DF tem sete candidatos autistas nas eleições de 2026

setembro 19, 2026
Mãos de eleitor junto a uma urna eletrônica da Justiça Eleitoral, com lacre verde

Sete candidatos registrados no Distrito Federal declararam à Justiça Eleitoral estar dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) para a disputa de 4 de outubro. O autismo é a condição mais declarada entre as candidaturas de pessoas com deficiência no DF neste ano.

Os números aparecem em levantamento publicado pelo Metrópoles neste sábado (19), a partir dos registros de candidatura. Cinco dessas candidaturas disputam uma vaga de deputado distrital na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), e uma concorre ao cargo de vice-governadora.

No total, 20 candidaturas no DF informaram alguma deficiência no momento do registro. Além do autismo, aparecem na lista paraplegia, deficiência auditiva, deficiência visual e monoplegia, além de um grupo classificado como outras deficiências. Entre os nomes citados está o de Anderson José da Silva Teixeira (PSD).

O salto nacional: de 13 para 70 candidaturas

O crescimento não é exclusividade do Distrito Federal. Em todo o país, as candidaturas de pessoas autistas passaram de 13 para 70 em relação ao pleito anterior, um avanço de mais de cinco vezes. A distribuição dos 70 pedidos de registro ficou assim:

  • 39 para deputado estadual
  • 22 para deputado federal
  • 5 para deputado distrital, na Câmara Legislativa do DF
  • 3 para vice-governador
  • 1 para primeiro suplente

O dado tem um limite importante: a informação sobre deficiência é autodeclarada no formulário de registro de candidatura. Quem não marca o campo não entra na conta, o que significa que o número real de candidatos autistas pode ser maior do que o registrado na base da Justiça Eleitoral.

A Câmara Legislativa do Distrito Federal tem 24 cadeiras, todas em disputa neste ano. As cinco candidaturas de pessoas autistas concorrem no mesmo pleito em que centenas de nomes disputam essas vagas, o que torna o resultado de outubro o primeiro teste concreto sobre se o crescimento no registro se converte em representação eleita.

A cobrança de quem acompanha a pauta

Para o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal (Coddede), o aumento das candidaturas só se converte em política pública se o tema sobreviver ao período de campanha.

“Pessoas com deficiência estão cansadas de serem lembradas apenas como pauta simbólica”, afirmou Ana Paula Batista, de 50 anos, presidente do Coddede.

A avaliação resume o que está em jogo na disputa distrital: acessibilidade em escola pública, diagnóstico precoce na rede do DF, atendimento especializado no SUS e fiscalização do cumprimento das leis já aprovadas costumam aparecer nos programas de governo, mas raramente viram indicador cobrado depois da posse.

Registrar candidatura e ocupar cadeira são coisas diferentes. O levantamento mede pedidos de registro, não resultado: dos 70 nomes autistas que pediram registro no país, quantos serão eleitos só se saberá depois da apuração de 4 de outubro. Na eleição anterior, a base de comparação eram 13 candidaturas em todo o Brasil.

O que a legislação já garante no DF

O Distrito Federal tem estrutura legal específica para pessoas com TEA. A Lei Brasileira de Inclusão equipara a pessoa com transtorno do espectro autista à pessoa com deficiência para todos os efeitos legais, o que abre acesso a atendimento prioritário, isenções e cotas.

Na prática local, os principais instrumentos são a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), emitida pelo GDF, e o atendimento nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e nas unidades básicas de saúde. Quem ainda não conhece o documento pode conferir o que o cartão TEA garante à pessoa autista no DF.

No campo eleitoral, a Justiça Eleitoral prevê atendimento diferenciado no dia da votação para eleitores com deficiência, incluindo prioridade na fila, seções acessíveis e possibilidade de auxílio de pessoa de confiança dentro da cabine.

Próximos passos

Os registros de candidatura ainda passam pelo crivo do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), que julga os pedidos individualmente. Candidaturas indeferidas em primeira instância podem recorrer, e o nome segue na urna com a situação de sub judice até a decisão final.

A votação ocorre em 4 de outubro. No DF, o eleitor escolhe presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado distrital. A relação completa de candidatos, com situação do registro, patrimônio declarado e prestação de contas, está no sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O Coddede não informou se pretende cobrar compromissos formais dos candidatos eleitos. A reportagem do Metrópoles que reuniu os dados foi publicada em 19 de setembro de 2026.

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