O médico Caio Gracco, pré-candidato a deputado distrital pelo Avante, defendeu mudanças no modelo de gestão da saúde do Distrito Federal em entrevista ao Jornal de Brasília publicada em 6 de agosto. O alvo central da crítica é o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF), que administra o Hospital de Base e outras unidades da rede.
Cirurgião, Gracco construiu a carreira somando a prática médica à defesa da valorização de profissionais de saúde e do fortalecimento do SUS. Ele coloca a mudança do modelo de gestão como primeiro item da plataforma para a Câmara Legislativa.
“O Iges acabou se tornando um cabide de empregos. Dos últimos cinco presidentes, dois foram presos”, afirmou o pré-candidato na entrevista.
Ele acrescentou um argumento sobre a direção atual do instituto. “A maior prova de que o instituto virou caso de polícia é que o próprio governo colocou um delegado para presidi-lo”, disse.
A proposta: gestão técnica no lugar do modelo atual
Gracco não defende a extinção do instituto. A formulação que apresenta é outra. “O que precisamos é repensar o modelo e fazer uma gestão técnica e justa”, afirmou.
O IgesDF foi criado como serviço social autônomo para administrar unidades da rede pública com regras de contratação mais flexíveis que as da administração direta. A promessa era agilidade na compra de insumos e na reposição de pessoal. A crítica recorrente a esse desenho, retomada pelo pré-candidato, é que a flexibilidade acabou virando espaço para indicação política.
Os números que ele usa
Na mesma entrevista, o pré-candidato apresentou um conjunto de dados para descrever o tamanho do sistema e o que considera o déficit da rede:
- orçamento anual da saúde no DF de R$ 13 bilhões, para uma população de cerca de 3 milhões de habitantes;
- 580 equipes de Atenção Básica em atuação, contra 850 necessárias, uma diferença de 250 equipes;
- necessidade de 75 novas Unidades Básicas de Saúde;
- 13 UPAs em funcionamento, número que classifica como insuficiente;
- 18 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) na rede;
- alta de 200% nos afastamentos por transtornos mentais entre 2014 e 2025.
A Atenção Básica é a porta de entrada do SUS. Quando ela não absorve a demanda, o paciente migra para UPA e pronto-socorro, o que ajuda a explicar a fila nas unidades de urgência.
Residência médica e salários
A segunda frente da plataforma trata da remuneração. Gracco afirma que a carga horária formal do residente não corresponde à praticada.
“Hoje, teoricamente, o residente cumpre uma carga horária de 60 horas semanais. Digo ‘teoricamente’ porque, na prática, chega a 80 ou 100 horas”, declarou.
Segundo ele, a bolsa fica em cerca de R$ 3.600 líquidos, chegando a R$ 4.800 com auxílio-moradia, o que equivale a algo em torno de R$ 20 por hora. O DF tem cerca de 2 mil residentes, dentro de um total aproximado de 54 mil no país.
Sobre os efetivos da rede, o pré-candidato afirmou que um médico da Secretaria de Saúde com jornada de 20 horas semanais recebe cerca de R$ 7 mil brutos, e classificou o reajuste oferecido como insuficiente. “Um reajuste de 6% é quase pior do que nada”, disse.
Ele defende que a pauta não se restrinja à categoria médica, e cita enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas e técnicos como profissionais atingidos por defasagem salarial, ausência de plano de carreira e falta de insumos.
O outro lado
A entrevista não traz manifestação do IgesDF, da Secretaria de Saúde do DF ou do Palácio do Buriti sobre as afirmações do pré-candidato. As declarações reproduzidas aqui são dele, e o levantamento sobre presidentes do instituto não foi confirmado de forma independente por esta reportagem.
Em comunicação pública recente, o instituto afirma que todos os processos seletivos, treinamentos e demais serviços que oferece são gratuitos, transparentes e seguem critérios estabelecidos em edital. A manifestação foi divulgada em 7 de agosto, em alerta sobre golpistas que usam o nome do IgesDF para vender vagas inexistentes.
O GDF também divulgou no início de agosto o balanço fiscal do primeiro semestre, no qual projeta encerrar 2026 com superávit e informa melhora na capacidade de pagamento do Distrito Federal. O orçamento da saúde é a maior rubrica do governo local.
O que vem pela frente
A eleição para a Câmara Legislativa ocorre em outubro, junto com a disputa pelo Palácio do Buriti. A CLDF tem 24 cadeiras e é a Casa que aprova o orçamento da saúde no DF e fiscaliza os contratos do IgesDF.
As convenções partidárias e o registro de candidaturas definem nas próximas semanas quem de fato disputa a vaga. Até lá, as posições apresentadas seguem no campo da pré-campanha.
Leia também: GDF projeta superávit de R$ 3 bilhões e diz que Capag passou de C para A.
Perguntas frequentes
O que é o IgesDF?
O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal é um serviço social autônomo que administra unidades da rede pública do DF, entre elas o Hospital de Base, com regras de contratação mais flexíveis que as da administração direta.
O que Caio Gracco propõe para a saúde do DF?
Ele defende repensar o modelo de gestão do IgesDF e adotar o que chama de gestão técnica e justa, além de ampliar a Atenção Básica e corrigir a remuneração de residentes e servidores da saúde.
Quantas equipes de Atenção Básica faltam no DF, segundo o pré-candidato?
Segundo Caio Gracco, o DF tem 580 equipes em atuação e precisaria de 850, uma diferença de 250 equipes. Ele também aponta necessidade de 75 novas Unidades Básicas de Saúde.
Quando é a eleição para a Câmara Legislativa do DF?
A eleição para a CLDF ocorre em outubro de 2026, no mesmo pleito que define o governo do Distrito Federal. A Casa tem 24 cadeiras.








