GDF projeta superávit de R$ 3 bilhões e recupera nota A de pagamento

agosto 7, 2026
Palácio do Buriti e o Anexo, sede do Governo do Distrito Federal, vistos da Praça do Buriti florida

O Governo do Distrito Federal apresentou nesta sexta-feira, 7 de agosto, no Palácio do Buriti, o balanço das contas do primeiro semestre e projetou fechar 2026 com superávit de R$ 3 bilhões. O número pode chegar a R$ 5 bilhões, segundo a Secretaria de Economia.

A apresentação foi feita pela governadora Celina Leão e pelo secretário de Economia, Valdivino de Oliveira. O ponto central do balanço é a recuperação da Capag, a nota que mede a capacidade de pagamento dos estados e do DF junto ao Tesouro Nacional. A classificação saiu de C para A.

“Hoje, nossa projeção é trocar um déficit de R$ 6 bilhões por um superávit de R$ 3 bilhões”, afirmou o secretário de Economia, Valdivino de Oliveira.

O que mudou na nota do Tesouro

A Capag classifica os entes federativos de A a D e funciona como condição para obter aval da União em operações de crédito. Com nota C no primeiro semestre, o DF ficou impedido de receber a garantia federal para o empréstimo de R$ 6,6 bilhões destinado ao Banco de Brasília. A mudança para A recoloca o governo local na faixa que permite pedir aval em novas operações.

O socorro ao BRB segue em discussão no Supremo Tribunal Federal. O ministro Luiz Fux marcou audiência para 13 de agosto para tratar do impasse do empréstimo com o Fundo Garantidor de Créditos.

A herança apontada pelo governo

Segundo o balanço, ao assumir o governo em março, após a renúncia de Ibaneis Rocha, a atual gestão encontrou um déficit próximo de R$ 5 bilhões e pagamentos atrasados. A Secretaria de Economia informou ter identificado R$ 5,4 bilhões em problemas fiscais, dos quais entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões correspondiam a despesas já contratadas sem previsão orçamentária nas áreas de saúde, educação e saneamento.

O transporte público foi apresentado como o caso mais visível do desequilíbrio: o subsídio ao sistema consumia R$ 2,2 bilhões por ano, enquanto o orçamento reservado para a rubrica era de R$ 1,1 bilhão. A diferença de R$ 1,1 bilhão precisava ser coberta ao longo do exercício.

As medidas do ajuste

O reequilíbrio foi organizado em duas frentes, controle de gastos e reforço da arrecadação, com regras que retiraram autonomia das pastas para contratar sem passar pela Economia. Entre os instrumentos citados no balanço estão:

  • Decretos 48.509 e 48.549, que centralizaram a autorização orçamentária;
  • Portaria 363, com regras de execução para os órgãos;
  • Teto de 85% da receita para despesas de custeio;
  • Piso de 10% para investimento;
  • Renegociação e reprogramação de contratos herdados sem cobertura orçamentária.

Na prática, nenhuma secretaria assume compromisso novo sem autorização central, e cada contrato precisa mostrar de onde sai o dinheiro antes de ser assinado. O modelo reduz a liberdade de cada pasta, mas foi apontado pelo governo como o fator que permitiu virar o resultado em cinco meses.

O que vem pela frente

A projeção de superávit é para o fechamento do exercício, em dezembro, e depende da manutenção do ritmo de arrecadação no segundo semestre. Também pesa a execução do orçamento de fim de ano, período em que despesas de saúde e educação costumam crescer.

A nota A no Tesouro tem efeito prático imediato para o brasiliense: é ela que destrava financiamentos com aval da União para obras de infraestrutura, saneamento e mobilidade. Sem a classificação, os projetos que dependem de crédito externo ou de repasse federal ficam parados na fila.

O balanço completo do primeiro semestre fica disponível nos canais oficiais da Secretaria de Economia do Distrito Federal.

Como o Tesouro calcula a nota

A Capag combina três indicadores para chegar à letra final. O primeiro é o endividamento, medido pela relação entre a dívida consolidada e a receita corrente líquida. O segundo é a poupança corrente, que compara despesas correntes e receitas correntes ajustadas e mostra se o governo consegue gerar sobra para investir. O terceiro é a liquidez, que verifica se há disponibilidade de caixa suficiente para cobrir as obrigações de curto prazo.

Um ente só alcança a nota A quando os três indicadores ficam na faixa mais favorável ao mesmo tempo. É por isso que a mudança de C para A depende menos de uma receita extraordinária e mais do conjunto: menos despesa contratada fora do orçamento, mais caixa disponível e dívida sob controle em relação à arrecadação.

O efeito prático para quem mora no DF

A nota funciona como uma espécie de cadastro do governo local no sistema financeiro. Com Capag A, o DF volta a poder pedir aval da União para financiamentos com bancos públicos e organismos multilaterais, linhas que costumam bancar obras de saneamento, mobilidade e infraestrutura urbana.

Sem a classificação, esses projetos ficam presos ao orçamento anual, disputando espaço com custeio de saúde e educação. O ajuste também alcança o dia a dia da máquina: com teto de custeio e centralização das autorizações, contratos de manutenção, locação e serviços passam a depender de análise prévia da Secretaria de Economia.

O segundo semestre vai testar o modelo. É quando entram em jogo o pagamento do décimo terceiro do funcionalismo, o reforço em programas sociais e a execução de obras iniciadas no primeiro semestre.

Perguntas frequentes

Qual superávit o GDF projeta para 2026?

O governo projeta fechar o ano com superávit de R$ 3 bilhões, com possibilidade de chegar a R$ 5 bilhões, segundo a Secretaria de Economia.

O que é a Capag e por que ela mudou?

A Capag é a nota de capacidade de pagamento avaliada pelo Tesouro Nacional. A do DF passou de C para A após o ajuste fiscal feito nos últimos meses.

Qual era a situação das contas em março de 2026?

Segundo o balanço apresentado pelo GDF, havia déficit próximo de R$ 5 bilhões, pagamentos atrasados e R$ 5,4 bilhões em problemas fiscais identificados.

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