O candidato ao Governo do Distrito Federal pelo PSB, Ricardo Cappelli, afirmou que o PT “impôs” um candidato para disputar o Palácio do Buriti e “não abriu mão” da posição. A declaração foi dada em 7 de agosto, durante evento da Amcham Brasil, em Brasília.
A fala encerra na prática a tentativa de construir uma candidatura única da esquerda no DF. O PSB oficializou Cappelli em convenção e chegou a oferecer a vaga de vice a Leandro Grass, do PT. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, seguiu caminho próprio e confirmou Grass como candidato ao GDF, com Dora Gomes (PV-DF) de vice.
“Nós lutamos muito para construir uma unidade no campo. Não foi possível. Respeito a posição do PT, mas acho que é um erro, porque o PT, desde o início, impôs e não abriu mão”, disse Cappelli.
Apesar da avaliação, ele não fechou a porta para uma composição futura. “Vamos separados no primeiro turno, quem sabe no segundo podemos estar juntos”, afirmou.
O que a divisão significa na prática
A definição confirma que PT e PSB disputam separados o primeiro turno no DF. Havia expectativa de acordo entre as legendas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin, mas a negociação não avançou.
Com as duas candidaturas na disputa, o campo à esquerda entra fragmentado em uma eleição que já tem a governadora Celina Leão buscando a permanência no Buriti, além de outros nomes lançados por partidos de centro e de direita.
A hipótese de reaproximação levantada por Cappelli depende de um segundo turno e de qual dos dois chegar lá. Enquanto isso não se resolve, cada campanha corre com estrutura, tempo de rádio e TV e fundo eleitoral próprios.
Há ainda um efeito sobre a disputa ao Senado e à Câmara Legislativa. Chapas separadas significam palanques distintos, e cada legenda passa a puxar votos para os próprios candidatos proporcionais em vez de concentrar esforço em uma nominata comum.
Mobilidade foi o tema central da fala na Amcham
No mesmo encontro, Cappelli apresentou propostas para o transporte no DF e fez uma crítica ao desenho urbano da capital.
“É uma cidade sanfona. Todo mundo sai e vem trabalhar no centro. O primeiro desafio não está relacionado ao transporte, mas a criar outros polos de desenvolvimento na cidade”, afirmou.
Sobre o metrô, ele defendeu a ampliação da malha para regiões hoje sem atendimento. “Não há explicação para não ter metrô para o Gama, Santa Maria, Recanto das Emas, Asa Norte. Poderia se esticar em um consórcio com Goiás para cidades do Entorno”, completou.
A extensão para o Entorno esbarra em um obstáculo conhecido: a operação envolveria dois entes federativos, com repartição de custo e de gestão a definir. Nenhum consórcio nesse formato foi assinado até agora.
A proposta de consórcio com Goiás para o Entorno também depende de definição sobre quem paga a tarifa social e quem responde pela manutenção da linha, itens que costumam travar acordos interestaduais de transporte.
Economia e o histórico do candidato
Questionado sobre desenvolvimento econômico, Cappelli defendeu a aposta em inovação, bioeconomia e tecnologia da informação. “Temos tudo para atrair investimentos. Mas, para isso, é preciso ter projeto. A área da tecnologia e da informação não pode mais ser tratado como algo secundário”, disse.
Nascido no Rio de Janeiro e formado em jornalismo, Cappelli foi nomeado interventor federal na Segurança Pública do DF em 2023, após os atos de 8 de Janeiro. Depois disso, atuou como secretário executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública e presidiu a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), cargo que deixou neste ano para disputar a eleição.
Próximos passos do calendário
As convenções partidárias já definiram a maior parte das chapas ao GDF, e o registro de candidaturas na Justiça Eleitoral fecha o quadro nas próximas semanas. Só a partir daí a lista de concorrentes se torna oficial.
Do lado do PT, a posição pública é a que a federação registrou em convenção: Grass foi confirmado como candidato ao GDF, com vice do PV, sem abrir a cabeça de chapa para a composição pretendida pelo PSB. Não houve manifestação do partido especificamente sobre a declaração de Cappelli.
Leia também: Debate da Band reúne seis candidatos ao GDF no Teatro Sesc de Ceilândia.
Perguntas frequentes
Quem é o candidato do PSB ao GDF em 2026?
Ricardo Cappelli, oficializado em convenção do PSB. Ele foi interventor federal na Segurança Pública do DF em 2023 e presidiu a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial até este ano.
Quem o PT lançou ao governo do Distrito Federal?
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, confirmou Leandro Grass como candidato ao GDF, com Dora Gomes (PV-DF) como vice.
PT e PSB podem se unir no segundo turno no DF?
Cappelli não descartou. Ele afirmou que os partidos vão separados no primeiro turno e que uma composição no segundo turno é possível, sem que haja acordo firmado até o momento.








