O Banco Central divulga nesta terça-feira (22) a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. O documento é a peça que explica, parágrafo a parágrafo, por que o comitê decidiu cortar de novo.
A decisão saiu em 16 de setembro, ao fim da 281ª reunião do colegiado, e foi unânime entre os sete membros com direito a voto. Foi o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual, uma sequência que começou em abril e derrubou a taxa básica de 14,75% para o patamar atual.
Enquanto o comunicado da decisão cabe em pouco mais de uma página, a ata costuma trazer o balanço de riscos, a leitura do comitê sobre atividade e emprego e as condições que o Banco Central considera para seguir ou parar. É por isso que o mercado de juros costuma reagir mais à ata do que ao próprio anúncio.
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O que o Copom já disse no comunicado
No texto divulgado na noite da decisão, o comitê registrou que o processo de desinflação avançou, sem declarar vitória. O trecho central diz:
“A inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta.”
O comunicado também apontou moderação gradual da atividade econômica, com efeito mais visível nos setores mais sensíveis a juros, e um mercado de trabalho que continua aquecido. A projeção de inflação do próprio Banco Central para o primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante da política monetária, ficou em 3,2%.
Sobre o tamanho do ciclo de cortes, o comitê não se comprometeu com número nem com prazo. O comunicado condiciona os próximos passos às informações que chegarem até a reunião seguinte, e mantém o alerta de que os riscos para a inflação seguem elevados nas duas direções, com assimetria para cima.
Quem votou
A ata traz o nome dos integrantes que participaram da reunião. Votaram pelo corte:
- Gabriel Muricca Galípolo, presidente do Banco Central;
- Ailton de Aquino Santos;
- Gilneu Francisco Astolfi Vivan;
- Izabela Moreira Correa;
- Nilton José Schneider David;
- Paulo Picchetti;
- Rodrigo Alves Teixeira.
Não houve voto divergente, o que difere de reuniões de 2025, quando o comitê chegou a se dividir sobre o ritmo do aperto.
O que muda no bolso de quem mora em Brasília
A Selic é a referência que os bancos usam para precificar crédito. A queda de 1 ponto percentual acumulada desde abril chega ao consumidor com atraso e de forma desigual: aparece mais rápido no crédito com garantia, como consignado e financiamento de veículo, e mais devagar no rotativo do cartão e no cheque especial, onde o custo é dominado pela inadimplência.
Do outro lado, quem tem dinheiro aplicado em renda fixa atrelada ao CDI passa a receber menos. Com a Selic em 13,75%, a poupança continua rendendo 0,5% ao mês mais TR, regra que vale sempre que a taxa básica está acima de 8,5% ao ano, e segue perdendo para o Tesouro Selic e para os CDBs de liquidez diária.
Para quem tem financiamento imobiliário já contratado com taxa fixa, nada muda. A queda da Selic tende a afetar os contratos novos e as linhas com juros pós-fixados.
O que as projeções mostram
O comunicado do Copom registrou que as expectativas de inflação coletadas pelo Banco Central estavam em 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027. As duas seguem acima da meta contínua de 3%, que admite tolerância de 1,5 ponto para cima e para baixo.
É essa distância entre a expectativa e a meta que costuma aparecer na ata como justificativa para a cautela. O comitê tem repetido que o ciclo depende da chamada desancoragem, ou seja, do risco de o mercado passar a projetar inflação alta de forma persistente para prazos mais longos. Quando isso acontece, o Banco Central precisa de juro mais alto para produzir o mesmo efeito.
A ata também costuma indicar o que o comitê observa no câmbio, no preço das commodities e no cenário externo. Na reunião de setembro, o comunicado descreveu o ambiente internacional como incerto, sem detalhar quais fatores pesaram mais na avaliação. É justamente esse detalhamento que o documento de terça-feira deve trazer.
Quando a ata sai e onde ler
O Banco Central publica a ata na terça-feira da semana seguinte à reunião, sempre às 8h, no site da instituição. Até a tarde deste domingo (20), o repositório de atas do BC ainda trazia como mais recente a da 280ª reunião, de 4 e 5 de agosto, o que confirma que a ata do encontro de setembro ainda não havia sido publicada.
A versão em inglês costuma sair no mesmo dia. Junto com a ata, o mercado acompanha o Boletim Focus, divulgado toda segunda-feira com as projeções de instituições financeiras para inflação, Selic, câmbio e PIB.
Leia também: Selic hoje: Copom corta a taxa para 13,75% ao ano.
Perguntas frequentes
Que dia sai a ata do Copom de setembro de 2026?
Na terça-feira, 22 de setembro, seguindo o calendário do Banco Central, que publica a ata na terça-feira da semana seguinte à reunião. A decisão foi tomada em 16 de setembro.
Qual é a taxa Selic hoje?
A Selic está em 13,75% ao ano desde 16 de setembro de 2026, quando o Copom aprovou por unanimidade um corte de 0,25 ponto percentual.
Qual a diferença entre o comunicado e a ata do Copom?
O comunicado sai no mesmo dia da decisão e resume o que foi definido. A ata sai depois, com o detalhamento do debate, o balanço de riscos e a avaliação do comitê sobre atividade, emprego e inflação.
A poupança rende mais com a Selic a 13,75%?
Não muda. Enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais TR, regra que vale independentemente do tamanho do corte.








