O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) cruzou uma marca inédita. Em maio, o total chegou a R$ 9,03 trilhões, alta de 2,66% ante abril, o equivalente a mais R$ 234,4 bilhões em um único mês. Foi a primeira vez que o indicador superou R$ 9 trilhões, segundo relatório do Tesouro Nacional.
A dívida pública é o conjunto de compromissos que o governo assume ao emitir títulos para financiar seus gastos. Parte da alta de maio veio de novas emissões, R$ 134,46 bilhões em captação líquida, e parte da apropriação de juros, cerca de R$ 100 bilhões que se somam ao saldo por conta da taxa que incide sobre os papéis.
Selic pesa na conta
Com a Selic em patamar alto ao longo do ano, a fatia da dívida atrelada à taxa básica encareceu. A parcela de títulos ligados à Selic variou de 48,59% para 48,99% entre abril e maio. Os papéis prefixados subiram de 20,85% para 21%, ainda abaixo do teto de 25% previsto no Plano Anual de Financiamento.
- Dívida interna (DPMFi): R$ 8,692 trilhões (+2,72%)
- Dívida externa (DPFe): R$ 340,49 bilhões (+1,37%)
- Títulos atrelados à Selic: 48,99% do total
- Títulos prefixados: 21% do total
“A variação reflete emissão líquida e a apropriação de juros no período”, informou o Tesouro na divulgação mensal.
O tamanho da dívida em si não é o único problema. O que preocupa analistas é o custo de rolagem, ou seja, quanto o governo paga para trocar títulos que vencem por novos papéis. Com juros elevados, essa despesa cresce e disputa espaço no orçamento com áreas como saúde e educação. O tema volta ao debate a cada divulgação de dados fiscais e alimenta a discussão sobre o cumprimento das metas do arcabouço.
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