A distribuição de natalizumabe, medicamento indicado para as formas mais agressivas de esclerose múltipla, cresceu 44,5% no Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2019 e 2023. No mesmo intervalo, o número de pacientes em tratamento pela rede pública subiu 25,9%. Os dados são de estudo divulgado nesta segunda-feira (24) pela Agência Brasil.
O levantamento foi feito por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita e da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Unesp, a partir do Registro de Doenças Neurológicas (Redone). Foram analisados mais de 1,7 milhão de registros de distribuição de medicamentos.
O que mudou no tratamento
O avanço acompanha a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, que passou a recomendar o natalizumabe como primeira opção para determinados perfis de paciente. A mudança no padrão terapêutico aumentou 82% no período analisado.
Ao mesmo tempo, as trocas entre medicamentos de eficácia semelhante caíram 54%, o que indica menos substituições sem ganho clínico ao longo do tratamento.
Para a neurologista Lívia Almeida Dutra, coordenadora do Instituto do Cérebro do Einstein, o protocolo é o que move o resultado.
“Quando as diretrizes passam a incorporar terapias mais eficazes, aumentam as oportunidades de os pacientes receberem tratamentos”
Por que o dado importa para quem depende do SUS
A esclerose múltipla é doença neurológica crônica e sem cura, tratada com medicamentos de alto custo que buscam reduzir a frequência e a intensidade dos surtos. O acesso pela rede pública depende do que está previsto no PCDT: é o protocolo que define qual remédio pode ser dispensado, para qual perfil de paciente e em que ordem.
Por isso, revisões do documento têm efeito direto na fila. Quando uma terapia entra como primeira linha, ela deixa de exigir a tentativa prévia com outros medicamentos, o que encurta o caminho até o tratamento indicado.
O estudo trabalha com dados de dispensação, e não com desfecho clínico. Ele mostra o que foi entregue e a quem, sem medir a evolução dos pacientes.
Segundo Lucas Hernandes Correa, gerente do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde do Einstein, esse tipo de base tem uso na formulação de política pública.
“Evidências do mundo real ajudam a qualificar a tomada de decisão”
O estudo não detalha o fluxo de acesso ao medicamento. Quem faz tratamento pela rede pública deve procurar a unidade de saúde de referência para confirmar a documentação exigida e o local de retirada, que variam conforme a gestão estadual ou distrital.
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