Arruda contesta avaliação das contas do GDF e diz que nota do Tesouro é C

agosto 10, 2026
Fachada do Palácio do Buriti, sede do GDF, iluminada em verde durante a noite

O ex-governador José Roberto Arruda contestou em 8 de agosto a avaliação divulgada pelo Governo do Distrito Federal sobre as contas públicas e afirmou que a classificação oficial do DF no Tesouro Nacional é “C”. A manifestação veio um dia depois de o GDF anunciar reversão do déficit e projeção de superávit para 2026.

A divergência gira em torno da Capag, a Capacidade de Pagamento calculada pelo Tesouro Nacional. A nota funciona como condição para que estados e o DF obtenham aval da União em operações de crédito, e combina três indicadores: endividamento, poupança corrente e liquidez.

“Agora, isso não vai esconder a verdade sobre o rombo do GDF. A verdadeira nota está lá no site do Tesouro Nacional. A nota é a pior possível, C”, afirmou Arruda.

O que o GDF anunciou

Em 7 de agosto, a governadora Celina Leão e o secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, apresentaram o balanço do primeiro semestre. O governo informou ter revertido o déficit encontrado no início do ano e projetou fechar 2026 no azul.

Os números apresentados pelo Executivo local foram estes:

  • déficit de cerca de R$ 5 bilhões identificado em março de 2026, com R$ 5,4 bilhões em problemas fiscais mapeados;
  • projeção central de superávit de R$ 3 bilhões ao fim do exercício, com possibilidade de chegar a R$ 5 bilhões;
  • mudança da Capag de C para A, segundo a Secretaria de Economia.

“Hoje, nossa projeção é trocar um déficit de R$ 6 bilhões por um superávit de R$ 3 bilhões”, disse o secretário de Economia, Valdivino de Oliveira.

A crítica do ex-governador

Arruda sustenta que a nota apresentada pelo governo não corresponde à classificação oficial. Ele usou uma analogia para descrever o que considera uma autoavaliação.

“Quem define a nota é o professor, não o aluno. O atual governo foi um mau aluno, tirou nota baixa, foi reprovado”, declarou. “Criaram, não sei se com inteligência artificial, um tal ‘A provisório’, que nem existe.”

O ex-governador também acusou a gestão de postergar pagamentos em vez de cortar despesas. “Na verdade, não cortaram gasto nenhum, apenas não fizeram os pagamentos que deviam e isso tem nome: pedalada”, afirmou. Em outra passagem, comparou a situação ao período do governo Dilma Rousseff e disse que a conta apareceria depois da eleição.

Por que as duas versões podem coexistir

O ponto que explica boa parte da divergência é o calendário do Tesouro. As classificações vigentes hoje foram calculadas com base em exercícios anteriores, e a atualização segue um ciclo anual.

Novas notas de estados e do DF são divulgadas em outubro, calculadas sobre as contas de 2025. Já o resultado de 2026, que é a base do balanço apresentado pelo GDF, só entra oficialmente na Capag de 2027, divulgada no ano seguinte.

Na prática, isso significa que a nota publicada no site do Tesouro reflete um período fechado, enquanto o número apresentado pelo governo local é projeção de um exercício em curso. Os dois se referem a recortes de tempo diferentes.

Como a nota é montada

A Capag combina os três indicadores em uma nota única, que vai de A a D. O endividamento mede a relação entre dívida consolidada e receita corrente líquida. A poupança corrente compara despesas correntes com receitas correntes, e indica se o ente gasta mais do que arrecada no custeio. A liquidez avalia se há caixa disponível para honrar obrigações de curto prazo.

Basta um dos indicadores em faixa ruim para puxar a nota final para baixo, o que explica por que a classificação costuma demorar a mudar mesmo quando um dos componentes melhora.

O que a disputa afeta

A Capag não é um indicador simbólico. Estados e o DF com nota A ou B conseguem aval da União para contratar crédito com garantia federal, o que barateia o custo do financiamento. Com nota C ou D, o acesso fica restrito.

O tema ganhou peso no debate local porque o GDF trabalha com uma operação de crédito de R$ 6,6 bilhões voltada ao BRB, discussão que envolve União, Banco Central e Fundo Garantidor de Créditos. É justamente em operações com aval federal que a nota do Tesouro pesa.

Arruda governou o DF entre 2007 e 2010 e hoje se manifesta sobre a gestão local pelas redes sociais. As declarações desta semana foram feitas em vídeo publicado em 8 de agosto.

A confirmação de qual lado está com a razão sobre a nota depende da divulgação oficial do Tesouro Nacional, prevista para outubro.

Leia também: GDF projeta superávit de R$ 3 bilhões e diz que Capag passou de C para A.

Perguntas frequentes

O que é a Capag?

É a Capacidade de Pagamento calculada pelo Tesouro Nacional. A nota vai de A a D e combina três indicadores: endividamento, poupança corrente e liquidez. Ela condiciona o aval da União em operações de crédito de estados e do DF.

Qual é a nota do DF no Tesouro Nacional?

A classificação publicada pelo Tesouro reflete exercícios já encerrados. As novas notas de estados e do DF são divulgadas em outubro, calculadas sobre as contas de 2025. O resultado de 2026 só entra na Capag de 2027.

O que o GDF anunciou sobre as contas de 2026?

Em 7 de agosto, a governadora Celina Leão e o secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, informaram reversão do déficit identificado em março e projeção de superávit de R$ 3 bilhões, podendo chegar a R$ 5 bilhões.

Por que a nota da Capag importa?

Entes com nota A ou B obtêm aval da União para contratar crédito com garantia federal, o que reduz o custo do financiamento. Com nota C ou D, o acesso fica restrito.

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