Manter uma rotina de exercício durante o tratamento contra o câncer é seguro para a maioria dos pacientes e ajuda a reduzir a fadiga, um dos sintomas mais frequentes de quem passa por quimioterapia, radioterapia ou terapia hormonal. A orientação está em documento técnico do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e vem sendo reforçada por pesquisas brasileiras apresentadas em congressos internacionais.
O material foi elaborado pelo INCA em parceria com a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e a Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde (SBAFS). O público-alvo são profissionais de saúde que atendem pessoas com mais de 18 anos em tratamento oncológico ou já tratadas.
A prática de atividades físicas/exercícios físicos durante o tratamento oncológico é segura e tolerável, e apresenta baixo risco de eventos adversos.
A conclusão importa porque contraria uma crença comum entre pacientes e familiares: a de que repouso absoluto seria a conduta mais prudente durante o tratamento. O que a literatura mostra é o contrário. A inatividade prolongada agrava a perda de massa muscular e alimenta o cansaço que o paciente tenta evitar.
A fadiga é o alvo
Pesquisadores brasileiros que acompanharam pessoas em tratamento de cânceres de próstata e de bexiga relataram, em estudo apresentado em congresso norte-americano, que os pacientes que se exercitavam registravam melhor qualidade de vida. O efeito aparecia sobretudo pela redução da fadiga: quanto maior a adesão ao programa de exercícios, maior a queda no cansaço relatado e melhor a avaliação da própria qualidade de vida.
A fadiga relacionada ao câncer não é o cansaço comum de fim de dia. Ela não passa com repouso, atrapalha tarefas simples como tomar banho e cozinhar e costuma persistir por meses depois do fim do tratamento. Por isso entrou no radar das equipes de oncologia como sintoma a ser tratado, e não apenas tolerado.
O que observar antes de começar
A recomendação vale para programas orientados, não para treino por conta própria. O tipo de câncer, o estágio da doença, o tratamento em curso e as condições clínicas do paciente mudam o que pode ser feito.
- Converse com a equipe de oncologia antes de iniciar qualquer programa, especialmente em caso de metástase óssea, anemia importante ou plaquetas baixas
- Comece pelo que é tolerável, como caminhadas curtas, e aumente conforme a resposta do corpo
- Combine trabalho aeróbico e de força, que atuam sobre resistência e massa muscular
- Evite treinar em dias de febre, infecção ou logo após sessões que causaram náusea intensa
- Respeite os sinais de alerta: dor no peito, tontura, falta de ar desproporcional ao esforço e queda pedem interrupção e avaliação médica
Onde procurar acompanhamento no DF
Pacientes atendidos na rede pública podem pedir encaminhamento para as equipes de reabilitação vinculadas ao serviço de oncologia onde fazem o tratamento. Hospitais de referência costumam contar com fisioterapeutas e profissionais de educação física integrados ao cuidado, e a orientação parte da própria equipe que acompanha o caso.
Na rede privada, a cobertura de sessões de fisioterapia e reabilitação está prevista no rol de procedimentos e varia conforme o plano. Vale confirmar as regras com a operadora antes de iniciar, para não interromper o programa no meio. O acesso ao tratamento oncológico no país é tema recorrente no debate sobre a expansão do número de beneficiários de planos de saúde.
A orientação final dos especialistas é conservadora na forma e clara no conteúdo: alguma atividade é melhor que nenhuma, e o programa precisa ser desenhado para a pessoa, não para a doença.
Perguntas frequentes
Quem faz tratamento contra o câncer pode se exercitar?
Na maioria dos casos, sim. Documento do INCA com SBOC e SBAFS afirma que a prática durante o tratamento oncológico é segura e tolerável, com baixo risco de eventos adversos. A liberação e o tipo de exercício devem ser definidos pela equipe que acompanha o paciente.
Qual o principal benefício comprovado?
A redução da fadiga relacionada ao câncer, que por sua vez melhora a qualidade de vida. Também há ganhos no estado psicossocial e na funcionalidade física.
É preciso ir à academia?
Não. Caminhadas e exercícios de baixa complexidade já entram na conta. O que a recomendação exige é orientação profissional, não equipamento sofisticado.
Em quais situações o exercício deve ser evitado?
Em quadros de febre, infecção ativa, anemia importante, plaquetas baixas e metástase óssea, entre outros. Nesses casos a avaliação médica é obrigatória antes de qualquer atividade.
Quem elaborou as recomendações brasileiras?
O INCA, em parceria com a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e a Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde (SBAFS).








