O Brasil volta ao comando do Mercosul. Em cúpula de chefes de Estado realizada em Buenos Aires, o país recebeu a presidência pró-tempore do bloco, que muda de mãos a cada seis meses. O bastão passou da Argentina para o governo brasileiro, que agora conduz a agenda do grupo até o fim do semestre.
O Mercosul reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia em processo de adesão. Criado em 1991, o bloco tem como base a livre circulação de bens entre os membros e uma tarifa comum para produtos que vêm de fora. As decisões dependem de consenso, o que costuma tornar as negociações lentas.
Acordo com a Europa no centro
A prioridade declarada da presidência brasileira é concluir o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, tratado negociado há mais de duas décadas. O entendimento abriria um dos maiores mercados do mundo para produtos da região, com destaque para o agronegócio, e ainda enfrenta resistências no lado europeu, sobretudo de setores agrícolas e de exigências ambientais.
- Conclusão do acordo Mercosul-União Europeia
- Fortalecimento da tarifa externa comum
- Inclusão dos setores automotivo e açucareiro no regime do bloco
- Combate ao crime organizado e transição energética
“Cabe a nós decidir se seremos grandes ou pequenos”, afirmou o presidente brasileiro ao listar as prioridades do país à frente do bloco.
Para o Brasil, o Mercosul é destino relevante das exportações de manufaturados, área em que o país tem superávit com os vizinhos. Um acordo com a Europa ampliaria o acesso a mercados, mas também aumentaria a concorrência para a indústria nacional, o que mantém o tema sensível dentro de casa. A condução brasileira nos próximos meses vai testar a capacidade de destravar uma negociação parada há anos.
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