Grass propõe Tarifa Zero e diz que Brasília precisa entrar nos trilhos

agosto 10, 2026
Trilhos ferroviários com dormentes de concreto e lastro de brita em imagem preto e branco

O candidato do PT ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass, defendeu no debate da Band realizado no domingo (9/8), no Teatro do Sesc de Ceilândia, a adoção da Tarifa Zero no transporte público e a expansão da malha sobre trilhos na capital. “A gente tem que colocar Brasília nos trilhos”, afirmou, ao responder a um morador de Samambaia Sul que perguntou sobre o tempo gasto no deslocamento diário.

A crítica ao sistema atual foi direta. “Hoje o DF é um dos piores sistemas de transporte do mundo”, disse o candidato, que atribuiu o gargalo ao desenho urbano da capital. “Brasília ainda está presa às rodovias”, afirmou. Ele acrescentou que ampliar pista não resolve: “não adianta alargarmos a pista e daqui a pouco engarrafar de novo”.

O que ele propôs

O pacote apresentado no debate combina gratuidade, expansão de trilhos e reorganização das linhas dentro das regiões administrativas. Grass afirmou que o modelo atual obriga o morador a atravessar a cidade mesmo em trajetos curtos, porque a rede é radial e converge para o Plano Piloto.

  • Tarifa Zero no transporte público do DF
  • VLT conectando as principais vias da capital
  • Duas novas estações de metrô em Samambaia
  • Linhas circulares dentro de cada região administrativa
  • Nova licitação do sistema de ônibus
  • Trilhos até o Entorno, ligando Luziânia e Valparaíso à Rodoferroviária

“A gente pode ter um Veículo Leve sobre Trilhos conectando as principais vias”, disse o candidato ao detalhar a proposta de VLT. Sobre o Entorno, ele defendeu a ligação ferroviária com as cidades goianas que despejam trabalhadores no DF todos os dias, um fluxo pendular que hoje se resolve por rodovia.

A conta do tempo

O número que Grass usou para dimensionar o problema veio de Planaltina: segundo ele, moradores do Arapoanga gastam em média duas horas por dia em deslocamento. É o retrato do que ele chamou de cidade dependente do eixo rodoviário, com emprego concentrado no centro e moradia empurrada para a borda.

“Sua preocupação é a preocupação de todo o povo do DF, que hoje fica na fila do trânsito”, respondeu ao eleitor de Samambaia Sul. O candidato também citou a participação federal no financiamento da expansão: “O presidente Lula, através do Novo PAC e do financiamento do BNDES, está ampliando o metrô”.

O tamanho do desafio

O metrô do DF opera com duas linhas que partem da Estação Central, no Plano Piloto, e se dividem em direção a Samambaia e Ceilândia. A rede cobre uma fatia estreita do território e deixa de fora regiões populosas como Planaltina, Sobradinho, São Sebastião, Paranoá e Recanto das Emas, todas atendidas apenas por ônibus.

A Tarifa Zero, por sua vez, transfere para o orçamento público o custo hoje bancado pela catraca. Cidades brasileiras que adotaram o modelo cobrem a conta com receita tributária própria ou com contribuição de setores beneficiados pelo transporte. No DF, o sistema já opera com subsídio, o que muda a discussão de “se paga” para “quanto a mais custa”.

Onde a proposta encontra obra em andamento

A expansão do metrô citada pelo candidato tem financiamento em curso. O programa federal de investimentos e as linhas de crédito do BNDES são as fontes que hoje bancam obras de mobilidade urbana em capitais brasileiras, e a extensão da rede em Samambaia é o trecho mais avançado no DF. Duas estações novas na região atenderiam um dos corredores de maior demanda por transporte coletivo da capital.

Já o VLT e a ligação ferroviária com o Entorno são projetos de prazo mais longo. Ambos exigem estudo de viabilidade, desapropriação de faixa de domínio e licenciamento ambiental antes de qualquer ordem de serviço, etapas que costumam consumir mais tempo que a obra em si. Nenhum dos dois tem contrato assinado.

O primeiro debate da disputa

O encontro da Band reuniu Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB). Foi o primeiro debate televisionado da corrida pelo Buriti em 2026. Mobilidade, saneamento, filas na saúde, indicadores de educação e a situação do BRB dominaram os blocos, como o SouBrasília mostrou.

A sabatina do Correio Braziliense com os candidatos ao GDF acontece nesta terça-feira (11/8), às 8h, no auditório da sede do jornal. O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão começa no fim de agosto.

Perguntas frequentes

O que Leandro Grass propôs para o transporte do DF?

Tarifa Zero, VLT ligando as principais vias, duas novas estações de metrô em Samambaia, linhas circulares dentro das regiões administrativas, nova licitação dos ônibus e trilhos até Luziânia e Valparaíso.

Por qual partido Grass disputa o GDF?

Pelo PT, à frente da federação formada com PV e PCdoB.

Onde e quando foi o debate?

No Teatro do Sesc de Ceilândia, no domingo (9/8), promovido pela Band, com os seis candidatos ao Governo do Distrito Federal.

Quantas linhas de metrô o DF tem hoje?

Duas, partindo da Estação Central, no Plano Piloto, com ramais para Samambaia e Ceilândia.

O que é Tarifa Zero?

Modelo em que o passageiro não paga na catraca e o custo do sistema é bancado integralmente pelo orçamento público ou por contribuições de setores beneficiados.

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