dom, 27 set
Segurança

Agressões a mulheres sobem 28,9% em dias de jogo, aponta estudo

Estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra alta de 28,9% em lesões corporais e de 27,4% em ameaças contra mulheres em dias de partida. O DF não entrou na amostra.

Por Redação Sou Brasília 4 min de leitura
Gramado de campo de futebol com jogadores desfocados ao fundo
Neste texto6 tópicos
  1. Como o levantamento foi feito
  2. O que o dado sugere para o policiamento
  3. O que mudou entre as duas edições
  4. O recorte que falta para Brasília
  5. Onde denunciar no Distrito Federal
  6. Perguntas frequentes

Registros de lesão corporal dolosa decorrente de violência doméstica contra mulheres crescem 28,9% em dias de jogo de futebol, e os de ameaça sobem 27,4%. Os números são da segunda edição do estudo Futebol e violência contra a mulher, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lançado nesta terça-feira, 11 de agosto, em São Paulo.

A faixa mais atingida é a das mulheres de 15 a 29 anos, com alta de 44,4% tanto nas ameaças quanto nas lesões corporais em dias de partida.

Como o levantamento foi feito

Os pesquisadores cruzaram registros de ocorrência com a agenda e os resultados de jogos da Série A do Campeonato Brasileiro, da Copa Libertadores da América e da Copa Sul-Americana, no período de 2023 a 2025. A amostra cobriu cinco capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre. O Distrito Federal não foi incluído no recorte, o que impede aplicar os percentuais diretamente à realidade de Brasília.

A comparação com a edição anterior do estudo, que analisou o período de 2015 a 2018, mostra piora. Naquele levantamento, as ameaças cresciam 23,7% em dias de jogo e as lesões corporais, 20,8%. A diferença entre as duas edições é de 3,7 pontos percentuais nas ameaças e de 8,1 pontos nas lesões.

Para Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum, diagnósticos como esse existem para orientar o planejamento das forças de segurança, e não apenas para medir o problema depois que ele acontece.

O que o dado sugere para o policiamento

A leitura operacional é direta: se há dia e horário com concentração previsível de ocorrências, há como antecipar escala, reforço de patrulhamento e plantão de atendimento especializado. Calendário de futebol é público e definido com meses de antecedência, o que torna esse tipo de previsão mais simples do que em outras modalidades de crime.

O estudo não afirma que o futebol causa a violência. O que ele mede é a concentração de registros nesses dias, em um cenário que combina consumo de álcool, aglomeração doméstica e tensão em torno do resultado.

Também é preciso ler o número pelo que ele é: registro de ocorrência. Alta de notificação pode refletir tanto mais violência quanto mais denúncia, e a subnotificação da violência doméstica é reconhecida em toda a literatura da área. O que torna o dado consistente é a comparação com dias sem jogo dentro da mesma cidade e do mesmo período, que isola o efeito do calendário esportivo.

O que mudou entre as duas edições

A piora de 8,1 pontos percentuais nas lesões corporais entre o levantamento de 2015 a 2018 e o de 2023 a 2025 é o achado mais duro do relatório. Em sete anos, o país aprovou novas leis de proteção à mulher, ampliou a rede de delegacias especializadas e criou canais digitais de denúncia. Ainda assim, o indicador de agressão física em dia de jogo subiu.

A concentração na faixa de 15 a 29 anos, com alta de 44,4%, aponta para onde a política pública precisa mirar: mulheres jovens, muitas em relacionamentos recentes e com menor acesso a rede de apoio e a informação sobre medida protetiva.

O recorte que falta para Brasília

Sem o Distrito Federal na amostra, não há como afirmar qual é o comportamento local do indicador. A capital tem particularidade que pode alterar o resultado: não há clube da Série A com mando de campo fixo na cidade, e boa parte da torcida acompanha times de outros estados pela televisão, o que muda a dinâmica de aglomeração em relação a São Paulo ou Porto Alegre.

O que existe no DF é registro consolidado de ocorrência pela Polícia Civil e pela Secretaria de Segurança Pública, base que permitiria replicar a metodologia localmente e comparar dias com e sem jogos de grande audiência.

Onde denunciar no Distrito Federal

  • 197: Disque-Denúncia da Polícia Civil do Distrito Federal, que recebe informações inclusive de forma anônima
  • 190: Polícia Militar, para emergência em andamento
  • 180: Central de Atendimento à Mulher, do governo federal, com orientação e encaminhamento
  • Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam): registra ocorrência e pode pedir medida protetiva de urgência

A medida protetiva de urgência pode ser solicitada no momento do registro da ocorrência, sem custo e sem necessidade de advogado. O pedido é encaminhado ao Judiciário, que tem prazo legal para decidir.

No Distrito Federal, o dispositivo Viva Flor passou a ser oferecido em 13 delegacias neste mês, ampliando a rede de acionamento rápido para mulheres sob medida protetiva.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública é uma organização da sociedade civil que reúne pesquisadores e profissionais de segurança e publica, entre outros levantamentos, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, referência para dados criminais no país.

Perguntas frequentes

Quanto aumentam as agressões contra mulheres em dias de jogo?

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os registros de lesão corporal dolosa por violência doméstica crescem 28,9% e os de ameaça, 27,4%, em dias de partida.

O estudo inclui o Distrito Federal?

Não. A amostra cobriu São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre, entre 2023 e 2025.

Qual o número de denúncia no DF?

O Disque-Denúncia da Polícia Civil do DF é o 197. Para emergência em andamento, o 190. A Central de Atendimento à Mulher é o 180.

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