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Trânsito

Greve de ônibus no DF foi suspensa: acordo fecha 8% no salário e 10% no tíquete e na cesta

A paralisação marcada para a 0h de segunda-feira foi suspensa na noite de domingo, depois de reunião com as empresas e a Semob: 8% de reajuste no salário e 10% no tíquete-refeição e na cesta-alimentação. Os ônibus circularam normalmente.

Por Redação Sou Brasília atualizada em 11 min de leitura
Vista aérea da Rodoviária do Plano Piloto, com ônibus na plataforma e no Eixo Monumental, e a Catedral de Brasília ao fundo
Foto: Sintegrity/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Neste texto8 tópicos
  1. O que ficou acordado
  2. Por que o acordo só saiu na véspera
  3. O que acontece com a decisão do TRT-10
  4. Quais empresas e regiões estavam na mira
  5. O que a lei obriga em serviço essencial
  6. O que o passageiro faz agora
  7. O que acompanhar daqui para frente
  8. Perguntas frequentes
  • A greve dos rodoviários do DF marcada para a 0h de segunda-feira (28) foi suspensa na noite de domingo (27), e os ônibus circularam nos horários de sempre.
  • O acordo saiu de uma reunião entre o sindicato, as concessionárias e a Secretaria de Transporte e Mobilidade: 8% de reajuste no salário e 10% no tíquete-refeição e na cesta-alimentação.
  • No salário, a categoria conseguiu exatamente o que pedia. A última oferta das empresas, recusada pela assembleia da manhã de domingo, era de 6%.
  • A liminar do TRT-10 que obrigava 80% da frota nos horários de pico, com multa de R$ 100 mil por hora, perdeu objeto.
  • O auxílio saúde e a garantia de emprego dos cobradores não entraram no anúncio do acordo.
  • A data-base da categoria é 1º de agosto. O acordo anterior, vencido em 31 de julho, tinha trazido 7,56%.
  • Cerca de 1 milhão de passageiros usam o sistema por dia, segundo dados que o próprio GDF apresentou ao tribunal.

A greve dos rodoviários do Distrito Federal não aconteceu. O sindicato suspendeu a paralisação marcada para a 0h desta segunda-feira (28) depois de fechar acordo na noite de domingo: 8% de reajuste no salário e 10% no tíquete-refeição e na cesta-alimentação.

O entendimento veio de uma reunião realizada horas depois da assembleia que tinha recusado, por unanimidade, a proposta de 6% das empresas. Participaram o sindicato, as concessionárias e a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob). Os ônibus saíram das garagens na madrugada de segunda nos horários normais.

O que ficou acordado

O anúncio da suspensão foi feito por João Dão, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Terrestres do DF, em mensagem à categoria na noite de domingo.

"Em nome da diretoria, venho comunicar que através de uma reunião realizada com a secretária da Semob e representantes chegamos a um acordo de 8% de reajuste no salário, 10% no ticket e 10% na cesta", disse o dirigente, pedindo que a categoria voltasse ao trabalho nos horários de sempre.
ItemA categoria pediaÚltima oferta (26/09)Acordo (27/09)
Reajuste salarial8%6%8%
Tíquete-refeição10%7%10%
Cesta-alimentação10%7%10%
Auxílio saúde e odontológico12%11,88%Não divulgado
Postos de cobradorGarantia em cláusulaMantidos na vigência do acordoNão divulgado
Tabela comparando o que os rodoviários do DF pediam, a última oferta das empresas e o acordo fechado em 27 de setembro
No salário a categoria conseguiu os 8% da pauta; auxílio saúde e garantia dos cobradores não entraram no anúncio.Arte: SouBrasília sobre o comunicado do sindicato e as propostas das concessionárias

Duas contas explicam o tamanho do resultado para a categoria. A primeira é a inflação: as empresas disseram, em nota no sábado, que os 6% ficavam "acima da inflação de 4,11% no período". O acordo fechou dois pontos acima dessa oferta. A segunda é o instrumento anterior, que valeu de 1º de agosto de 2025 a 31 de julho de 2026 e trouxe 7,56%. Os 8% superam também esse piso interno, o que a proposta das empresas não fazia.

Dois itens da pauta ficaram sem resposta pública. O auxílio saúde e odontológico, em que a distância era pequena (12% pedidos contra 11,88% ofertados), e a garantia de emprego dos cobradores, o ponto que mais mobilizou a base. As empresas ofereciam manter os postos apenas durante a vigência do novo acordo, não em caráter permanente. Nenhum dos dois apareceu no comunicado da suspensão.

Por que o acordo só saiu na véspera

A negociação da data-base corria desde julho, com mais de dez rodadas segundo as próprias concessionárias. A pauta de reivindicações foi entregue às empresas e ao Governo do Distrito Federal em 19 de julho de 2026, e o acordo coletivo anterior venceu em 30 de julho.

DataO que aconteceu
19 de julhoPauta de reivindicações entregue às empresas e ao GDF
30 de julhoAcordo coletivo anterior vence sem renovação
20 de setembroAssembleia aprova a greve por unanimidade
25 de setembroEmpresas formalizam por escrito 5,5% no salário
26 de setembroNova oferta sobe para 6% e é levada à base
27 de setembro, manhãAssembleia no Conic recusa os 6% e decreta a paralisação
27 de setembro, noiteReunião com a Semob fecha 8% e suspende a greve
28 de setembroÔnibus circulam normalmente

A assembleia da manhã de domingo, no estacionamento do Conic, era o desfecho previsto de duas ofertas recusadas em dois dias. Na quinta-feira (25), as concessionárias formalizaram por escrito 5,5% de reajuste salarial, 6% no tíquete e na cesta e 11,88% no auxílio saúde. No sábado (26), subiram o salário para 6%, o tíquete e a cesta para 7%, dobraram o seguro de vida em grupo e ofereceram manter os postos de cobrador.

Tabela com a proposta das empresas de ônibus do DF: reajuste salarial, tíquete e cesta, auxílio saúde e seguro de vida
A proposta escrita de 25 de setembro, recusada pela diretoria. No dia 26 as empresas subiram o salário para 6% e o tíquete para 7%, e a assembleia recusou de novo.Arte: SouBrasília sobre a proposta apresentada ao sindicato em 25/09/2026

A régua da categoria nunca foi a inflação. Era o acordo anterior, e nenhuma das duas ofertas chegou aos 7,56% dele. Foi essa distância, e não o percentual isolado, que sustentou a recusa na assembleia.

O que acontece com a decisão do TRT-10

Com a greve decretada na manhã de domingo, o GDF foi ao Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) e pediu a suspensão do movimento. O desembargador Dorival Borges de Souza Neto negou tanto a suspensão quanto a declaração antecipada de abuso, mas fixou percentuais mínimos de operação: 80% das viagens programadas entre 5h30 e 9h e entre 17h e 20h, 50% nos demais horários, com multa de R$ 100 mil por hora de descumprimento e R$ 200 mil em caso de recalcitrância.

Com a paralisação suspensa antes de começar, a liminar perdeu objeto. Nenhum percentual chegou a ser cobrado e nenhuma multa foi aplicada. O que sobra da decisão é o precedente: em 2021, na última greve de rodoviários do DF, a Justiça tinha fixado 60% no pico e multa de R$ 50 mil por dia. A régua de 2026 ficou 20 pontos acima na frota e muito acima na sanção.

A governadora Celina Leão comentou o desfecho no domingo à noite, em publicação nas redes sociais.

"O domingo termina com uma excelente notícia para todos: as empresas de ônibus e o sindicato dos rodoviários chegaram a um acordo e, consequentemente, não haverá greve amanhã", escreveu, creditando o resultado à intermediação da Secretaria de Transporte e Mobilidade e da Procuradoria-Geral do DF, e à atuação do tribunal.

Dias antes, em agenda no Gama, a governadora tinha dito que não considerava o momento adequado para tratar de reajuste, e a nota do Palácio do Buriti que anunciou a ida ao TRT-10 chamou o movimento de "político-eleitoreira". O acordo saiu com a Semob na mesa.

Quais empresas e regiões estavam na mira

A paralisação seria da categoria, não de uma empresa só. O serviço básico de ônibus do DF é operado em cinco bacias, e cada uma tem uma concessionária responsável. A divisão abaixo é a que consta nas perguntas frequentes da Secretaria de Transporte e Mobilidade, atualizada em 2 de setembro de 2026.

BaciaEmpresaRegiões atendidas
Bacia 1Viação PiracicabanaBrasília, Cruzeiro, Lago Norte, Varjão, Sobradinho e Planaltina
Bacia 2Viação PioneiraParanoá, Itapoã, São Sebastião, Jardim Botânico, Gama, Santa Maria, Park Way (Epia) e Candangolândia
Bacia 3Viação HP-ITA (Urbi)Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo I e II, Recanto das Emas e Samambaia
Bacia 4Viação MarechalGuará, Park Way (Arniqueiras), Águas Claras, Taguatinga ao sul da Hélio Prates e Ceilândia
Bacia 5Expresso São JoséSAI, SAAN, SOF Norte, Estrutural, Vicente Pires, Taguatinga ao norte da Hélio Prates, Ceilândia Norte e Brazlândia

Fora das cinco bacias, o sistema conta com a Sociedade de Transporte Coletivo de Brasília (TCB), empresa pública que opera no Plano Piloto, em algumas linhas rurais e no serviço executivo, e com a cooperativa Cobrataete, responsável por linhas alimentadoras nas cidades satélites. O metrô é operado por outra categoria, com negociação própria, e nunca esteve incluído nesta greve.

O que a lei obriga em serviço essencial

Mesmo com greve, não dá para ficar sem nenhum ônibus, e isso está escrito na lei. A Lei 7.783, de 1989, que regula o direito de greve, lista o transporte coletivo entre os serviços essenciais, no inciso V do artigo 10.

  • Artigo 11: sindicato, empresas e trabalhadores são obrigados, de comum acordo, a garantir durante a greve os serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.
  • Artigo 12: se isso não for cumprido, o poder público assegura a prestação dos serviços indispensáveis.
  • Artigo 13: em serviço essencial, sindicato e trabalhadores são obrigados a comunicar a decisão aos empregadores e aos usuários com antecedência mínima de 72 horas.
  • Artigo 3º, parágrafo único: a entidade patronal precisa ser notificada com pelo menos 48 horas de antecedência.

Foi o artigo 11 que sustentou a decisão de domingo. As partes não fecharam sozinhas o percentual de serviço mínimo, então a Justiça do Trabalho fixou o número, como a própria lei prevê no artigo 12. Esse desenho volta a valer se a categoria retomar a mobilização.

Reprodução dos artigos 10, 11 e 13 da Lei 7.783 de 1989, que trata do direito de greve
Os três artigos da Lei de Greve que obrigam o transporte coletivo a manter serviço mínimo e a avisar o passageiro com 72 horas.Arte: SouBrasília sobre o texto publicado no portal do Planalto

O que o passageiro faz agora

A operação voltou ao normal, mas a semana tem dia de eleição e o sistema ganha regra própria no domingo. Quatro pontos resolvem a maior parte das dúvidas de quem depende do ônibus:

  1. Confira a linha antes de sair. O aplicativo da Semob mostra a posição do veículo e diz se a linha saiu da garagem. O passo a passo está em como usar o DF no Ponto para ver o horário do ônibus em tempo real.
  2. Ônibus de graça no dia da votação. O GDF confirmou gratuidade no transporte público em 4 e 25 de outubro e autorizou a tabela horária de dias úteis nos dois domingos, a pedido do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal.
  3. Cartão Mobilidade carregado evita fila. Os endereços dos totens de autoatendimento estão em onde ficam os totens de recarga do Cartão Mobilidade no DF.
  4. Linha que não passa tem canal. Anote hora e ponto e registre na Ouvidoria da Semob, pelo 162. O registro é o que instrui qualquer cobrança de multa por descumprimento de operação.

O que acompanhar daqui para frente

O acordo foi anunciado, mas o acordo coletivo ainda precisa ser assinado e registrado. É nesse texto que aparecem as cláusulas que ficaram fora do comunicado de domingo: o percentual do auxílio saúde, o prazo de garantia dos cobradores, o quinquênio e a jornada de seis horas corridas.

Três sinais dizem se o acerto se sustenta. O primeiro é a data de assinatura do instrumento, que fixa a vigência e a retroatividade a 1º de agosto. O segundo é a redação da cláusula dos cobradores, o item que levou a categoria à greve em 2021 e de novo agora. O terceiro é o pagamento da diferença salarial dos meses já vencidos, que costuma sair na folha seguinte à assinatura.

Esta página é atualizada a cada passo da negociação.

Perguntas frequentes

Vai ter greve de ônibus no DF?
Não. A paralisação marcada para a 0h de segunda-feira, 28 de setembro, foi suspensa na noite de domingo (27), depois de acordo entre o sindicato, as concessionárias e a Semob. Os ônibus circularam normalmente.

Qual foi o acordo dos rodoviários do DF?
Reajuste de 8% no salário e de 10% no tíquete-refeição e na cesta-alimentação. É o mesmo percentual salarial que a categoria pedia. A última oferta das empresas, recusada pela assembleia da manhã de domingo, era de 6% no salário e 7% nos benefícios de alimentação.

Por que a greve foi suspensa?
Porque a reunião da noite de domingo, com a secretária de Transporte e Mobilidade e representantes das empresas, fechou o percentual que a assembleia tinha exigido pela manhã. O anúncio foi feito pela diretoria do sindicato à categoria, com orientação de retorno ao trabalho nos horários normais.

O que aconteceu com a decisão do TRT-10?
Perdeu objeto. O desembargador Dorival Borges de Souza Neto tinha fixado 80% das viagens nos horários de pico, 50% nos demais e multa de R$ 100 mil por hora, mas a greve foi suspensa antes de começar e nada disso chegou a ser cobrado.

O auxílio saúde e os cobradores entraram no acordo?
Não foram divulgados. O comunicado da suspensão trata de salário, tíquete e cesta. A pauta pedia 12% no plano de saúde e garantia de emprego em cláusula para os cobradores; a última oferta das empresas era de 11,88% e manutenção dos postos só durante a vigência do acordo.

Quando o reajuste começa a valer?
A data-base da categoria é 1º de agosto de 2026, e é dela que corre o reajuste. O pagamento da diferença dos meses vencidos depende da assinatura do acordo coletivo, que ainda não foi divulgada.

Vai ter ônibus no dia da eleição no DF?
Sim, e de graça. O GDF autorizou a tabela horária de dias úteis em 4 e 25 de outubro, a pedido do TRE-DF, e confirmou gratuidade no transporte público nos dois domingos de votação.

Quantas pessoas a greve afetaria?
Cerca de 1 milhão de passageiros por dia usam o ônibus no Distrito Federal, segundo os dados que o próprio GDF apresentou ao TRT-10.

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