ter, 29 set
Saúde

Cirurgia de mama no SUS cresce 54% em dez anos; veja quem tem direito

As cirurgias plásticas de mama feitas pelo SUS passaram de 9 mil em 2016 para 14.213 em 2025, alta de 54,3%. A maior parte não é estética: são reconstruções e correções com indicação médica.

Por Redação Sou Brasília 4 min de leitura
Instrumentos cirurgicos dispostos sobre campo azul em sala de cirurgia, com mao enluvada ao fundo
Neste texto5 tópicos
  1. A maioria não é estética
  2. Quem tem direito pelo SUS
  3. Onde as cirurgias acontecem
  4. O que fazer se o encaminhamento não sai
  5. Perguntas frequentes

As cirurgias plásticas de mama realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) cresceram 54,3% em dez anos, de 9 mil procedimentos em 2016 para 14.213 em 2025. Os números são de levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, regional Rio de Janeiro, apresentado durante a 45ª Jornada Carioca de Cirurgia Plástica e divulgado pela Agência Brasil.

No período completo, entre 2016 e 2025, o SUS registrou 90.648 internações para esse tipo de operação. O menor volume foi em 2020, primeiro ano da pandemia, com 4.547 procedimentos, quando cirurgias eletivas foram suspensas em boa parte do país.

A maioria não é estética

O dado que costuma passar despercebido está na composição: 74.619 registros, ou 82,3% do total, correspondem a plástica mamária feminina não estética. É a categoria que reúne cirurgias com indicação médica para corrigir deformidades congênitas, assimetrias importantes, hipertrofia mamária associada a dor e limitação física, e sequelas de doenças ou de tratamentos.

O restante se distribui entre procedimentos de reconstrução ligados ao câncer de mama:

  • 12.600 internações para reconstrução pós-mastectomia com implante de prótese;
  • 3.429 internações para reconstrução pós-mastectomia total.

A mastectomia é a retirada cirúrgica da mama, indicada em parte dos casos de câncer. A reconstrução devolve o volume e o contorno da região, com prótese ou com tecido da própria paciente.

Quem tem direito pelo SUS

A reconstrução mamária após mastectomia por câncer é garantida por lei federal a toda paciente atendida pelo SUS, sem custo. A legislação determina ainda que a reconstrução seja feita no mesmo ato cirúrgico da retirada, quando houver condições técnicas para isso. Quando não há, a paciente tem direito ao procedimento em uma segunda etapa, e o encaminhamento deve partir do serviço que fez o tratamento.

Na prática, o caminho começa na unidade básica de saúde ou no ambulatório de mastologia que acompanha o caso. É de lá que sai o encaminhamento para o serviço de cirurgia plástica reparadora. Quem já passou pela mastectomia há anos e não fez a reconstrução também pode pedir o procedimento.

Onde as cirurgias acontecem

A distribuição mostra uma concentração regional que não acompanha a população. O Sudeste responde por 50.848 internações, 56,1% de todos os procedimentos mamários não estéticos e reconstrutivos feitos pelo SUS no período. Só São Paulo soma 30.265, um terço do total nacional.

Veja como ficam os demais estados de maior volume e as regiões:

  • São Paulo: 30.265
  • Minas Gerais: 9.836
  • Rio de Janeiro: 9.115
  • Rio Grande do Sul: 6 mil
  • Bahia: 5.731
  • Nordeste: 15.985
  • Sul: 9.098
  • Centro-Oeste: 5.695
  • Norte: 3.022

O Centro-Oeste, onde está o Distrito Federal, aparece com 5.695 internações no período, à frente apenas do Norte. A diferença regional tem relação com a oferta de serviços habilitados em cirurgia plástica reparadora, que se concentram em hospitais de referência e universitários.

O que fazer se o encaminhamento não sai

Quando o serviço não dá andamento ao pedido, a paciente pode acionar a ouvidoria da secretaria de saúde do seu estado ou do Ministério da Saúde, pelo Disque 136. No Distrito Federal, o registro pode ser feito também na Ouvidoria da Secretaria de Saúde, pelo 162.

O diagnóstico precoce continua sendo o fator que mais muda o desfecho no câncer de mama. A mamografia é oferecida pelo SUS e a recomendação do Ministério da Saúde é de exame a cada dois anos para mulheres de 50 a 69 anos, com avaliação individual fora dessa faixa quando há fatores de risco.

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Perguntas frequentes

A reconstrução de mama é gratuita pelo SUS?

Sim. A reconstrução mamária após mastectomia por câncer é garantida por lei federal a toda paciente atendida pelo SUS, sem custo.

Quanto cresceram as cirurgias de mama no SUS?

O volume passou de 9 mil procedimentos em 2016 para 14.213 em 2025, alta de 54,3%, segundo levantamento da SBCP-RJ.

A maior parte dessas cirurgias é estética?

Não. 82,3% dos registros são de plástica mamária feminina não estética, com indicação médica, e o restante é reconstrução ligada ao câncer.

Quem fez mastectomia há anos ainda pode pedir a reconstrução?

Sim. O pedido deve ser feito no serviço que acompanha o caso, que encaminha para a cirurgia plástica reparadora.

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