Celina Leão vai à CVM contra Lula por falas sobre o BRB

setembro 19, 2026
Fachada do Palácio do Buriti, sede do Governo do Distrito Federal, iluminada à noite

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), anunciou nesta sexta-feira, 18, que vai acionar a Comissão de Valores Mobiliários contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por causa das declarações dele sobre a crise do BRB. Ela classificou as falas do presidente como crime.

O anúncio foi feito em entrevista à rádio CBN e aos jornais O Globo e Valor Econômico. O argumento central da governadora é de mercado: a manifestação do chefe do Executivo federal sobre um banco de capital aberto afeta a percepção de risco e, com ela, a liquidez da instituição.

“Quando o presidente da República fala, ele mexe na liquidez”, disse Celina Leão, que também afirmou que a posição manifestada por Lula contraria o entendimento da Advocacia-Geral da União sobre o caso.

A governadora disse ainda que as críticas do presidente extrapolaram o debate sobre o banco e se converteram em “ofensas pessoais” e “agressões a uma governadora mulher”.

O que Lula disse em Ceilândia

As declarações que motivaram a reação foram feitas em 16 de setembro, durante ato em Ceilândia. Na ocasião, Lula afirmou que o governo federal não vai dar dinheiro para socorrer o banco do Distrito Federal e chamou Celina Leão de “cínica e mentirosa”.

O Poder360 procurou o Palácio do Planalto para comentar o anúncio da governadora. Não houve resposta até a publicação da reportagem que trouxe o caso.

Por que a CVM entra na disputa

A Comissão de Valores Mobiliários é a autarquia federal que fiscaliza o mercado de capitais brasileiro. O BRB é companhia aberta, com ações negociadas na B3, e por isso está sujeito às regras de divulgação de informação que a autarquia aplica a qualquer empresa listada. É nesse ponto que o governo do DF pretende ancorar a representação.

A tese do GDF é a de que declaração de autoridade com poder de decisão sobre o socorro financeiro ao banco produz efeito sobre o preço do papel e sobre a confiança de depositantes e investidores. A avaliação de se há ou não infração cabe à própria CVM, que pode abrir processo administrativo, arquivar a representação ou pedir esclarecimentos às partes.

O pano de fundo: R$ 6,6 bilhões

A crise que levou à troca de acusações tem origem nas perdas do BRB com ativos comprados do Banco Master. O banco distrital busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões com aval federal para atravessar o rombo, operação que vem sendo discutida entre o GDF, o Banco Central, o Fundo Garantidor de Créditos e o Supremo Tribunal Federal.

  • O BRB busca R$ 6,6 bilhões em socorro, com garantia da União.
  • A origem do problema está nas carteiras adquiridas do Banco Master.
  • Uma audiência de conciliação no STF, em agosto, terminou sem acordo.
  • O banco afastou cinco funcionários ligados à compra das carteiras.
  • Acionistas aprovaram medidas de responsabilização contra ex-gestores.

A disputa ocorre a 15 dias do primeiro turno das eleições, com Celina Leão como candidata à reeleição ao governo do Distrito Federal. O BRB entrou na campanha como tema central, o que explica por que o assunto migrou do debate técnico para o palanque nos dois lados.

No dia anterior ao anúncio da governadora, entidades empresariais do Distrito Federal já haviam se posicionado. O setor produtivo local lançou manifesto em defesa do BRB, assinado por Ademi-DF, Fecomércio-DF e Sinduscon-DF, entre outras associações.

Quais são os próximos passos

O GDF ainda não informou a data em que a representação será protocolada nem quais documentos vão instruir o pedido. Depois de recebida, a CVM analisa se o caso se enquadra em sua competência antes de decidir pela abertura de apuração. O rito é administrativo e não tem prazo fixo.

Em paralelo, segue em curso a negociação sobre o empréstimo de R$ 6,6 bilhões, que depende de aval do governo federal e de definição sobre as contragarantias exigidas pelos bancos que participariam da operação. É esse desfecho, e não a representação na CVM, que determina o cenário do banco no curto prazo.

Perguntas frequentes

O que Celina Leão anunciou sobre a CVM?

Que o governo do DF vai apresentar representação na Comissão de Valores Mobiliários contra o presidente Lula por causa das declarações dele sobre a crise do BRB.

O que Lula disse sobre o BRB?

Em ato em Ceilândia, no dia 16 de setembro, Lula afirmou que o governo federal não vai dar dinheiro para socorrer o banco e chamou a governadora de cínica e mentirosa.

Qual o valor do socorro discutido para o BRB?

R$ 6,6 bilhões, em operação de empréstimo com aval federal, motivada pelas perdas com ativos comprados do Banco Master.

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