Dupla é presa por golpe do Pix falso que rendeu R$ 100 mil em farmácias

agosto 15, 2026
Comprimidos azuis e brancos espalhados sobre superfície clara

Dois homens foram presos na tarde desta sexta-feira (14/8) suspeitos de aplicar o golpe do falso comprovante de Pix contra farmácias e distribuidoras de equipamentos hospitalares do Distrito Federal. A ação foi conduzida em conjunto pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e pela Polícia Militar de Goiás (PMGO), e o prejuízo já identificado passa de R$ 100 mil.

Segundo o relato das corporações, o grupo se apresentava como representante de hospitais e de grandes instituições de saúde para negociar compras de alto valor. Fechado o pedido, os estabelecimentos liberavam a mercadoria para transportadoras assim que recebiam a imagem de um comprovante de transferência. O dinheiro nunca entrava na conta.

Uma farmácia da quadra 302 da Asa Sul foi uma das vítimas documentadas na investigação. O estabelecimento negociou o fornecimento de equipamentos hospitalares e autorizou a saída da carga depois da suposta confirmação do pagamento. O caminhão foi interceptado quando seguia para Santo Antônio do Descoberto, no entorno goiano.

Como o golpe do falso Pix funciona

A fraude explora a diferença entre o comprovante e a liquidação. O Pix é liquidado em segundos, mas a imagem que chega por aplicativo de mensagens é apenas um arquivo, que pode ser montado ou adulterado sem qualquer relação com uma transferência real. Quem confere só a tela enviada pelo comprador aceita um documento que não prova nada.

No caso apurado pela PMDF, o padrão se repetia:

  • o comprador se identificava como representante de hospital ou de rede de saúde, o que justificava o pedido de grande volume;
  • a negociação corria por telefone e aplicativo, sem contato presencial;
  • a urgência declarada na entrega reduzia o tempo de conferência do vendedor;
  • o comprovante era enviado minutos antes da retirada da carga;
  • a mercadoria saía por transportadora, o que dificultava o rastreio depois da fraude.

A recomendação operacional é simples e não depende de tecnologia: a confirmação válida é o crédito na conta, verificado no extrato do próprio banco, e não a imagem recebida pelo comprador. Em vendas de alto valor, vale reter a carga até que o valor esteja disponível no saldo.

O que diz a lei

A conduta apurada foi enquadrada como estelionato e associação criminosa. O Código Penal define o primeiro crime no artigo 171:

Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento. Pena: reclusão, de um a cinco anos, e multa.

A Lei 14.155/2021 criou a figura da fraude eletrônica no parágrafo 2º-A do mesmo artigo, com pena de quatro a oito anos de reclusão quando o golpe é aplicado por meio de redes sociais, contatos telefônicos ou mensagem eletrônica fraudulenta, exatamente o canal usado nas negociações do caso do DF. A associação criminosa, prevista no artigo 288, exige a reunião de três ou mais pessoas para o fim específico de cometer crimes e tem pena de um a três anos.

Um terceiro suspeito foi identificado e qualificado durante a ação, e as corporações apontaram que o grupo teria aplicado golpes semelhantes contra outras empresas do mesmo setor. As informações divulgadas não detalham quantos estabelecimentos foram atingidos nem o prazo de atuação da quadrilha.

Fraude com Pix se repete no DF

O caso das farmácias entra em uma sequência de ocorrências registradas no Distrito Federal em agosto. Nas duas primeiras semanas do mês, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou operações contra grupos que usavam o Pix como etapa final da fraude, entre elas a que apurou o golpe do falso advogado, com prisões em São Paulo, e a que investigou o uso indevido do nome de organizações internacionais em pedidos de doação.

O padrão comum a esses casos é a engenharia social: o criminoso não invade sistema bancário, ele convence a vítima a agir. O alvo pode ser o consumidor, o parente de um preso, o doador de uma campanha ou, como agora, o setor de vendas de uma empresa que precisa fechar o pedido rápido.

Leia também: Golpe do falso advogado usava Pix e videochamada para extorquir vítimas no DF.

O que fazer se a empresa foi vítima

A orientação padrão para quem foi lesado é registrar a ocorrência com o máximo de material possível, porque o rastreio do valor depende de dados que costumam se perder nas primeiras horas:

  1. preservar as conversas do aplicativo de mensagens, com número de telefone e horários;
  2. salvar a imagem do comprovante falso e o extrato bancário do período, que comprova a ausência do crédito;
  3. guardar a nota fiscal, o pedido e o comprovante de coleta da transportadora;
  4. registrar ocorrência em delegacia, presencialmente ou pela Delegacia Eletrônica da PCDF;
  5. acionar o banco para o Mecanismo Especial de Devolução do Pix, que permite bloqueio cautelar quando há indício de fraude.

As investigações sobre a atuação do grupo seguem em andamento, e a Justiça ainda vai decidir sobre a manutenção das prisões. Nenhum dos suspeitos teve o nome divulgado pelas corporações.

Perguntas frequentes

Como saber se um comprovante de Pix é falso?

A confirmação válida é o crédito na conta, verificado no extrato do próprio banco. A imagem enviada pelo comprador é apenas um arquivo e pode ser adulterada.

O que fazer se a empresa caiu no golpe do falso Pix?

Preserve as conversas, a imagem do comprovante e o extrato bancário, registre ocorrência na delegacia ou pela Delegacia Eletrônica da PCDF e acione o banco para o Mecanismo Especial de Devolução do Pix.

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