Confiança do consumidor fica estável em junho, mas família adia compra de bens

julho 1, 2026
Confiança do consumidor fica estável em junho, mas família adia compra de bens

O consumidor brasileiro terminou junho dividido entre um presente melhor e um futuro incerto. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), ficou em 88,7 pontos, queda de apenas 0,1 ponto na comparação com maio. Na média móvel de três meses, houve leve avanço, de 0,2 ponto.

O dado importa porque a confiança antecipa decisões de consumo. Quando as famílias se sentem seguras, gastam mais, e o comércio e os serviços reagem. Quando ficam receosas, seguram compras e adiam gastos maiores.

Presente melhora, futuro esfria

A leitura de junho trouxe dois movimentos opostos. O Índice de Situação Atual (ISA), que mede a percepção sobre o momento presente, subiu 0,9 ponto, para 87 pontos, na terceira alta seguida e no maior nível desde outubro de 2014. Já o Índice de Expectativas (IE), voltado ao que vem pela frente, recuou 0,9 ponto, para 90,4 pontos.

  • Índice de Confiança do Consumidor: 88,7 pontos (-0,1)
  • Situação Atual: 87 pontos (+0,9, maior desde 2014)
  • Expectativas: 90,4 pontos (-0,9)
  • Intenção de compra de bens duráveis: 80 pontos (-3)

A cautela apareceu justamente onde mais dói para o varejo. O indicador de compras previstas de bens duráveis, como eletrodomésticos e móveis, caiu 3 pontos, para 80. A percepção sobre a situação financeira futura da família também recuou.

“A confiança seguiu praticamente estável, com melhora da avaliação do presente compensada por expectativas mais moderadas”, apontou a FGV na divulgação.

Por faixa de renda, a pesquisa mostrou alta da confiança entre os consumidores de menor rendimento e queda entre os que ganham a partir de R$ 4.800. O comportamento cauteloso com bens duráveis conversa com os juros ainda altos, que encarecem o crédito e o parcelamento, itens decisivos na hora de fechar uma compra de maior valor.

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