seg, 21 set
Trânsito

Rodoviários do DF aprovam greve e ônibus podem parar na próxima segunda

Paralisação foi aprovada por unanimidade em assembleia no domingo (20). Categoria cobra reajuste, renovação do acordo coletivo e garantia de emprego para cobradores.

Por Redação Sou Brasília 5 min de leitura
Vista aérea da Rodoviária do Plano Piloto, com ônibus na plataforma e no Eixo Monumental, e a Catedral de Brasília ao fundo
Foto: Sintegrity/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Neste texto6 tópicos
  1. O que já está decidido e o que ainda pode mudar
  2. O que os rodoviários estão pedindo
  3. O que diz o governo do Distrito Federal
  4. Pode faltar ônibus na rua no dia da greve?
  5. Como se preparar antes da segunda-feira
  6. O que acompanhar nos próximos dias

Os rodoviários do Distrito Federal aprovaram greve a partir da segunda-feira, 28 de setembro. A decisão saiu por unanimidade em assembleia realizada no domingo (20), depois de meses de negociação sem acordo com o GDF e com as empresas de ônibus.

Se a paralisação for mantida, ela atinge o sistema que leva o morador de Ceilândia, Samambaia, Santa Maria, Planaltina e do Entorno ao trabalho, seis dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

O que já está decidido e o que ainda pode mudar

Segundo o Sindicato dos Rodoviários, a decisão foi tomada após sucessivas tentativas de fechar acordo sobre o reajuste dos salários da categoria. O aumento vinha sendo negociado desde junho. O Correio Braziliense, que revelou o anúncio nesta segunda-feira (21), apurou que a ordem de greve segue mantida, a menos que governo e empresas voltem à mesa antes da data.

Ou seja: o dia 28 não é uma certeza, é um prazo. A semana que começa agora é a janela de negociação, e é nela que o passageiro descobre se vai ter ônibus na segunda.

O que os rodoviários estão pedindo

A pauta não é só salário. O acordo coletivo da categoria expirou e a renovação dele está no centro da disputa, porque é o documento que garante um conjunto de cláusulas que hoje estão no ar.

ReivindicaçãoSituação
Reajuste salarialEm negociação desde junho, sem acordo
Renovação do acordo coletivoInstrumento anterior já expirou
Expediente de seis horas corridasCláusula do acordo vencido
Tíquete e cesta-alimentaçãoCláusula do acordo vencido
Plano de saúde e odontológicoCláusula do acordo vencido
Adicional por tempo de serviço (quinquênio)Cláusula do acordo vencido
Garantia de emprego para cobradoresPonto sensível com a redução do cobrador no sistema

A permanência dos cobradores é o item que mais mobiliza a base. O posto vem encolhendo no transporte público brasileiro com a bilhetagem eletrônica, e o sindicato quer travar essa redução em cláusula escrita.

Linha do tempo com cinco marcos: junho, 20 de setembro, 25 de setembro, 28 de setembro e 4 de outubro
O calendário do impasse: a greve foi marcada para seis dias antes do primeiro turno das eleições.Arte: SouBrasília

O que diz o governo do Distrito Federal

Durante agenda do GDF no Gama, a governadora Celina Leão afirmou que acha que não é o momento de falar em reajuste e disse que a greve é uma forma de pressão em meio à campanha eleitoral.

"Pedimos auditorias para todos esses contratos. Acho que isso fica pressionando o governo para que, se não dermos o aumento, eles fazerem greve", disse a governadora.

Celina afirmou que mantém a disposição de conversar, mas que não vai ceder à pressão: "Estou pronta para dialogar. Sou uma mulher muito corajosa, comigo não vai funcionar desse jeito. Não vou admitir sofrer esse tipo de pressão no meio de um processo eleitoral".

Pode faltar ônibus na rua no dia da greve?

Não completamente, e isso está escrito na lei. A Lei 7.783, de 1989, que regula o direito de greve, lista o transporte coletivo entre os serviços essenciais, no inciso V do artigo 10.

O efeito prático é o seguinte:

  • Artigo 11: sindicato, empresas e trabalhadores são obrigados, de comum acordo, a garantir durante a greve os serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.
  • Artigo 12: se isso não for cumprido, o poder público assegura a prestação dos serviços indispensáveis.
  • Artigo 13: em serviço essencial, sindicato e trabalhadores são obrigados a comunicar a decisão aos empregadores e aos usuários com antecedência mínima de 72 horas.
  • Artigo 3º, parágrafo único: a entidade patronal precisa ser notificada com pelo menos 48 horas de antecedência.

Conte 72 horas para trás a partir da manhã de 28 de setembro e o prazo legal de aviso ao passageiro cai na quinta-feira, 25. É essa comunicação que costuma trazer o percentual de frota que vai rodar. Na prática, em greves anteriores de categorias essenciais no DF, o percentual mínimo acabou fixado pela Justiça do Trabalho, quando as partes não se entenderam sozinhas.

Reprodução dos artigos 10, 11 e 13 da Lei 7.783 de 1989, que trata do direito de greve
Os três artigos da Lei de Greve que obrigam o transporte coletivo a manter serviço mínimo e a avisar o passageiro com 72 horas.Arte: SouBrasília sobre o texto publicado no portal do Planalto

Como se preparar antes da segunda-feira

Quem depende de ônibus não precisa esperar o dia da paralisação para se organizar. Três providências resolvem a maior parte do aperto:

  1. Acompanhe o ônibus em tempo real. O aplicativo da Semob mostra a posição do veículo e ajuda a saber se a linha saiu da garagem. Veja o passo a passo em como usar o DF no Ponto para ver o horário do ônibus em tempo real.
  2. Deixe o Cartão Mobilidade carregado. Em dia de fila, o totem mais próximo economiza meia hora. Os endereços estão em onde ficam os totens de recarga do Cartão Mobilidade no DF.
  3. Considere o metrô. A greve aprovada é a dos rodoviários; o Metrô-DF é outra categoria, com negociação própria.

Vale ainda combinar carona com antecedência, checar se o empregador libera trabalho remoto no dia e avisar a escola das crianças. Em paralisações anteriores do transporte no DF, o gargalo apareceu nos terminais das regiões mais distantes, no pico da manhã.

O que acompanhar nos próximos dias

Três sinais dizem se a segunda-feira vai ter ônibus: a convocação de uma nova rodada de negociação entre sindicato, empresas e GDF; o comunicado formal de 72 horas exigido pela lei, que deve sair até quinta-feira; e eventual decisão da Justiça do Trabalho fixando percentual mínimo de frota. O SouBrasília acompanha e atualiza esta página a cada passo.

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