Tarifaço dos EUA: Brasil negocia até terça para evitar sobretaxa de 25%

julho 13, 2026
Navio cargueiro carregado de contêineres navega em alto-mar

O governo brasileiro negocia até esta terça-feira (15) com os Estados Unidos para tentar evitar uma sobretaxa de 25% sobre produtos nacionais, resultado da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) desde o ano passado.

A apuração americana, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, examina supostas práticas comerciais desleais do Brasil. O relatório preliminar, divulgado em 1º de junho, já recomendava a alíquota adicional de 25% sobre produtos industriais e de consumo, poupando grande parte dos itens agropecuários.

O que os EUA decidem nesta terça

O dia 15 de julho marca o fim do prazo da investigação da Seção 301. A partir do anúncio, Washington define se aplica a sobretaxa integral, se abre exceções por setor ou se adia a medida diante das negociações em curso.

No Palácio do Planalto, a avaliação reservada é de que a revogação completa é improvável. A aposta do governo está na ampliação de isenções e na redução de alíquotas para setores sensíveis, segundo apurou o Correio Braziliense.

Técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), do Itamaraty, do Ministério da Justiça e do Planalto participaram de reuniões com o USTR na semana passada, em paralelo à audiência pública realizada em Washington. Dos 78 inscritos para se manifestar na audiência, 63 falaram contra o tarifaço, entre eles 33 dos 34 brasileiros participantes.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, resumiu a estratégia brasileira:

“O prazo é curto, nós devemos focar naquilo que pode dar resultado positivo.”

Taxação pode chegar a 37,5%

Uma segunda investigação americana corre em paralelo e atinge cerca de 60 países. Ela avalia se o Brasil adota medidas suficientes contra o trabalho forçado em cadeias produtivas e propõe uma tarifa adicional de 12,5%. A decisão dessa frente está prevista para 24 de julho, segundo o portal Mais Goiás.

Como as duas listas de produtos se sobrepõem, parte das exportações brasileiras pode ser taxada em até 37,5% no total. O Itamaraty classificou a investigação do trabalho forçado como arbitrária, afirmou que a medida viola regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e defendeu que o Brasil mantém um dos sistemas mais robustos do mundo de combate ao problema.

O que está em jogo

Levantamento citado pelo portal Mais Goiás aponta que a sobretaxa de 25% alcançaria mais de 4 mil itens exportados, o equivalente a cerca de US$ 14,9 bilhões. Os setores mais expostos são:

  • Siderurgia e produtos de aço;
  • Indústria aeronáutica;
  • Calçados;
  • Autopeças;
  • Carne bovina industrializada.

Empresas americanas também pressionam por isenções. Tesla, Coca-Cola, Nestlé, Siemens Energy e eBay pediram ao USTR a exclusão de produtos que dependem de fornecedores brasileiros, ainda de acordo com o Mais Goiás.

Como o Brasil chegou até aqui

O primeiro tarifaço contra o Brasil foi anunciado em julho de 2025, quando o presidente Donald Trump somou uma alíquota de 40% aos 10% já vigentes, elevando a taxa total a 50%. Em novembro daquele ano, os EUA ampliaram a lista de produtos brasileiros isentos, movimento lido como vitória diplomática do governo Lula.

Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte americana suspendeu a base legal usada por Trump para tarifas emergenciais. A resposta veio no mesmo mês: uma taxa global de 10% sobre importações, em vigor desde 24 de fevereiro. As exportações brasileiras aos EUA recuaram 6,6% em 2025, segundo o Mais Goiás.

A crise atual encontra o país com o setor externo aquecido. O agronegócio bateu recorde de exportações em junho, e a inflação segue em desaceleração, como mostrou o IPCA de junho. Em junho, o presidente Lula já havia criticado publicamente o novo tarifaço.

Perguntas frequentes

O que acontece no dia 15 de julho?

Termina o prazo da investigação da Seção 301 do USTR. O governo americano anuncia se aplica a sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, se abre exceções ou se adia a decisão.

A tarifa de 25% já está valendo?

Não. A alíquota foi recomendada pelo relatório preliminar de 1º de junho e depende do anúncio oficial desta terça-feira (15).

Por que a taxação pode chegar a 37,5%?

Uma segunda investigação, sobre trabalho forçado, propõe 12,5% adicionais. Produtos presentes nas duas listas somariam as duas alíquotas.

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