Sebrae: 66% dos pequenos negócios apoiam proibir as bets; 26% citam queda de vendas
Pesquisa do Sebrae com 1.028 empresários mostra 66% a favor do fim das bets e 26% atribuindo queda de faturamento às apostas.

Dois em cada três donos de micro e pequenas empresas do país apoiam a proibição das bets. É o que mostra uma pesquisa do Sebrae divulgada em 19 de outubro, com 1.028 empresários ouvidos nas 27 unidades da Federação: 66% são a favor do fim das apostas on-line (57% totalmente e 8,8% parcialmente) e 23,5% são contra.
O levantamento chega duas semanas depois de os sites de apostas começarem a sair do ar, em 6 de outubro, por força da Medida Provisória 1.394/2026. Para o lojista do DF, o que interessa é o que o estudo diz sobre o caixa do comércio de bairro e sobre o consumo da vizinhança. A nota foi publicada pela Agência Sebrae de Notícias e repercutida pelo Correio Braziliense.
Quanto as apostas pesaram no faturamento
Segundo o Sebrae, 26% dos respondentes atribuíram queda de faturamento nos últimos 12 meses ao avanço das apostas virtuais. Outros 23% não souberam medir a perda, 51% não notaram efeito direto e só 0,2% disseram ter ganhado com o segmento.
Quase metade dos entrevistados, 48%, percebeu pelo menos uma mudança no comportamento do cliente. Os números que o Sebrae detalha:
- 33% citaram menos dinheiro disponível para consumo;
- 18% relataram mais inadimplência ou atraso de pagamento;
- 11,5% notaram mais pedidos de parcelamento ou fiado;
- 10% viram clientes trocando o produto por outro mais barato.
Entre as empresas com funcionários, 40% disseram que a equipe foi afetada. Os comentários dos empresários falam em empregado endividado, pedidos frequentes de adiantamento de salário, aposta durante o expediente e queda de produtividade.
O humor para o que vem é melhor que o do último ano. Perguntados sobre as vendas sem as bets, 38% esperam aumento no faturamento, 42% acham que ficará igual e 0,6% preveem queda. O Sebrae resume a conta em mais de 60 otimistas para cada pessimista. Na nota de 0 a 10 para o efeito do fim das apostas na economia local, a média foi 6, e 24% deram a nota máxima.
O presidente do Sebrae Nacional, Décio Lima, disse que o dinheiro antes destinado às apostas volta ao consumo de bens e serviços e beneficia "o pequeno empreendedor, o comércio do bairro, a padaria, o açougue, o mercadinho", conforme o Correio Braziliense, que ouviu o dirigente.
Quem respondeu e o que a pesquisa não mede
A amostra tem 56% de microempresas, 22,5% de microempreendedores individuais (MEI) e 21,5% de empresas de pequeno porte. Serviços respondem por 53% dos entrevistados, comércio por 29%, indústria e construção por 12,5% e agronegócio por 3%. A região Centro-Oeste, onde fica o DF, tem 6% da amostra; o Sebrae não divulgou um recorte só do Distrito Federal. Pela distribuição regional, 55% dos respondentes são do Sudeste, 22% do Sul, 14% do Nordeste e 3% do Norte.
A pesquisa mede percepção dos empresários, não faturamento auditado: os números de queda de vendas são autodeclarados. O estudo foi feito pelo Sebrae, cujo presidente, nas falas citadas acima, defende a proibição. Em outra nota, de 1º de outubro, a própria agência do Sebrae afirma que o volume de transações com Pix caiu cerca de 10% depois da publicação da MP, dado que o SouBrasília não conferiu em fonte do Banco Central.
A MP 1.394 foi editada em 25 de setembro e prevê a extinção das autorizações das operadoras em 25 de outubro. O texto completo está na Agência Sebrae de Notícias. Quem tem saldo em plataformas de apostas encontra o passo a passo de devolução em nosso guia sobre saldo e prazo nos bancos. Para o dono de MEI endividado, há também a nossa explicação sobre o pacote de perdão de dívidas do MEI.






