra a vida, com mandados de prisão em aberto. As capturas resultaram da atuação integrada entre a PF, as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), as polícias estaduais e outras instituições parceiras, com troca de informações e uso de recursos de inteligência para localizar os procurados.
Os números do ano
O balanço traz também o dado agregado do período. Entre 1º de janeiro e 11 de agosto de 2026, foram 11.767 prisões no conjunto das ações, o que equivale a cerca de 48 por dia em média.
- 724 presos por homicídio simples, homicídio qualificado e feminicídio na Operação Omnes;
- maio a agosto de 2026, período de execução da operação;
- 11.767 prisões entre 1º de janeiro e 11 de agosto, somando todas as frentes;
- 48 prisões por dia, na média do período.
A divulgação foi feita no contexto do Agosto Lilás, mês dedicado ao enfrentamento da violência contra a mulher, e do Dia Nacional dos Direitos Humanos, celebrado em 12 de agosto.
Como funciona a caçada a foragido
O trabalho começa no banco nacional de mandados de prisão, que reúne as ordens judiciais expedidas em todo o país. A partir dele, as equipes cruzam registros de endereço, movimentação bancária, vínculos empregatícios e dados de deslocamento para estimar onde o procurado está.
A estrutura das Ficco é o que permite operar além da fronteira do estado. Foragido por homicídio costuma deixar a cidade onde o crime ocorreu, e sem coordenação entre polícias o mandado fica parado. As unidades integradas reúnem PF, Polícia Rodoviária Federal, polícias civis e militares e, em parte dos estados, o Ministério Público e a Receita Federal.
Os alertas gerados por sistemas de reconhecimento facial em terminais e áreas de grande circulação entraram nessa rotina nos últimos anos. No Distrito Federal, o monitoramento em pontos como a Rodoviária do Plano Piloto já resultou em prisões de procurados identificados pelas câmeras.
Feminicídio no centro da operação
A inclusão explícita do feminicídio entre os alvos responde a uma característica desse crime: em boa parte dos casos, o autor é conhecido da vítima e a rede familiar e de vizinhança tem informação sobre o paradeiro dele. Isso torna a captura mais dependente de denúncia e de proteção às testemunhas do que a de outros crimes contra a vida.
O feminicídio passou a ser tipo penal autônomo em 2024, com pena de 20 a 40 anos de reclusão, e deixou de ser tratado como qualificadora do homicídio. A mudança alterou a forma de registro e de contagem dos casos pelas polícias.
A rede de proteção à mulher no Distrito Federal opera em paralelo à captura. A Lei Maria da Penha prevê medidas protetivas de urgência que podem ser concedidas em até 48 horas, entre elas o afastamento do agressor do lar, a proibição de aproximação e a suspensão do porte de arma. O descumprimento da medida é crime autônomo, com pena de detenção de 2 a 5 anos.
No DF, o atendimento especializado é feito pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, com unidades em regiões administrativas, e pelos Centros Especializados de Atendimento à Mulher, que reúnem acolhimento psicológico e orientação jurídica. O registro da ocorrência pode ser feito também pela Delegacia Eletrônica, o que dispensa o deslocamento em situações em que sair de casa expõe a vítima.
Onde denunciar
- 190: emergência policial, para risco imediato.
- 180: Central de Atendimento à Mulher, nacional e gratuita.
- 197: denúncia à Polícia Civil do Distrito Federal, com sigilo garantido.
- Disque 100: violações de direitos humanos.
O canal 197 funciona 24 horas e recebe denúncia anônima sobre paradeiro de procurado, tráfico e violência doméstica no Distrito Federal. A ligação não aparece na conta telefônica.
Informações sobre foragidos podem ser repassadas de forma anônima aos canais das polícias civis estaduais e da PF. Denúncia com localização precisa é o insumo que costuma fechar a última etapa da captura, segundo o padrão descrito nas operações do tipo.
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Perguntas frequentes
Quantas prisões a Operação Omnes fez?
Foram 724 prisões de foragidos por homicídio simples, homicídio qualificado e feminicídio entre maio e agosto de 2026.
Quantas prisões foram feitas no ano?
Entre 1º de janeiro e 11 de agosto de 2026 foram 11.767 prisões no conjunto das ações, cerca de 48 por dia em média.
Como denunciar o paradeiro de um foragido no DF?
Pelo 197, canal da Polícia Civil do Distrito Federal, com sigilo garantido. Em risco imediato, o número é o 190.








