A balança comercial brasileira chegou ao fim do primeiro semestre com folga. No acumulado do ano até a terceira semana de junho, o saldo positivo somou US$ 40,3 bilhões, avanço de 41,6% ante o mesmo período de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
As exportações puxaram o resultado. De janeiro até a terceira semana de junho, o país embarcou US$ 174,18 bilhões, crescimento de 11,5%. As importações subiram menos, 4,8%, e totalizaram US$ 133,88 bilhões. A diferença entre o que entra e o que sai de dólares no comércio de bens é o que sustenta o superávit e ajuda a segurar a pressão sobre o câmbio.
Junho reforçou a tendência. Só no mês, até a terceira semana, as exportações somavam US$ 25,6 bilhões, com alta de 26% na comparação anual, contra US$ 18 bilhões em importações. O saldo parcial do mês ficou em US$ 7,6 bilhões.
Minério e petróleo lideram os embarques
O detalhamento por setor mostra de onde vem o fôlego das vendas externas. A indústria extrativa, que reúne minério de ferro e petróleo bruto, disparou 70,3% em junho, para US$ 7,47 bilhões. A agropecuária subiu 21,9%, a US$ 5,89 bilhões, e a indústria de transformação avançou 10%, para US$ 12,12 bilhões.
- Indústria extrativa: US$ 7,47 bilhões (+70,3%)
- Indústria de transformação: US$ 12,12 bilhões (+10%)
- Agropecuária: US$ 5,89 bilhões (+21,9%)
A corrente de comércio, soma de exportações e importações, chegou a US$ 43,6 bilhões até a terceira semana de junho, sinal de atividade aquecida nas duas pontas.
“O resultado consolida a trajetória de superávits elevados e coloca a meta anual ao alcance”, resumiu a área técnica do MDIC ao apresentar os números parciais do mês.
Para o fechamento de 2026, a estimativa oficial aponta superávit de US$ 72,1 bilhões. Se confirmado, o número ficaria entre os maiores já registrados pela série, ainda que abaixo do pico observado em anos de preços de commodities muito elevados.
O saldo comercial tem peso direto na economia do dia a dia. Quando entram mais dólares do que saem, há mais oferta da moeda americana no mercado interno, o que tende a favorecer o real e, por consequência, a inflação de itens importados e de combustíveis. O desempenho do agronegócio, com safra de grãos apontando para novo recorde, deve manter a oferta de divisas firme no segundo semestre.
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