Anvisa aprova os dois primeiros genéricos de liraglutida do país
Registro dos dois genéricos da EMS saiu no Diário Oficial desta terça (8). São canetas injetáveis de uso diário para controle de peso e diabetes tipo 2.

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A Anvisa aprovou os dois primeiros medicamentos genéricos de liraglutida do Brasil. O registro dos dois produtos, do laboratório EMS, foi publicado nesta terça-feira (8) no Diário Oficial da União e vale para canetas injetáveis de aplicação diária.
A liraglutida é a substância usada em canetas indicadas para o controle de peso e para o tratamento do diabetes tipo 2. Uma das versões aprovadas tem indicação para obesidade e a outra para o controle da glicemia, as duas na concentração de 6 mg/mL. O medicamento age reduzindo o apetite e ajudando a equilibrar o açúcar no sangue.
Os dois genéricos têm como referência produtos que a própria EMS já comercializa no país: o Olire, voltado ao controle de peso em adultos e adolescentes, e o Lirux, focado no gerenciamento da glicemia. Na prática, é a primeira vez que a liraglutida passa a ter versão genérica registrada no mercado brasileiro.
O que muda para quem usa a caneta
Genérico é o medicamento que tem o mesmo princípio ativo, a mesma dose e a mesma indicação do produto de referência, sem marca comercial própria. A entrada de versões genéricas costuma ampliar a oferta e pressionar o preço do tratamento para baixo, embora o valor final nas farmácias dependa do fabricante e do ponto de venda.
Para o morador do Distrito Federal, a diferença aparece no balcão: a liraglutida é vendida apenas com receita médica, e o novo registro não altera essa exigência. O que muda é a possibilidade de encontrar uma alternativa sem marca para a mesma substância.
Vale separar as moléculas, porque elas não são intercambiáveis:
- Liraglutida: aplicação diária. É a que acaba de ganhar genéricos.
- Semaglutida: algumas apresentações são de aplicação semanal. A Anvisa já registrou versões genéricas ao longo de 2026.
- Tirzepatida: também tem apresentações de uso semanal.
A troca entre uma substância e outra, ou entre a versão de marca e a genérica, é decisão médica. A Anvisa registra o produto, não prescreve o tratamento.
O mercado das canetas cresceu em 2026
O registro da liraglutida genérica chega depois de um ano de aprovações seguidas nessa classe de medicamentos. Em agosto, a agência já havia liberado a primeira caneta genérica de semaglutida do país, também da EMS.
A procura por esses produtos aumentou junto com o uso fora da indicação original. As canetas nasceram como tratamento para diabetes tipo 2 e passaram a ser buscadas por quem quer emagrecer, o que levou a agência a discutir regras específicas para a manipulação dessas substâncias.
O uso sem acompanhamento tem efeito conhecido. Além dos efeitos adversos gastrointestinais, a perda de peso rápida sem ajuste de dieta e de atividade física pode vir acompanhada de perda de massa muscular, quadro que a literatura médica associa ao risco de sarcopenia em pacientes mais velhos.
O que fazer agora
Quem já usa liraglutida não precisa mudar nada por causa do registro. A recomendação padrão é consultar o médico responsável antes de trocar de apresentação, porque a dose e o esquema de aplicação seguem sendo individuais.
A publicação no Diário Oficial é o passo que autoriza a fabricação e a venda. A chegada às prateleiras depende do cronograma de produção e de distribuição do laboratório, que não foi divulgado junto com o registro.






