Projeto libera pesca artesanal em unidades de conservação

agosto 4, 2026
Redes de pesca artesanal empilhadas em close, com boias brancas e cordas azuis

Um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados autoriza a pesca artesanal dentro de unidades de conservação de uso sustentável em todo o país. O PL 436/26, do deputado AJ Albuquerque (PP-CE), foi apresentado e divulgado pela Agência Câmara em 30 de julho. A única exceção prevista no texto são as Reservas Particulares do Patrimônio Natural, que ficam de fora da autorização.

Pelo texto, a atividade não é liberada de forma automática. Ela precisa observar as diretrizes do plano de manejo de cada área, documento técnico que define o que pode e o que não pode ser feito dentro da unidade.

As exigências para o pescador

O projeto cria uma lista de condições para quem quiser pescar nessas áreas:

  • ter registro ativo no Ministério da Pesca e Aquicultura;
  • comprovar residência ininterrupta de pelo menos cinco anos em município vizinho à unidade ou dentro dela;
  • fazer cadastro no órgão gestor da unidade para obter autorização individual e intransferível;
  • respeitar o número máximo de pescadores e a cota anual de captura, definidos no plano de manejo depois de ouvida a comunidade.

A exigência de residência de cinco anos é o filtro que separa o pescador local do pescador de fora. Na prática, ela impede que a autorização vire porta de entrada para frota de outras regiões dentro de áreas protegidas.

O que são unidades de uso sustentável

A legislação brasileira divide as unidades de conservação em dois grupos. As de proteção integral, como parques nacionais e estações ecológicas, admitem apenas uso indireto dos recursos naturais, o que inclui visitação e pesquisa. As de uso sustentável, alcançadas pelo projeto, permitem exploração de recursos desde que compatível com a conservação. Entram nesse grupo as reservas extrativistas, as reservas de desenvolvimento sustentável, as florestas nacionais e as áreas de proteção ambiental.

Em boa parte dessas unidades a pesca artesanal já é praticada, muitas vezes por comunidades que viviam ali antes da criação da área protegida. O que o projeto pretende é dar previsão legal expressa à atividade, hoje regulada caso a caso pelo plano de manejo e por atos do órgão gestor.

O argumento do autor

Na justificativa, AJ Albuquerque afirma que a proposta busca compatibilizar a conservação ambiental com a justiça social e o reconhecimento dos direitos das comunidades tradicionais. O deputado trata a pesca artesanal como atividade de subsistência de populações que dependem do recurso e que, sem regra clara, ficam expostas a autuação.

Por onde o texto passa

O PL 436/26 será analisado em caráter conclusivo por três comissões:

  1. Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural;
  2. Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável;
  3. Constituição e Justiça e de Cidadania.

Caráter conclusivo significa que o texto pode ser aprovado pelas comissões sem passar pelo Plenário da Câmara, a menos que haja recurso de parlamentares. Depois disso, ainda precisa ser aprovado pelo Senado para virar lei.

O debate sobre o alcance da atividade econômica dentro de áreas protegidas tende a se repetir na comissão de Meio Ambiente, que costuma ser a etapa mais disputada desse tipo de proposta. Outros projetos que mexem com o uso do território seguem o mesmo caminho no Congresso.

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