Arrecadação federal bate recorde para maio e chega a R$ 266,8 bilhões

junho 30, 2026
Arrecadação federal bate recorde para maio e chega a R$ 266,8 bilhões

A arrecadação federal alcançou R$ 266,8 bilhões em maio, o maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995. O resultado representa alta real de 10,69% na comparação com maio do ano passado, já descontada a inflação do período.

No acumulado de janeiro a maio, a União recolheu R$ 1,32 trilhão, também recorde para o intervalo. O desempenho robusto da arrecadação ajuda o governo na tarefa de cumprir a meta fiscal do ano, num momento em que as despesas obrigatórias seguem em expansão.

A Receita apontou três fatores principais por trás do número: o aumento das receitas ligadas ao petróleo, o desempenho da atividade econômica e mudanças na tributação adotadas nos últimos anos.

Petróleo e grandes empresas puxam o resultado

O peso do petróleo ficou evidente. A arrecadação relacionada à extração de petróleo e gás natural somou R$ 50,6 bilhões nos cinco primeiros meses do ano, contra apenas R$ 13,2 bilhões no mesmo período de 2025. O salto reflete recolhimentos ligados ao setor e ajustes na cobrança.

Entre os tributos, alguns se destacaram no mês:

  • IRPJ e CSLL, cobrados sobre o lucro das empresas, somaram R$ 36,7 bilhões, com alta real de 33,11% ante maio de 2025. Cerca de R$ 7 bilhões desse total vieram de recolhimentos considerados atípicos, ligados a mudanças na legislação.
  • O IOF alcançou R$ 8,1 bilhões, avanço real de 31,11% na mesma base de comparação, reflexo das alterações recentes nas alíquotas do imposto.

O comportamento da arrecadação mostra que, apesar do ritmo mais lento da economia visto em outros indicadores, a base tributável seguiu firme nos primeiros meses do ano. Lucros corporativos elevados, receita do petróleo e ajustes normativos formaram um trio que empurrou o caixa da União para cima.

Do lado do governo, o recorde é um alento. A meta fiscal do ano depende diretamente do desempenho da receita, já que o espaço para cortar despesas obrigatórias é estreito. Quanto mais forte a arrecadação, menor a pressão para bloqueios e contingenciamentos ao longo do segundo semestre.

Ainda assim, a leitura pede cautela. Parte do resultado veio de receitas atípicas e de fatores que não necessariamente se repetem, como os recolhimentos extraordinários de IRPJ e CSLL e o ganho pontual com o petróleo. Sem esses componentes, o crescimento da arrecadação seria mais modesto.

Para o contribuinte, o número reforça a percepção de uma carga tributária pesada. O país recolhe cada vez mais, e o debate sobre a distribuição dessa conta segue no centro das discussões sobre a reforma tributária, cuja fase de testes avança neste ano.

O dado da arrecadação será cruzado com o resultado das contas públicas do mês, que mostrou déficit primário no governo central, o que evidencia que, mesmo com receita recorde, o desafio fiscal segue do lado das despesas.

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