O zelador Vanderlei Souza Lima, de 53 anos, foi extubado na sexta-feira (21) depois de 14 dias com respiração assistida, mas segue internado em estado grave na UTI do Hospital de Base. Ele foi agredido na quadra 314 da Asa Norte em 7 de agosto.
A informação é da família. Segundo o cunhado do zelador, Jonathan dos Santos Reis, de 48 anos, a equipe médica fez uma traqueostomia antes de retirar o tubo. O procedimento cria uma passagem de ar pelo pescoço até os pulmões e permite reduzir a sedação sem interromper o suporte respiratório.
Vanderlei já movimenta os braços e as pernas e atende a alguns comandos. Não fala, mas reage à presença de familiares durante as visitas.
A melhora veio junto com um problema nos rins
No mesmo dia da extubação, a família recebeu uma notícia ruim. Os médicos informaram que o mau funcionamento dos rins obrigaria o paciente a iniciar hemodiálise.
A complicação renal não é nova no quadro. Ela havia aparecido ainda na primeira semana de internação e foi acompanhada desde então pela equipe do Hospital de Base.
“A médica me disse que a respiração dele é quase toda voluntária, mas o equipamento facilita na respiração”, contou Jonathan dos Santos Reis ao Metrópoles.
Segundo o cunhado, o zelador costuma ficar agitado quando os parentes entram no quarto. “Nesses casos, pedimos para ele se acalmar e daí ele fica mais tranquilo. Também aperta nossa mão quando pedimos”, relatou.
O que aconteceu em 7 de agosto
Vanderlei trabalhava como zelador na quadra 314 Norte quando foi atacado a pauladas por um homem em situação de rua. Ele foi levado ao Hospital de Base e entubado no mesmo dia, com traumatismo craniano.
No dia seguinte, 8 de agosto, a Polícia Militar prendeu o suspeito, Alexandre da Trindade Leite. Ele tem passagens por roubo, lesão corporal, maus-tratos, injúria e difamação. Como não há condenação transitada em julgado, ele segue na condição de suspeito.
O caso mobilizou moradores da Asa Norte, que acompanham a evolução clínica pelas redes sociais e por grupos da quadra.
O que é a traqueostomia e por que ela é usada
A traqueostomia é indicada quando o paciente precisa de suporte respiratório por período prolongado. Em vez do tubo que desce pela boca até a traqueia, abre-se uma via direta no pescoço.
As vantagens clínicas costumam ser estas:
- reduz o desconforto e a necessidade de sedação profunda;
- diminui o risco de lesão nas cordas vocais causado pelo tubo orotraqueal;
- facilita a higiene das vias aéreas e a retirada de secreção;
- permite avançar no desmame do ventilador, com o paciente respirando cada vez mais sozinho.
A retirada da traqueostomia depende da recuperação da força respiratória e do nível de consciência. Não há prazo definido: em casos de trauma craniano, a evolução costuma ser medida em semanas.
Por que a hemodiálise entrou no quadro
A perda de função renal é uma complicação frequente em pacientes de UTI com trauma grave. Ela pode ser desencadeada por queda de pressão, uso prolongado de medicamentos, infecção ou pela própria resposta inflamatória do organismo à lesão.
A hemodiálise substitui temporariamente o trabalho dos rins: uma máquina filtra o sangue, retira o excesso de líquido e as substâncias que o organismo deixou de eliminar. Na maior parte dos casos de UTI, o procedimento é transitório e é interrompido quando a função renal volta.
Não há como estimar duração a partir das informações divulgadas pela família. O prognóstico depende da causa da falha renal e da resposta do paciente nas primeiras semanas.
Como o caso evoluiu
O SouBrasília acompanha o caso desde a agressão. Em 11 de agosto, a reportagem mostrou que o zelador havia apresentado falha renal e poderia precisar de hemodiálise, cenário que se confirmou duas semanas depois.
A família mantém o acompanhamento diário no Hospital de Base. Não há previsão de alta da UTI nem de transferência para enfermaria.
A Polícia Civil apura o caso como tentativa de homicídio. O inquérito segue em andamento e ainda não foi concluído.
O que muda se a vítima não resistir
A classificação do crime depende do desfecho clínico. Enquanto a vítima está viva, a apuração corre como tentativa de homicídio, com pena reduzida em relação ao crime consumado.
Se houver morte em decorrência das lesões, o enquadramento passa a homicídio consumado, e o processo migra para o rito do Tribunal do Júri. A perícia precisa demonstrar o nexo entre a agressão e a causa do óbito.
Circunstâncias como motivo fútil ou impossibilidade de defesa da vítima podem qualificar o crime, o que eleva a pena. A definição cabe ao Ministério Público na denúncia e, depois, ao júri popular.
Nenhuma dessas hipóteses está definida no caso. O suspeito preso responde ao processo e, até decisão condenatória transitada em julgado, é presumido inocente.








