Greve de ônibus no DF foi suspensa: acordo fecha 8% no salário e 10% no tíquete e na cesta
A paralisação marcada para a 0h de segunda-feira foi suspensa na noite de domingo, depois de reunião com as empresas e a Semob: 8% de reajuste no salário e 10% no tíquete-refeição e na cesta-alimentação. Os ônibus circularam normalmente.

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- A greve dos rodoviários do DF marcada para a 0h de segunda-feira (28) foi suspensa na noite de domingo (27), e os ônibus circularam nos horários de sempre.
- O acordo saiu de uma reunião entre o sindicato, as concessionárias e a Secretaria de Transporte e Mobilidade: 8% de reajuste no salário e 10% no tíquete-refeição e na cesta-alimentação.
- No salário, a categoria conseguiu exatamente o que pedia. A última oferta das empresas, recusada pela assembleia da manhã de domingo, era de 6%.
- A liminar do TRT-10 que obrigava 80% da frota nos horários de pico, com multa de R$ 100 mil por hora, perdeu objeto.
- O auxílio saúde e a garantia de emprego dos cobradores não entraram no anúncio do acordo.
- A data-base da categoria é 1º de agosto. O acordo anterior, vencido em 31 de julho, tinha trazido 7,56%.
- Cerca de 1 milhão de passageiros usam o sistema por dia, segundo dados que o próprio GDF apresentou ao tribunal.
A greve dos rodoviários do Distrito Federal não aconteceu. O sindicato suspendeu a paralisação marcada para a 0h desta segunda-feira (28) depois de fechar acordo na noite de domingo: 8% de reajuste no salário e 10% no tíquete-refeição e na cesta-alimentação.
O entendimento veio de uma reunião realizada horas depois da assembleia que tinha recusado, por unanimidade, a proposta de 6% das empresas. Participaram o sindicato, as concessionárias e a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob). Os ônibus saíram das garagens na madrugada de segunda nos horários normais.
O que ficou acordado
O anúncio da suspensão foi feito por João Dão, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Terrestres do DF, em mensagem à categoria na noite de domingo.
"Em nome da diretoria, venho comunicar que através de uma reunião realizada com a secretária da Semob e representantes chegamos a um acordo de 8% de reajuste no salário, 10% no ticket e 10% na cesta", disse o dirigente, pedindo que a categoria voltasse ao trabalho nos horários de sempre.
| Item | A categoria pedia | Última oferta (26/09) | Acordo (27/09) |
|---|---|---|---|
| Reajuste salarial | 8% | 6% | 8% |
| Tíquete-refeição | 10% | 7% | 10% |
| Cesta-alimentação | 10% | 7% | 10% |
| Auxílio saúde e odontológico | 12% | 11,88% | Não divulgado |
| Postos de cobrador | Garantia em cláusula | Mantidos na vigência do acordo | Não divulgado |

Duas contas explicam o tamanho do resultado para a categoria. A primeira é a inflação: as empresas disseram, em nota no sábado, que os 6% ficavam "acima da inflação de 4,11% no período". O acordo fechou dois pontos acima dessa oferta. A segunda é o instrumento anterior, que valeu de 1º de agosto de 2025 a 31 de julho de 2026 e trouxe 7,56%. Os 8% superam também esse piso interno, o que a proposta das empresas não fazia.
Dois itens da pauta ficaram sem resposta pública. O auxílio saúde e odontológico, em que a distância era pequena (12% pedidos contra 11,88% ofertados), e a garantia de emprego dos cobradores, o ponto que mais mobilizou a base. As empresas ofereciam manter os postos apenas durante a vigência do novo acordo, não em caráter permanente. Nenhum dos dois apareceu no comunicado da suspensão.
Por que o acordo só saiu na véspera
A negociação da data-base corria desde julho, com mais de dez rodadas segundo as próprias concessionárias. A pauta de reivindicações foi entregue às empresas e ao Governo do Distrito Federal em 19 de julho de 2026, e o acordo coletivo anterior venceu em 30 de julho.
| Data | O que aconteceu |
|---|---|
| 19 de julho | Pauta de reivindicações entregue às empresas e ao GDF |
| 30 de julho | Acordo coletivo anterior vence sem renovação |
| 20 de setembro | Assembleia aprova a greve por unanimidade |
| 25 de setembro | Empresas formalizam por escrito 5,5% no salário |
| 26 de setembro | Nova oferta sobe para 6% e é levada à base |
| 27 de setembro, manhã | Assembleia no Conic recusa os 6% e decreta a paralisação |
| 27 de setembro, noite | Reunião com a Semob fecha 8% e suspende a greve |
| 28 de setembro | Ônibus circulam normalmente |
A assembleia da manhã de domingo, no estacionamento do Conic, era o desfecho previsto de duas ofertas recusadas em dois dias. Na quinta-feira (25), as concessionárias formalizaram por escrito 5,5% de reajuste salarial, 6% no tíquete e na cesta e 11,88% no auxílio saúde. No sábado (26), subiram o salário para 6%, o tíquete e a cesta para 7%, dobraram o seguro de vida em grupo e ofereceram manter os postos de cobrador.

A régua da categoria nunca foi a inflação. Era o acordo anterior, e nenhuma das duas ofertas chegou aos 7,56% dele. Foi essa distância, e não o percentual isolado, que sustentou a recusa na assembleia.
O que acontece com a decisão do TRT-10
Com a greve decretada na manhã de domingo, o GDF foi ao Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) e pediu a suspensão do movimento. O desembargador Dorival Borges de Souza Neto negou tanto a suspensão quanto a declaração antecipada de abuso, mas fixou percentuais mínimos de operação: 80% das viagens programadas entre 5h30 e 9h e entre 17h e 20h, 50% nos demais horários, com multa de R$ 100 mil por hora de descumprimento e R$ 200 mil em caso de recalcitrância.
Com a paralisação suspensa antes de começar, a liminar perdeu objeto. Nenhum percentual chegou a ser cobrado e nenhuma multa foi aplicada. O que sobra da decisão é o precedente: em 2021, na última greve de rodoviários do DF, a Justiça tinha fixado 60% no pico e multa de R$ 50 mil por dia. A régua de 2026 ficou 20 pontos acima na frota e muito acima na sanção.
A governadora Celina Leão comentou o desfecho no domingo à noite, em publicação nas redes sociais.
"O domingo termina com uma excelente notícia para todos: as empresas de ônibus e o sindicato dos rodoviários chegaram a um acordo e, consequentemente, não haverá greve amanhã", escreveu, creditando o resultado à intermediação da Secretaria de Transporte e Mobilidade e da Procuradoria-Geral do DF, e à atuação do tribunal.
Dias antes, em agenda no Gama, a governadora tinha dito que não considerava o momento adequado para tratar de reajuste, e a nota do Palácio do Buriti que anunciou a ida ao TRT-10 chamou o movimento de "político-eleitoreira". O acordo saiu com a Semob na mesa.
Quais empresas e regiões estavam na mira
A paralisação seria da categoria, não de uma empresa só. O serviço básico de ônibus do DF é operado em cinco bacias, e cada uma tem uma concessionária responsável. A divisão abaixo é a que consta nas perguntas frequentes da Secretaria de Transporte e Mobilidade, atualizada em 2 de setembro de 2026.
| Bacia | Empresa | Regiões atendidas |
|---|---|---|
| Bacia 1 | Viação Piracicabana | Brasília, Cruzeiro, Lago Norte, Varjão, Sobradinho e Planaltina |
| Bacia 2 | Viação Pioneira | Paranoá, Itapoã, São Sebastião, Jardim Botânico, Gama, Santa Maria, Park Way (Epia) e Candangolândia |
| Bacia 3 | Viação HP-ITA (Urbi) | Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo I e II, Recanto das Emas e Samambaia |
| Bacia 4 | Viação Marechal | Guará, Park Way (Arniqueiras), Águas Claras, Taguatinga ao sul da Hélio Prates e Ceilândia |
| Bacia 5 | Expresso São José | SAI, SAAN, SOF Norte, Estrutural, Vicente Pires, Taguatinga ao norte da Hélio Prates, Ceilândia Norte e Brazlândia |
Fora das cinco bacias, o sistema conta com a Sociedade de Transporte Coletivo de Brasília (TCB), empresa pública que opera no Plano Piloto, em algumas linhas rurais e no serviço executivo, e com a cooperativa Cobrataete, responsável por linhas alimentadoras nas cidades satélites. O metrô é operado por outra categoria, com negociação própria, e nunca esteve incluído nesta greve.
O que a lei obriga em serviço essencial
Mesmo com greve, não dá para ficar sem nenhum ônibus, e isso está escrito na lei. A Lei 7.783, de 1989, que regula o direito de greve, lista o transporte coletivo entre os serviços essenciais, no inciso V do artigo 10.
- Artigo 11: sindicato, empresas e trabalhadores são obrigados, de comum acordo, a garantir durante a greve os serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.
- Artigo 12: se isso não for cumprido, o poder público assegura a prestação dos serviços indispensáveis.
- Artigo 13: em serviço essencial, sindicato e trabalhadores são obrigados a comunicar a decisão aos empregadores e aos usuários com antecedência mínima de 72 horas.
- Artigo 3º, parágrafo único: a entidade patronal precisa ser notificada com pelo menos 48 horas de antecedência.
Foi o artigo 11 que sustentou a decisão de domingo. As partes não fecharam sozinhas o percentual de serviço mínimo, então a Justiça do Trabalho fixou o número, como a própria lei prevê no artigo 12. Esse desenho volta a valer se a categoria retomar a mobilização.

O que o passageiro faz agora
A operação voltou ao normal, mas a semana tem dia de eleição e o sistema ganha regra própria no domingo. Quatro pontos resolvem a maior parte das dúvidas de quem depende do ônibus:
- Confira a linha antes de sair. O aplicativo da Semob mostra a posição do veículo e diz se a linha saiu da garagem. O passo a passo está em como usar o DF no Ponto para ver o horário do ônibus em tempo real.
- Ônibus de graça no dia da votação. O GDF confirmou gratuidade no transporte público em 4 e 25 de outubro e autorizou a tabela horária de dias úteis nos dois domingos, a pedido do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal.
- Cartão Mobilidade carregado evita fila. Os endereços dos totens de autoatendimento estão em onde ficam os totens de recarga do Cartão Mobilidade no DF.
- Linha que não passa tem canal. Anote hora e ponto e registre na Ouvidoria da Semob, pelo 162. O registro é o que instrui qualquer cobrança de multa por descumprimento de operação.
O que acompanhar daqui para frente
O acordo foi anunciado, mas o acordo coletivo ainda precisa ser assinado e registrado. É nesse texto que aparecem as cláusulas que ficaram fora do comunicado de domingo: o percentual do auxílio saúde, o prazo de garantia dos cobradores, o quinquênio e a jornada de seis horas corridas.
Três sinais dizem se o acerto se sustenta. O primeiro é a data de assinatura do instrumento, que fixa a vigência e a retroatividade a 1º de agosto. O segundo é a redação da cláusula dos cobradores, o item que levou a categoria à greve em 2021 e de novo agora. O terceiro é o pagamento da diferença salarial dos meses já vencidos, que costuma sair na folha seguinte à assinatura.
Esta página é atualizada a cada passo da negociação.
Perguntas frequentes
Vai ter greve de ônibus no DF?
Não. A paralisação marcada para a 0h de segunda-feira, 28 de setembro, foi suspensa na noite de domingo (27), depois de acordo entre o sindicato, as concessionárias e a Semob. Os ônibus circularam normalmente.
Qual foi o acordo dos rodoviários do DF?
Reajuste de 8% no salário e de 10% no tíquete-refeição e na cesta-alimentação. É o mesmo percentual salarial que a categoria pedia. A última oferta das empresas, recusada pela assembleia da manhã de domingo, era de 6% no salário e 7% nos benefícios de alimentação.
Por que a greve foi suspensa?
Porque a reunião da noite de domingo, com a secretária de Transporte e Mobilidade e representantes das empresas, fechou o percentual que a assembleia tinha exigido pela manhã. O anúncio foi feito pela diretoria do sindicato à categoria, com orientação de retorno ao trabalho nos horários normais.
O que aconteceu com a decisão do TRT-10?
Perdeu objeto. O desembargador Dorival Borges de Souza Neto tinha fixado 80% das viagens nos horários de pico, 50% nos demais e multa de R$ 100 mil por hora, mas a greve foi suspensa antes de começar e nada disso chegou a ser cobrado.
O auxílio saúde e os cobradores entraram no acordo?
Não foram divulgados. O comunicado da suspensão trata de salário, tíquete e cesta. A pauta pedia 12% no plano de saúde e garantia de emprego em cláusula para os cobradores; a última oferta das empresas era de 11,88% e manutenção dos postos só durante a vigência do acordo.
Quando o reajuste começa a valer?
A data-base da categoria é 1º de agosto de 2026, e é dela que corre o reajuste. O pagamento da diferença dos meses vencidos depende da assinatura do acordo coletivo, que ainda não foi divulgada.
Vai ter ônibus no dia da eleição no DF?
Sim, e de graça. O GDF autorizou a tabela horária de dias úteis em 4 e 25 de outubro, a pedido do TRE-DF, e confirmou gratuidade no transporte público nos dois domingos de votação.
Quantas pessoas a greve afetaria?
Cerca de 1 milhão de passageiros por dia usam o ônibus no Distrito Federal, segundo os dados que o próprio GDF apresentou ao TRT-10.




