ter, 27 out

Câncer de mama: mulheres negras morrem 3,8 vezes mais que brancas, aponta o Inca

Publicação do Inca lançada no Outubro Rosa mostra que mulheres negras morrem 3,8 vezes mais de câncer de mama, apesar de terem menos casos.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Laço rosa do Outubro Rosa sobre fundo claro e rosa (foto ilustrativa)
Foto: Tara Winstead/Pexels

Mulheres negras têm taxa de mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior que a das mulheres brancas, segundo publicação do Instituto Nacional de Câncer (Inca) lançada nesta terça-feira, 27, no Rio de Janeiro. Para o Inca, parte da diferença está no acesso ao exame e ao tratamento.

O levantamento se chama Disparidades Raciais na Incidência do Câncer de Mama e é o primeiro volume de uma série sobre a saúde das mulheres negras. Foi apresentado durante o Outubro Rosa, no Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra, e divulgado pela Agência Brasil.

Por que a incidência é menor e a mortalidade, maior?

O estudo mostra que as mulheres brancas têm mais casos da doença. Mesmo assim, as negras morrem mais. A coordenadora da divisão de detecção precoce do Inca, Renata Maciel, atribui a diferença, em parte, ao acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento.

Ela cita dois pontos. O primeiro é o subtipo triplo negativo, considerado mais grave, que tem incidência maior entre mulheres negras. O segundo é o rastreamento: a análise considerou mulheres de 50 a 69 anos, e as brancas fazem mais exames preventivos nessa faixa. "As mulheres brancas fazem mais esses exames preventivos nessa faixa etária", afirmou.

O diretor-geral do Inca, Roberto Gil, leu os números da mesma forma: a doença pode ser biologicamente mais agressiva nas mulheres negras, e o acesso menor aos serviços leva a diagnóstico mais tardio. "O estudo mostra a necessidade de construir políticas públicas com equidade, possibilitando acesso uniforme de todas as populações aos serviços de saúde", disse.

A publicação lista desigualdades socioeconômicas, dificuldade de acesso aos serviços e estresse ligado às condições de vida entre os fatores que podem contribuir para as disparidades. Também menciona ancestralidade e genética como pontos a investigar.

Entre as recomendações estão fortalecer a prevenção e reduzir fatores de risco que podem ser modificados, como obesidade e consumo de bebida alcoólica. Gil afirmou que as mulheres negras estão consumindo mais álcool que as de outras etnias, e que o álcool tem relação com o câncer de mama. O texto ainda recomenda alimentação saudável, atividade física e amamentação.

Os números gerais da doença no país, segundo a reportagem: é o câncer mais incidente entre as mulheres, cerca de quatro em cada cinco diagnósticos ocorrem a partir dos 50 anos, e aproximadamente 17% dos casos podem ser evitados com hábitos saudáveis.

Onde fazer a mamografia no DF

O Inca, fonte do estudo, fica no Rio e não define a rede do DF. Para saber onde marcar o exame pelo SUS, veja o guia do SouBrasília sobre mamografia e tratamento de câncer de mama no DF. Quem já tem diagnóstico encontra os prazos legais para começar o tratamento em direitos da paciente com câncer de mama.

A Agência Brasil não informa quando saem os próximos volumes da série do Inca.

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