O Solidariedade confirmou apoio à candidatura da governadora Celina Leão (PP) à reeleição no Distrito Federal. O anúncio foi feito na sexta-feira (14), véspera do prazo final para o registro de candidaturas na Justiça Eleitoral, encerrado no sábado (15).
Com a adesão, o partido passa a integrar a coligação Proposta e Ação, que reúne a Federação União Progressista, Republicanos, MDB, Podemos, PL, Democracia Cristã, Mobilização Nacional e a Federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade.
A confirmação ocorreu em encontro com o vice-presidente nacional do Solidariedade, Felipe Espírito Santo, o advogado Everardo Gueiros e o ex-deputado distrital Berinaldo Pontes, secretário-geral do partido no DF. Segundo o registro do encontro, a governadora recebeu o apoio com satisfação.
O que o tamanho da coligação muda
O número de legendas em uma coligação majoritária tem efeito direto em dois pontos da disputa. O primeiro é a estrutura de campanha: cada partido leva diretórios, cabos eleitorais e candidatos a deputado distrital e federal que dividem palanque com a chapa majoritária nas regiões administrativas.
O segundo é a distribuição do horário eleitoral gratuito. Pelas regras em vigor, o tempo de rádio e televisão da chapa majoritária é calculado a partir do tamanho das bancadas dos partidos coligados na Câmara dos Deputados, e não do número de siglas em si. Uma legenda pequena agrega palanque, mas soma pouco tempo de TV.
A composição definitiva da coligação, com todas as legendas e os cargos registrados, consta do sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alimentado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) a partir dos pedidos protocolados até 15 de agosto.
Movimentação partidária no DF
O Solidariedade estava em conversas com outro campo antes de fechar com a governadora. A adesão foi anunciada junto com a do PRD, com quem o partido forma a Federação Renovação Solidária.
Federação partidária não é coligação. Pela Lei 14.208, de 2021, siglas que se federam passam a atuar como um único partido perante a Justiça Eleitoral por prazo mínimo de quatro anos, com programa e estatuto próprios da federação. Na prática, isso significa que PRD e Solidariedade não podem apoiar candidatos majoritários diferentes na mesma unidade da federação, e a legenda que descumprir o prazo fica impedida de receber recursos do fundo partidário e de usar o tempo de propaganda por até cinco anos.
A diferença importa na leitura do tabuleiro do DF. Quando uma federação entra na coligação, os dois partidos entram juntos, e não há espaço para acordo separado com outro candidato ao Buriti.
A chapa de Celina Leão já havia recebido o apoio do MDB semanas antes. A governadora tem como candidato a vice Gustavo Rocha. Cada nova adesão altera a composição do palanque nas regiões administrativas e o número de candidaturas proporcionais que dividem material de campanha com a chapa majoritária, um cálculo que só se fecha depois que o TRE-DF conclui a análise dos registros.
Celina Leão registrou a candidatura na tarde de sábado (15), último dia do prazo.
Ao todo, dez chapas pedem registro para o governo do Distrito Federal nestas eleições. Além da governadora, concorrem José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB), Samara Mineiro (UP), Kiko Caputo (Novo), Professor Robson (PSTU), Elisson Ferreira (Agir) e Expedito Mendonça (PCO).
O calendário até outubro
A campanha nas ruas foi liberada no domingo (16). A partir dessa data, os candidatos podem pedir voto de forma explícita, fazer caminhada, carreata e comício e distribuir material impresso dentro das regras de horário fixadas pela Justiça Eleitoral.
- 15 de agosto: prazo final para registro de candidaturas
- 16 de agosto: início da propaganda eleitoral e do pedido explícito de voto
- 28 de agosto a 1º de outubro: horário eleitoral gratuito no rádio e na TV
- 4 de outubro: primeiro turno
- 25 de outubro: segundo turno, onde houver
O julgamento dos pedidos de registro cabe ao TRE-DF, que analisa documentação, filiação partidária, quitação eleitoral e eventuais impugnações antes de deferir cada candidatura. Um candidato com registro sob análise pode fazer campanha, mas assume o risco de ter os votos anulados caso o pedido seja indeferido em decisão definitiva.
A reportagem não localizou manifestação pública dos demais partidos da coligação sobre a entrada do Solidariedade até a publicação. As informações divulgadas até agora não detalham contrapartidas na chapa proporcional.
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