Academia do DF terá de pagar R$ 2 mil a aluno que cortou o dedo em suporte de anilhas sem proteção
3ª Turma Recursal manteve a condenação da Bluefit. Fotos mostraram a ponta metálica exposta, e o tribunal aplicou o Código de Defesa do Consumidor, que dispensa prova de culpa.

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A Bluefit Brasília Academias de Ginástica foi condenada a pagar R$ 2 mil por danos morais a um aluno que cortou o dedo na ponta metálica de um suporte de anilhas. A 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do DF manteve a sentença, segundo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).
O cliente contou que se feriu ao encostar na extremidade do suporte, que estava sem a proteção de ponta. Ele também reclamou do atendimento que recebeu da academia depois do acidente.
Academia responde por acidente com aparelho mesmo sem culpa?
Sim, segundo o entendimento aplicado neste caso. A Turma usou o Código de Defesa do Consumidor (CDC), pelo qual o fornecedor responde pelos danos causados por defeito no serviço independentemente de ter tido culpa. Basta ficar demonstrado o defeito, o dano e a ligação entre os dois.
No recurso, a academia pediu perícia técnica para avaliar o risco do equipamento, disse que a culpa era só do aluno e, se nada disso fosse aceito, pediu a redução do valor. Os três pedidos foram negados.
- Perícia: as fotos apresentadas pelos dois lados já mostravam a ponta de metal exposta, o que tornou a perícia desnecessária.
- Padrão do fabricante: a empresa não provou que o aparelho estava no padrão de fábrica. E, mesmo que estivesse, o ponto central era a segurança oferecida a quem treina.
- Culpa do aluno: a academia não juntou imagens do acidente nem provou que o cliente agiu sozinho para se machucar.
Para o colegiado, a "lesão física, acompanhada de sangramento e associada à deficiência da assistência prestada, ultrapassa os meros dissabores cotidianos e configura dano moral indenizável por violação ao direito da personalidade".
Por que o valor ficou em R$ 2 mil
A Turma considerou a quantia adequada e proporcional. O corte teve extensão limitada, e não houve prova de sequela nem de tratamento médico prolongado. Em casos com lesão mais grave ou afastamento do trabalho, o valor tende a ser maior.
Machucou na academia? O que fazer
- Peça atendimento imediato e registre quem prestou o socorro.
- Fotografe o aparelho e o ponto exato onde ocorreu o ferimento, de preferência no mesmo dia.
- Guarde comprovantes de atendimento médico, receitas e gastos com remédio.
- Comunique a academia por escrito, por e-mail ou aplicativo, para ficar com prova da reclamação.
- Se não houver acordo, procure o Procon-DF ou o Juizado Especial Cível. Causas de até 20 salários mínimos não exigem advogado.
As Turmas Recursais do DF vêm decidindo vários casos de consumo do dia a dia, como o que anulou a renovação automática de curso online. Para quem paga academia, está em discussão no Congresso a proposta que permite deduzir a mensalidade no Imposto de Renda.
O processo tem o número 0730287-74.2026.8.07.0016 e pode ser consultado no PJe do TJDFT.
Fonte: Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).





