O IPCA, a inflação oficial do país, subiu 0,16% em junho, a menor variação mensal em oito meses, segundo dados divulgados pelo IBGE na sexta-feira (10). Em 12 meses, o índice desacelerou de 4,72% para 4,64%, com queda nos preços dos alimentos e dos combustíveis.
O resultado veio abaixo do esperado. Analistas consultados pela agência Reuters projetavam alta de 0,31% no mês e de 4,80% no acumulado anual. Em maio, o índice havia subido 0,58%.
No ano, a inflação acumula 3,36%. A conta de 12 meses, porém, segue acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Alimentos e combustíveis seguram o índice
Alimentação e bebidas, o grupo de maior peso no orçamento das famílias (21,75% do IPCA), foi o único a registrar queda em junho: recuo de 0,24%, com impacto de 0,05 ponto percentual para baixo no índice. O café é o principal exemplo de item que cedeu, com a expectativa de safra melhor pressionando os preços.
Os combustíveis recuaram 0,48%, puxados pelo etanol, que caiu 3,09%, e pelo diesel, com queda de 1,19%.
“A queda de Alimentação e bebidas pode refletir uma combinação de fatores, com o alívio vindo dos combustíveis, que já vêm em trajetória de redução e ajudam a diminuir custos ao consumidor final, uma possível devolução de altas anteriores e, sobretudo, maior oferta de alguns itens, como café, com expectativa de safra melhor pressionando preços para baixo”, avalia Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE.
Na direção contrária, batata, alho e feijão-carioca subiram no mês, na contramão do grupo.
Energia elétrica ainda é a maior pressão individual
Habitação teve a maior alta entre os grupos (0,63%) e o maior impacto positivo no índice, de 0,10 ponto percentual. O movimento reflete a energia elétrica residencial, que subiu 1,53% em junho. A alta é bem menor que a registrada em maio (3,67%), mas ainda representou o maior impacto individual do mês: 0,06 ponto percentual.
Como ficaram os grupos em junho
- Habitação: alta de 0,63% (maior impacto no índice, 0,10 p.p.)
- Despesas pessoais: alta de 0,25%
- Saúde e cuidados pessoais: alta de 0,23%
- Transportes: alta de 0,17%
- Alimentação e bebidas: queda de 0,24% (único grupo negativo)
O que o resultado significa para o bolso
Para quem faz compras em Brasília, o alívio aparece primeiro no supermercado e na bomba de combustível. A conta de luz, por outro lado, continua sendo o item que mais pesa no resultado mensal, mesmo com alta menor que a de maio.
Quem tem contrato de aluguel acompanha outro indicador em trajetória parecida: o IGP-M caiu 0,50% em junho e reduziu o reajuste acumulado aplicado aos contratos.
Aposentados e pensionistas que recebem pelo calendário do INSS sentem o efeito direto: inflação mensal menor preserva o poder de compra do benefício entre um pagamento e outro.
O que é o IPCA e quem ele mede
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo é calculado todos os meses pelo IBGE e mede a variação de preços para famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos. Brasília está entre as regiões pesquisadas, ao lado das principais regiões metropolitanas do país. É o índice usado como referência oficial para a meta de inflação do Banco Central.
O IBGE divulga o IPCA de julho no próximo mês. O mercado acompanha se a desaceleração se mantém e como o resultado vai influenciar as próximas decisões do Banco Central sobre a taxa Selic.
Perguntas rápidas sobre o IPCA de junho
Por que a inflação desacelerou em junho?
Pela queda dos alimentos (0,24%, único grupo negativo) e dos combustíveis (0,48%), que compensaram parte da alta da energia elétrica. O café, com expectativa de safra melhor, puxou o movimento nos alimentos.
O que mais pesou no índice?
A energia elétrica residencial, com alta de 1,53% e impacto individual de 0,06 ponto percentual, seguida do grupo Habitação como um todo, que subiu 0,63%.
A inflação está dentro da meta?
Ainda não no acumulado em 12 meses. O teto tolerado é de 4,5% (meta de 3% mais 1,5 ponto), e o índice está em 4,64%. A distância, porém, diminuiu em relação a maio, quando o acumulado era de 4,72%.








