Cinco entidades do setor produtivo do Distrito Federal divulgaram um manifesto conjunto em defesa do Banco de Brasília, publicado na noite de quarta-feira, 16 de setembro, segundo o Jornal de Brasília. O documento pede que as decisões sobre o banco sejam tomadas por critério técnico e fora da disputa partidária, e foi publicado depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar, em evento na Ceilândia, que o governo federal não dará dinheiro ao BRB.
Assinam a nota a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi), a Associação Brasileira de Empreiteiros de Obras Públicas (Asbraco), o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico (Codese), a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-DF) e o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-DF).
O que o manifesto pede
O texto é curto e trabalha três ideias. A primeira é a de que o impasse se resolve pelo diálogo entre as esferas de governo. As entidades citam a importância “do diálogo institucional e da cooperação harmoniosa em torno do BRB e do desenvolvimento da capital do país”.
A segunda reconhece que há irregularidades a apurar. As signatárias afirmam que a “recuperação da instituição demanda rigor técnico e apuração responsável por parte das autoridades competentes perante eventuais irregularidades”. Não é um pedido de trégua nas investigações.
A terceira é um compromisso de participação. As entidades dizem que vão “colaborar ativamente” para o restabelecimento da solidez do banco, “convictos de que a estabilidade do BRB é de interesse direto da força de trabalho, do setor produtivo, das famílias e de toda economia do Distrito Federal”.
“A estabilidade do BRB é de interesse direto da força de trabalho, do setor produtivo, das famílias e de toda economia do Distrito Federal”, diz o manifesto assinado pelas cinco entidades.
O contexto: a fala de Lula e a resposta do GDF
O manifesto veio depois de declarações do presidente da República em ato com apoiadores na Ceilândia. Lula atribuiu a crise do banco à gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e à relação com o Banco Master. “Quem quebrou o BRB foi a ligação entre o Ibaneis e o Vorcaro do Banco Master, mas nós não vamos deixar de pagar o Bolsa Família, não vamos dar dinheiro para o BRB”, disse.
A governadora Celina Leão (PP) respondeu nas redes sociais e acusou o presidente de tratar o tema de forma partidária. O Palácio do Buriti sustenta que a recomposição do banco é operação técnica e que o GDF já cumpriu os trâmites de sua parte, incluindo a autorização legislativa para o empréstimo de até R$ 6,6 bilhões aprovada pela Câmara Legislativa.
Por que o setor privado entrou na conversa
As cinco entidades representam os segmentos mais expostos ao crédito do banco público local: construção civil, mercado imobiliário, obras públicas e comércio e serviços. O BRB é operador de linhas de crédito imobiliário e de capital de giro para pequenas e médias empresas do DF, e é o banco onde o GDF movimenta folha e programas sociais.
A leitura do setor é direta: uma solução que demore atinge crédito, contrato e emprego antes de atingir qualquer palanque. A economia do DF depende do banco em pontos concretos, como o financiamento de obra residencial e o giro do comércio no fim do ano. Os detalhes do impasse foram detalhados quando a governadora buscou investidores dos Emirados Árabes para aportar no banco.
Próximos passos
A negociação do aporte de R$ 6,6 bilhões segue em curso, com o Fundo Garantidor de Créditos, a Advocacia-Geral da União e bancos privados discutindo contragarantias. Não há prazo fixado para a conclusão. Em paralelo, a Polícia Federal mantém o inquérito sobre a compra de carteiras do Banco Master, e o BRB já autorizou ações judiciais contra ex-dirigentes.








