Cappelli usa slogan do GDF e Celina responde: ‘que fixação por mim’

agosto 7, 2026
Ricardo Cappelli, candidato do PSB ao Governo do Distrito Federal, durante coletiva de imprensa

O candidato do PSB ao Governo do Distrito Federal, Ricardo Cappelli, passou a usar nas redes sociais a expressão “Coragem para mudar”, que é a primeira metade do slogan oficial do GDF, e a governadora Celina Leão (PP) respondeu com ironia. O caso foi revelado nesta quinta-feira (6/8) pela coluna Grande Angular, do Metrópoles, e virou munição entre as duas campanhas a menos de duas semanas do prazo final de registro das candidaturas.

A frase completa adotada pelo governo é “Coragem para mudar, propósito para cuidar”. Ela entrou na comunicação oficial em abril de 2026, quando Celina Leão assumiu o Buriti em definitivo e mudou a identidade visual do GDF, com o ipê passando a ser exibido na cor roxa. Cappelli publicou a primeira parte da frase no Instagram e no perfil do X.

A resposta dos dois lados

Questionado sobre a coincidência, o candidato do PSB inverteu a acusação e disse que o copiado foi ele. Ao comentar a mudança prometida pelo governo, usou um trocadilho com os nomes da governadora e do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), de quem ela foi vice.

Mudar? É piada? Celineis. Celina é continuidade de Ibaneis. Quer enganar o povo.

A governadora respondeu no mesmo tom, tratando o episódio como sinal de que o adversário acompanha de perto a gestão que pretende substituir.

Gosta tanto do meu governo que copia o nosso slogan para usar na sua campanha. Meu Deus, que fixação por mim.

Não há, até aqui, questionamento formal do caso na Justiça Eleitoral. Slogan de governo não é marca registrada de partido, e a legislação eleitoral trata do uso da estrutura pública em campanha, não da repetição de uma frase publicitária por adversário.

O histórico na Justiça Eleitoral

A campanha de Cappelli já chegou ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) mais de uma vez neste ano, e nas duas ocasiões o resultado foi favorável ao candidato do PSB.

  • Em julho, o tribunal decidiu que críticas dele ao GDF não violam a legislação eleitoral.
  • Em agosto, o TRE-DF derrubou a ordem que mandava o candidato excluir um vídeo produzido com inteligência artificial.
  • Também foi negado um pedido para multá-lo por propaganda antecipada.

As decisões ajudam a explicar o tom da disputa: sem barreira judicial ao conteúdo publicado, a briga se dá no terreno da comunicação, e a apropriação de uma frase do governo é exatamente esse tipo de disputa.

Como está o tabuleiro do GDF

Cappelli foi oficializado candidato na convenção do PSB em 4 de agosto e mantém candidatura própria, fora do arco montado à esquerda. No dia 5, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, lançou Leandro Grass ao GDF, com a distrital Dora Gomes (PV) como vice, e a deputada federal Erika Kokay (PT) ao Senado. O PSB não aderiu.

A divisão aparece nos números. Na pesquisa Correio/Opinião divulgada em 5 de agosto, no cenário estimulado, Celina Leão marcou 32,4%, o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) 24%, Grass 9,8% e Cappelli 4,3%. O levantamento ouviu 1.109 moradores de 31 regiões administrativas entre 30 de julho e 1º de agosto, tem margem de erro de 3,3 pontos percentuais e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número DF-04077/2026.

Somados, Grass e Cappelli chegam a 14,1%, ainda distantes da governadora. O efeito prático da fragmentação vai além da intenção de voto: cada chapa disputa separadamente o tempo de propaganda em rádio e televisão, distribuído conforme o desempenho dos partidos na eleição anterior para a Câmara dos Deputados.

O que vem pela frente

O prazo das convenções partidárias se encerrou em 5 de agosto. O registro das candidaturas na Justiça Eleitoral vai até 15 de agosto, quando o quadro fica formalmente fechado, com as chapas majoritárias e proporcionais definidas. A propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão começa depois disso, e é nela que o repertório de frases de cada campanha passa a circular em horário fixo.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e o eventual segundo turno para 25 de outubro. Até lá, a governadora disputa a reeleição tendo Gustavo Rocha (Republicanos) como vice. Também estão na corrida Paula Belmonte (PSDB), Kiko Caputo (Novo), Rico Pinheiro (PRTB) e Elisson Ferreira (Agir), entre outros nomes.

Leia também: a convenção que lançou Leandro Grass ao GDF e a última pesquisa Correio/Opinião.

Perguntas frequentes

Qual é o slogan do GDF em 2026?

A frase oficial do governo é ‘Coragem para mudar, propósito para cuidar’, adotada em abril de 2026, quando a identidade visual do GDF foi alterada e o ipê passou a ser exibido em roxo.

O que Ricardo Cappelli publicou?

O candidato do PSB ao GDF passou a usar a expressão ‘Coragem para mudar’, primeira parte do slogan oficial, em publicações no Instagram e no X. O caso foi revelado em 6 de agosto de 2026 pela coluna Grande Angular, do Metrópoles.

Usar o slogan do governo em campanha é proibido?

Não há questionamento formal do caso na Justiça Eleitoral até o momento. A legislação eleitoral trata do uso da estrutura pública em campanha, e não da repetição de uma frase publicitária por candidato adversário.

Quando é o primeiro turno das eleições de 2026 no DF?

Em 4 de outubro de 2026, com eventual segundo turno em 25 de outubro. O registro das candidaturas na Justiça Eleitoral vai até 15 de agosto.

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