A prévia da inflação oficial do país subiu 0,41% em junho, uma desaceleração de 0,21 ponto percentual ante a alta de 0,62% registrada em maio. O dado do IPCA-15, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), veio ligeiramente abaixo da expectativa do mercado, que projetava avanço de 0,44% no mês.
Com o resultado, o índice acumula alta de 3,45% no ano e de 4,8% em 12 meses. Esse patamar em um ano ficou acima dos 4,64% observados no período imediatamente anterior, o que mostra que a inflação segue rodando perto do teto da meta perseguida pelo Banco Central.
Dois grupos concentraram a maior parte da pressão sobre os preços em junho.
Alimentação e habitação puxam o índice
Os grupos Alimentação e Bebidas, com alta de 0,74%, e Habitação, com 0,72%, responderam sozinhos por cerca de 66% de todo o resultado do mês. No lado da comida, o peso recaiu sobre itens consumidos dentro de casa. Na habitação, o avanço veio principalmente de energia e outros custos ligados à moradia.
Na direção oposta, o grupo Transportes segurou a inflação e teve leve queda de 0,03% no período. O movimento foi puxado pelo recuo dos combustíveis, que caíram 1,22%, compensando a forte alta das passagens aéreas, de 7,24% no mês.
Veja o resumo da prévia de junho:
- Variação do mês: 0,41%
- Acumulado no ano: 3,45%
- Acumulado em 12 meses: 4,8%
- Maiores pressões: Alimentação (0,74%) e Habitação (0,72%)
- Principal alívio: combustíveis (-1,22%)
O IPCA-15 usa metodologia parecida com a do IPCA cheio, mas colhe os preços em um período anterior dentro do mês. Por isso funciona como uma prévia do comportamento da inflação e é acompanhado de perto pelo Banco Central e por analistas para calibrar as apostas de juros.
A leitura de junho reforça um quadro de inflação teimosa, ainda que sem novos choques. A comida no prato das famílias continua sendo o item que mais aparece nas contas do mês, e a moradia caminha junto. Do outro lado, a trégua nos combustíveis ajuda a evitar um resultado pior no fechamento do índice.
O número entra na conta do próximo Comitê de Política Monetária. Com a inflação em 12 meses acima de 4,5% e ainda resistente nos serviços e nos alimentos, o cenário permanece de cautela por parte da autoridade monetária, que vem mantendo os juros em nível alto para trazer os preços de volta ao centro da meta.
Para o consumidor, o recado da prévia é direto: o alívio nas bombas de combustível não se traduziu em queda no custo de comer e morar, os dois itens que mais pesam no orçamento das famílias de menor renda.
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