ter, 13 out
Saúde

Câncer de mama em homens: quase 30% chegam ao diagnóstico já com metástase

Levantamento da SBRT com dados do Inca mostra que 30% dos homens com câncer de mama chegam ao estágio IV, contra 26% das mulheres. Veja os sinais de alerta.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Três laços de fita nas cores rosa e vermelho sobre fundo rosa, símbolo da campanha Outubro Rosa
Foto: Pexels
Neste texto4 tópicos
  1. Em que estágio o homem descobre a doença
  2. Por que o diagnóstico demora
  3. Sinais que merecem consulta
  4. Tratamento e sobrevida

Homens também têm câncer de mama e, quando recebem o diagnóstico, a doença costuma estar mais avançada do que nas mulheres. O alerta é da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), divulgado nesta terça-feira (13) dentro da campanha do Outubro Rosa, com base em dados do Inca.

O levantamento da entidade reuniu os Registros Hospitalares de Câncer (RHC) do Instituto Nacional de Câncer entre 2020 e 2023. Foram mais de 163 mil registros de câncer de mama no período, dos quais 2.126 em homens, ou 1,30% do total.

Em que estágio o homem descobre a doença

A SBRT separou os casos por estadiamento, a escala que vai do estágio 0 (tumor restrito) ao IV (com metástase). Entre os pacientes com estágio registrado, os números ficaram assim:

EstágioHomensMulheres
016,82%12,78%
I3,41%5,45%
II17,48%20,20%
III32,34%35,15%
IV29,95%26,42%

Somados, os estágios III e IV (quadros avançados) concentram 62,29% dos casos masculinos e 61,57% dos femininos. A diferença real aparece no estágio IV, o da metástase: quase 30% dos homens chegam a ele, contra 26% das mulheres. No estágio I, o mais favorável ao tratamento, os homens são 3,41% e as mulheres, 5,45%.

Por que o diagnóstico demora

Para a rádio-oncologista Denise Ferreira, diretora de comunicação da SBRT, a causa principal é o desconhecimento de que homens podem desenvolver a doença. "Muitos demoram a procurar atendimento ao perceber alterações na região", afirma. Há também um fator anatômico: com pouco tecido mamário, o tumor pode atingir a pele ou os músculos do peito mesmo quando ainda é pequeno.

O presidente da entidade, Wilson José de Almeida Jr., resume o recado da campanha: o câncer de mama pode acometer homens e ser letal nos casos mais avançados.

A doença é rara nesse grupo, menos de 1% dos casos de câncer de mama, porque os homens têm menos tecido mamário e menor exposição ao estrogênio, hormônio ligado ao surgimento de muitos tumores. Segundo a médica, mutações genéticas hereditárias, obesidade, histórico familiar e alterações hormonais aumentam o risco.

Sinais que merecem consulta

  • caroço no peito, mesmo pequeno e sem dor;
  • alteração no mamilo, como retração ou ferida;
  • secreção pelo mamilo, principalmente com sangue.

Qualquer um desses sinais deve ser investigado por um médico, orienta a SBRT. O passo a passo da rede pública para mamografia e tratamento está em câncer de mama no DF: onde fazer mamografia e como é o tratamento, e os prazos garantidos por lei estão em câncer de mama: os prazos de 30 e 60 dias e outros direitos.

Tratamento e sobrevida

Quando a doença está localizada, a cirurgia costuma ser o principal tratamento, para homens e mulheres. Conforme as características do tumor, ela pode vir associada a terapia hormonal, quimioterapia e radioterapia. A radioterapia, segundo Denise Ferreira, tem papel importante depois da cirurgia, para reduzir o risco de a doença voltar na região tratada, e hoje as técnicas protegem melhor o tecido saudável.

A sobrevida relativa em cinco anos de homens com câncer de mama é superior a 80% considerando todos os estágios, informou a médica, e pode passar de 95% quando o tumor é identificado ainda restrito à mama. É o argumento da SBRT para procurar atendimento cedo: o diagnóstico tardio é o que mais pesa contra o paciente.

Em escala nacional, o Inca estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Desses, 78.610 são de mama, cerca de 10% do total. Entre as mulheres, é o tipo mais incidente, com 30% dos casos novos estimados, sem contar os tumores de pele não melanoma.

Fonte: Agência Brasil (13/10/2026), com dados da Sociedade Brasileira de Radioterapia e do Inca.

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