Mães de crianças desaparecidas cobram na Câmara a atuação da Polícia Federal
Famílias de quatro crianças desaparecidas no MA, RJ e PA relataram falhas nas investigações. O deputado Fernando Rodolfo quer permitir que a PF atue nos casos.

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Mães de quatro crianças desaparecidas no Maranhão, no Rio de Janeiro e no Pará relataram à Câmara dos Deputados que não conseguem acompanhar as investigações e pediram que a Polícia Federal assuma os casos. A audiência ocorreu na quarta-feira, 21, na Comissão Externa de Prevenção e Enfrentamento da Violência Sexual Infantojuvenil, segundo a Agência Câmara.
O coordenador do colegiado, deputado Fernando Rodolfo (PRD-PE), disse que pretende apresentar uma proposta legislativa para permitir que a PF atue nesse tipo de caso "sem burocracia", conforme a agência.
Os quatro casos levados à comissão
Em Bacabal (MA), os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desapareceram em janeiro deste ano em uma área de quilombo na zona rural. A mãe, Clarice Cardoso, contou que, nove meses depois, o inquérito ainda não foi concluído.
No Rio, Edson Davi, de 6 anos, sumiu em janeiro de 2024 na praia da Barra da Tijuca. A investigação oficial trabalha com a hipótese de afogamento, o que a mãe, Marize Araújo, contesta. Ela afirmou que a polícia descartou suspeitos sem investigar e que as câmeras da praia estavam desligadas. "Há quase três anos, eu venho lutando por uma investigação digna, justa, com compaixão", disse.
No Pará, José Arthur Souza Barros desapareceu em março de 2026, em Eldorado do Carajás. A mãe, Geycyara Souza Gonçalves, disse que não recebe respostas satisfatórias.
O que os advogados pediram
A advogada Nathaly Moraes, que representa a família dos irmãos de Bacabal, avalia que as crianças podem ter sido vítimas de uma quadrilha de tráfico humano. Ela lembrou que a polícia indicou, no início, duas linhas: as crianças teriam se perdido na mata ou teriam sido vendidas.
"Se eles [policiais civis] estão entendendo que a mãe vendeu as crianças, estamos falando de tráfico de pessoas. E, se estamos falando de tráfico de pessoas, por que não houve naquele momento um pedido de cooperação com a Polícia Federal?", questionou.
Segundo Nathaly Moraes, a culpabilização das mães é comum em casos parecidos e pode atrasar o andamento das investigações. Ela pediu a federalização dos casos de desaparecimento de crianças.
O advogado Elisson Araújo, da família de José Arthur, defendeu que o problema é estrutural e que sequestradores se aproveitam da vulnerabilidade das famílias. Sugeriu coletar a biometria facial das crianças ao nascer, para dificultar a falsificação de documentos, e integrar as forças de segurança para que informações circulem rápido.
O que acontece agora
O que uma comissão da Câmara pode fazer é propor mudança na lei. A ideia citada por Rodolfo é dar à PF competência para atuar nesses casos sem depender de procedimentos que as famílias consideram lentos. A Agência Câmara não informa prazo nem o número de um projeto: a proposta ainda será apresentada.
Outras propostas sobre crianças tramitam na Casa, como o PL 3059/2026, que proíbe indulto e perdão judicial em crimes contra crianças, e o PL 3153/2026, que cria um cadastro nacional de crianças e adolescentes órfãos.
No DF, o desaparecimento de criança ou adolescente pode ser comunicado à polícia pelo telefone 190. O Disque 100, canal do governo federal para violações de direitos humanos, também recebe denúncias.
A comissão externa deve continuar acompanhando os quatro casos, segundo o deputado Fernando Rodolfo. As audiências e os projetos do colegiado ficam publicados no portal da Câmara dos Deputados.






