Os Estados Unidos lançaram na quarta-feira (15) uma segunda onda de ataques contra o Irã, com foco em alvos militares ligados ao Estreito de Ormuz, e Teerã respondeu com um ataque à base americana de Sheikh Isa, no Bahrein.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), as operações começaram por volta das 17h (horário de Brasília) e miraram estruturas usadas pelo Irã para ameaçar navios na rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.
As ações têm como alvo “capacidades militares iranianas usadas para ameaçar embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz”, informou o Centcom em comunicado.
Agências de notícias iranianas, como Fars e Mehr, relataram explosões em Chabahar, Ahvaz, Rask, na província do Sistão, e nos arredores de Bandar Abbas, que abriga a principal base naval do país. O Ministério da Saúde iraniano afirma que os ataques americanos recentes nas províncias do sul mataram 35 pessoas e deixaram mais de 300 feridas.
A resposta veio no mesmo dia. De acordo com a agência Fars, forças iranianas atacaram a base militar de Sheikh Isa, no Bahrein, utilizada pelos Estados Unidos. Não havia balanço oficial de danos até a publicação desta matéria.
Escalada enterra a trégua costurada na Suíça
A nova rodada de bombardeios sepulta o alívio que durou boa parte de junho, quando o acordo entre EUA e Irã negociado na Suíça reabriu o tráfego em Ormuz e derrubou o petróleo para baixo de US$ 80. A trégua ruiu no início de julho, com novos ataques na região e a reimposição do bloqueio naval americano ao Irã.
O efeito sobre a navegação já aparece nos números: apenas sete embarcações cruzaram o Estreito de Ormuz na quarta-feira, primeiro dia completo após a volta do bloqueio, contra 13 no dia anterior, segundo dados de monitoramento marítimo citados pela imprensa internacional.
Teerã também ameaça ampliar o confronto para além de Ormuz. O governo iraniano sinalizou que pode acionar os aliados houthis, do Iêmen, para atingir rotas marítimas na região, o que colocaria em risco também o tráfego no Mar Vermelho.
Petróleo se aproxima de US$ 90 e pressiona o bolso
O barril do tipo Brent voltou a operar perto das máximas em mais de um mês com a escalada. Os principais números do mercado até esta sexta-feira (17):
- Na quarta (15), o Brent subiu entre 0,6% e 1,7% e foi negociado na faixa de US$ 85 a US$ 86 o barril;
- Na quinta (16), os contratos futuros para setembro fecharam a US$ 84,95;
- Analistas do setor estimam que, sem recuo das tensões, o Brent tem caminho aberto para romper os US$ 90 no curto prazo.
Para o consumidor brasileiro, o canal de transmissão é duplo: petróleo mais caro pressiona os preços de combustíveis e, ao mesmo tempo, alimenta a busca por proteção no câmbio. Quem quiser acompanhar o efeito da crise no dia a dia pode seguir a cotação do dólar, que reage rápido a esse tipo de choque externo.
O movimento atual inverte o cenário de poucas semanas atrás, quando o Brent chegou a cair para US$ 71 após a OPEP+ ampliar a produção, com expectativa de alívio nos preços da gasolina e do diesel no Brasil.
Crise se espalha para o campo diplomático
A tensão não se limita ao terreno militar. O governo iraniano convocou o embaixador britânico em Teerã depois que o Reino Unido enquadrou a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) em sua legislação de combate a ameaças de Estados estrangeiros, mais um sinal do isolamento crescente do regime.
Os próximos dias devem definir o tamanho da crise. Estão no radar a intensidade da resposta iraniana aos novos ataques, o volume de navios que conseguirá cruzar Ormuz sob bloqueio e a reação dos preços do petróleo na reabertura dos mercados. Qualquer novo capítulo tende a chegar rápido às bombas de combustível e ao câmbio no Brasil.







