A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta sexta-feira, 18, que adotaria a tarifa zero no transporte público de forma gradual, começando pelas pessoas em situação de vulnerabilidade inscritas no Cadastro Único. A declaração foi dada em fórum promovido pelo grupo O Globo, pelo Valor Econômico e pela CBN, no estúdio da rádio na Asa Sul.
Celina disse que a universalização imediata não é viável e defendeu a implantação por incrementos, a partir do público de menor renda. Ela também avaliou que o orçamento atual do sistema comportaria a mudança.
Não posso do dia pra noite colocar o tarifa zero para todo mundo. Precisamos fazer isso por incremento, primeiro o CadÚnico.
A conta que a governadora apresentou
No mesmo fórum, Celina afirmou que o valor hoje destinado ao transporte público do DF chega a quase R$ 2 bilhões e que essa quantia seria suficiente para bancar um sistema gratuito e de qualidade.
Tenho certeza que com o valor que gasto hoje com o transporte público, que chega a quase R$ 2 bilhões, consigo manter um transporte público de qualidade e gratuito.
Segundo o Correio Braziliense, que também acompanhou o fórum, a proposta de tarifa zero gradual foi apresentada em um horizonte de quatro anos, associada a um plano de R$ 29 bilhões em dez anos para a expansão do metrô e do VLT. O SouBrasília publicou nesta semana o detalhamento desse projeto de 120 km de novos trilhos.
Quem está no CadÚnico no DF
O Cadastro Único é a base federal que reúne as famílias de baixa renda e serve de porta de entrada para programas como o Bolsa Família, a Tarifa Social de energia e o Gás do Povo. O critério principal é a renda familiar mensal de até meio salário mínimo por pessoa, ou de até três salários mínimos no total.
No Distrito Federal, o cadastro e a atualização são feitos nos Centros de Referência de Assistência Social, os CRAS, e pelos canais da Secretaria de Desenvolvimento Social. Recortar a gratuidade por esse cadastro significa condicionar o benefício a uma inscrição que já existe e que é revisada periodicamente, o que reduz a necessidade de criar um novo controle.
O que já é gratuito hoje
O sistema do DF já opera com gratuidades e descontos definidos em lei, entre eles:
- Estudantes da rede pública, pelo Passe Livre Estudantil;
- Pessoas com mais de 65 anos, por determinação constitucional;
- Pessoas com deficiência e seus acompanhantes, conforme os critérios da legislação distrital;
- O programa que zera a tarifa aos domingos, citado pela governadora como experiência já em curso.
Sobre esse último ponto, Celina disse que a medida teve efeito no comércio: “O programa trouxe algo diferente para nós no comércio. Nós aumentamos a arrecadação no domingo porque, antes, a pessoa que não tinha condição de sair de casa agora pode sair”, afirmou.
O debate na campanha
A tarifa zero entrou na disputa pelo governo do DF em 2026 e aparece, com desenhos diferentes, nas propostas de mais de um candidato. O ponto em discussão não é a gratuidade em si, mas o alcance e a fonte de custeio: se universal ou por recorte de renda, e se financiada pelo orçamento atual do sistema ou por nova receita.
A votação está marcada para 4 de outubro. Até lá, os candidatos ao GDF seguem em agenda de debates e sabatinas promovidas por veículos de imprensa do Distrito Federal e de alcance nacional.
Perguntas frequentes
O que Celina Leão propôs sobre tarifa zero?
Implantar a gratuidade de forma gradual, por etapas, começando pelas pessoas inscritas no CadÚnico, em vez de universalizar o benefício de imediato.
Quanto o DF gasta hoje com transporte público?
Segundo a governadora, o valor chega a quase R$ 2 bilhões. Ela afirmou que essa quantia seria suficiente para manter um sistema gratuito e de qualidade.
Quem pode se inscrever no CadÚnico?
Famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa, ou de até três salários mínimos no total. No DF, a inscrição e a atualização são feitas nos CRAS.






