Celina Leão chega a 32,4% e abre 8,4 pontos sobre Arruda no Buriti

agosto 5, 2026
Fachada da sede do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, em Brasília

A vice-governadora Celina Leão (PP) chegou a 32,4% das intenções de voto para o Palácio do Buriti e abriu 8,4 pontos percentuais de vantagem sobre o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que aparece com 24%, segundo a segunda rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política divulgada nesta quarta-feira (5). O levantamento encerra o empate técnico registrado em junho, quando os dois estavam separados por 4,3 pontos.

Na primeira rodada, feita em junho, Celina tinha 27,8% e Arruda, 23,5%. A vice-governadora cresceu 4,6 pontos no intervalo entre as duas medições, enquanto o ex-governador oscilou meio ponto, variação dentro da margem de erro. O resultado consolida a candidata do governo na liderança da disputa a menos de dois meses do primeiro turno.

Como ficou o cenário estimulado

No cenário estimulado, em que o entrevistador apresenta a lista de nomes, o desenho da corrida ficou assim:

  • Celina Leão (PP): 32,4%
  • José Roberto Arruda (PSD): 24%
  • Leandro Grass (PT): 9,8%
  • Ricardo Cappelli (PSB): 4,3%
  • Paula Belmonte (PSDB): 3,5%

A terceira colocação de Grass é o dado que organiza a disputa no campo da esquerda. O ex-deputado distrital é o nome da Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PV e PCdoB, e sua convenção estava marcada para esta quarta-feira, às 19h, no auditório da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Cappelli, que aparece em quarto, mantém a pré-candidatura pelo PSB e pediu publicamente que o PT indique o vice de sua chapa.

Procurado, Grass afirmou que não vai comentar o resultado. “Há pesquisas sérias e outras com resultados encomendados conforme o gosto ou o pagamento do cliente”, disse. O candidato acrescentou que “não pretendo comentar nenhuma pesquisa eleitoral, seja lá qual for o resultado” e afirmou preferir acompanhar os levantamentos internos do próprio partido.

O que diz a metodologia

A pesquisa ouviu 1.109 eleitores em 31 regiões administrativas do Distrito Federal, entre 30 de julho e 1º de agosto. A margem de erro é de 3,3 pontos percentuais e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número DF-04077/2026.

A margem de erro é o detalhe que muda a leitura de cada faixa do ranking. A distância entre Celina e Arruda, de 8,4 pontos, é maior que o dobro da margem, o que caracteriza vantagem fora do empate técnico. Já a diferença entre Cappelli e Paula Belmonte, de 0,8 ponto, está inteiramente dentro dela: os dois estão tecnicamente empatados, e a ordem entre eles não pode ser lida como posição definida.

O mesmo levantamento mediu a aprovação da gestão de Celina Leão em 51,9%, indicador que costuma sustentar a intenção de voto de quem disputa a reeleição do grupo governista. Celina assumiu o Buriti em caráter definitivo após a renúncia de Ibaneis Rocha para disputar o Senado.

Arruda governou o Distrito Federal entre 2007 e 2010 e está fora de cargo eletivo desde então. Ele recuperou os direitos políticos e aparece na pesquisa como o principal adversário da candidata governista, sustentado por reconhecimento de nome construído em quatro décadas de vida pública no DF. Em entrevista após a divulgação, afirmou que “agora começa a campanha para valer”, referência ao início do período de propaganda.

Paula Belmonte, com 3,5%, foi lançada pelo PSDB em convenção realizada nesta semana, com a presença do ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves. A deputada federal disputa o mesmo eleitorado de centro que hoje se divide entre as duas primeiras colocadas, o que faz do desempenho dela um dos fatores capazes de alterar o tamanho da vantagem no topo.

O calendário que vem pela frente

As convenções partidárias no Distrito Federal foram até 5 de agosto, prazo legal para que os partidos oficializem candidaturas e coligações. Encerrada essa fase, começa o período de registro no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, etapa em que a Justiça Eleitoral analisa a documentação e eventuais impugnações.

Novas rodadas de pesquisa tendem a se concentrar a partir do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, quando os candidatos com menor reconhecimento passam a ter tempo garantido de exposição. É nesse ponto que a disputa pela terceira posição costuma se mexer, já que o eleitor que ainda não decidiu passa a comparar nomes que hoje aparecem em faixa de um dígito.

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