A cesta básica de alimentos em Brasília custou R$ 747,10 em julho, queda de 6,71% em relação a junho, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos divulgada em 10 de agosto pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O preço recuou em 26 das 27 capitais pesquisadas.
Brasília ficou entre as seis maiores quedas do mês. A capital com maior recuo foi Natal, com 7,95%, seguida por Maceió (7,87%), Belo Horizonte (7,44%), Palmas (7,38%), Rio de Janeiro (7,12%) e Brasília. A única alta foi registrada em São Luís, de 0,30%.
Quanto pesa no salário do brasiliense
Com o valor de julho, a cesta básica consumiu 49,83% do salário mínimo líquido em Brasília. Na prática, o trabalhador que recebe o piso nacional precisou de 101 horas e 24 minutos de trabalho para comprar os itens da cesta. A média das 27 capitais foi de 100 horas e 24 minutos, abaixo das 105 horas e 51 minutos de junho e das 103 horas e 40 minutos de julho de 2025.
No acumulado do ano, a cesta em Brasília sobe 4,61%. Em 12 meses, porém, o movimento se inverte: o custo caiu 1,46%, um dos poucos resultados negativos nessa comparação entre as capitais.
- Valor em Brasília: R$ 747,10
- Variação no mês: queda de 6,71%
- Variação no ano: alta de 4,61%
- Variação em 12 meses: queda de 1,46%
- Peso no salário mínimo líquido: 49,83%
- Tempo de trabalho necessário: 101 horas e 24 minutos
Onde a cesta é mais cara e mais barata
São Paulo manteve a cesta mais cara do país, a R$ 915,01, seguida por Cuiabá (R$ 881,27), Florianópolis (R$ 860,73) e Rio de Janeiro (R$ 855,37). No outro extremo aparecem Aracaju (R$ 594,07), Maceió (R$ 618,60), Natal (R$ 631,51) e João Pessoa (R$ 644,04).
Brasília ocupa posição intermediária na lista, atrás de capitais do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste como Cuiabá, Campo Grande e Goiânia, e à frente da maioria das capitais do Norte e do Nordeste.
O salário mínimo necessário calculado pelo Dieese
A pesquisa também estima, a partir da cesta mais cara do país, qual deveria ser o salário mínimo capaz de cobrir as despesas de uma família de quatro pessoas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, como determina a Constituição.
Em julho de 2026, esse valor foi calculado em R$ 7.687,01, o equivalente a 4,74 vezes o mínimo em vigor, de R$ 1.621,00. Em junho, a estimativa era de R$ 8.110,92, ou 5 vezes o piso. Em julho de 2025, quando o mínimo era de R$ 1.518,00, o cálculo apontava R$ 7.274,43.
Com o mínimo de R$ 1.621,00, o trabalhador brasileiro precisou de 98 horas e 16 minutos de trabalho, em média, para comprar a cesta básica em julho, contra 103 horas e 04 minutos em junho.
O que explica a queda
O recuo de julho foi generalizado entre os itens acompanhados pela pesquisa. O açúcar caiu em 20 capitais e recuou em todas as 27 na comparação de 12 meses, movimento que o Dieese associa ao grande volume colhido de cana-de-açúcar. A carne bovina de primeira teve comportamento variado: subiu em 12 cidades, ficou estável em Porto Alegre e recuou em 14.
No acumulado de janeiro a julho de 2026, todas as 27 capitais registram alta no custo da cesta, com variações entre 4,28%, em Campo Grande, e 15,68%, em Porto Velho. Brasília aparece na faixa mais baixa desse intervalo, com 4,61%.
A pesquisa do Dieese acompanha mensalmente os preços de 13 produtos alimentícios básicos nas 27 capitais e serve de referência para o cálculo do salário mínimo necessário e para o acompanhamento do custo de vida.
Veja também os dados sobre a inflação acumulada no Distrito Federal.








