O eleitorado com 60 anos ou mais do Distrito Federal chegou a 459.618 pessoas em 2026, cerca de 20% do total apto a votar, e mantém presença nas urnas mesmo na faixa em que o voto deixa de ser obrigatório. Os números são do Tribunal Superior Eleitoral e foram divulgados nesta quinta-feira (13) pelo Correio Braziliense.
A Constituição torna o voto facultativo a partir dos 70 anos. Somadas as faixas divulgadas pelo TSE, o DF tem 204.716 eleitores nessa condição: 83.697 entre 70 e 74 anos, 57.624 entre 75 e 79, 33.858 entre 80 e 84 e 29.537 com 85 anos ou mais. É um contingente maior que o eleitorado de muitas cidades médias brasileiras, e que continua comparecendo por decisão própria.
O eleitorado idoso dobrou em doze anos
A série histórica mostra crescimento contínuo. Em 2014, o DF tinha 222.135 eleitores com 60 anos ou mais. O número subiu para 299.242 em 2018, chegou a 370.695 em 2022 e alcançou 459.618 neste ano. Em doze anos, o grupo mais que dobrou.
O movimento acompanha a transição demográfica brasileira, mas tem peso eleitoral próprio. Quase metade dos aptos a votar em 2026 no Distrito Federal tem mais de 45 anos, o que desloca o centro de gravidade das campanhas para pautas que essa faixa acompanha de perto: saúde pública, previdência, segurança e custo de vida.
Para o advogado eleitoral Newton Lins, ouvido pelo Correio, trata-se de um eleitor que acompanha política e valoriza estabilidade, perfil diferente do eleitor jovem que decide o voto mais próximo do dia da eleição.
O outro lado do dado: desinformação
O crescimento desse grupo veio acompanhado de um problema. O especialista em risco político Eduardo Galvão, também ouvido pela reportagem, observa que muitos idosos usam aplicativos de mensagem sem ter desenvolvido as habilidades para identificar conteúdo falso. É o público que mais recebe corrente eleitoral por mensagem privada, ambiente onde a checagem é mais difícil que nas redes abertas.
Em 2026, o tema ganha camada nova. A Resolução TSE 23.755/2026 exige rotulagem obrigatória de conteúdo produzido com inteligência artificial em propaganda eleitoral. Vídeos e áudios sintéticos que imitam voz e rosto de candidatos são o formato que mais circula em grupos fechados de família.
O que o eleitor com mais de 70 anos precisa saber
- O voto é facultativo a partir dos 70 anos completos até a data da eleição. Quem não votar não precisa justificar nem paga multa
- Quem quiser votar não precisa de nenhum requerimento prévio: basta comparecer à seção com documento oficial com foto
- O título de eleitor não é obrigatório na hora de votar, mas o documento com foto é
- Eleitores com dificuldade de locomoção têm prioridade na fila e podem contar com auxílio de pessoa de confiança dentro da cabine, mediante autorização do presidente da mesa
- Quem tem deficiência ou mobilidade reduzida pode solicitar transferência para seção com acessibilidade, procedimento feito no cartório eleitoral
A situação eleitoral, o local de votação e a existência de pendências podem ser consultados no aplicativo e-Título ou no site do Tribunal Superior Eleitoral. Idosos que deixaram de votar em eleições anteriores, quando o voto ainda era obrigatório para eles, podem ter título irregular e devem checar a situação antes do pleito.
Onde está concentrado esse eleitorado
Dentro do grupo de 60 anos ou mais, a maior fatia está nas faixas mais jovens: 148.034 eleitores têm entre 60 e 64 anos e 108.175 estão entre 65 e 69. Juntas, as duas faixas somam 256.209 pessoas que ainda votam sob obrigatoriedade. É a partir dos 70 que o comparecimento passa a depender só da vontade de cada um, e é aí que o dado ganha significado político.
Eleitor que vai à urna sem ser obrigado costuma ter decisão mais firme e menos suscetível a oscilação de última hora. Para campanha distrital, que se elege com poucos milhares de votos, esse comportamento importa: a base fiel vale mais que a intenção declarada de quem pode não comparecer.
As eleições de 2026 serão em outubro, com primeiro turno no dia 4 e eventual segundo turno em 25 de outubro. No Distrito Federal, o eleitor escolhe presidente, governador, senador, deputado federal e deputado distrital. São seis votos na urna, sequência que costuma gerar dúvida na cabine e que vale conferir antes de sair de casa, com a lista de números anotada em papel.
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