A Câmara dos Deputados analisa projeto que institui o Setembro Dourado, campanha nacional anual de conscientização sobre o câncer em crianças e adolescentes. O texto é o PL 5430/25, da deputada Silvia Cristina (PP-RO), e tramita em regime de urgência, o que permite levá-lo direto ao Plenário.
A proposta determina que o Sistema Único de Saúde atue em conjunto com escolas e outras organizações para divulgar os sinais de alerta da doença, orientar sobre onde buscar atendimento e realizar atividades educativas na comunidade. O projeto também incentiva a coleta de dados sobre os casos, para subsidiar políticas públicas, sem criar despesa obrigatória para a União.
“O objetivo é fortalecer a rede de saúde e espalhar boas práticas de prevenção e cuidado em todo o território nacional”, afirmou a autora do projeto.
Por que o diagnóstico precoce importa
O argumento central da proposta é o tempo. O câncer infantojuvenil costuma se manifestar por sintomas que se confundem com doenças comuns da infância, e a demora até o diagnóstico reduz a chance de cura e encarece o tratamento. A campanha aposta em treinar o olhar de quem convive com a criança todos os dias, do professor ao agente comunitário de saúde.
O Ministério da Saúde já definiu o tema que vai orientar as ações de setembro de 2026: “O câncer infantojuvenil tem desafios, mas também tem cura: fique atento aos sinais”. A pasta divulga o tema anualmente para padronizar a comunicação da campanha em estados e municípios.
O que o texto prevê na prática
- Realização da campanha todo mês de setembro, em âmbito nacional
- Atuação conjunta do SUS com escolas e organizações da sociedade civil
- Divulgação de sinais e sintomas de alerta para famílias e profissionais
- Orientação sobre a rede de atendimento disponível
- Estímulo à coleta e organização de dados sobre os casos
Para famílias do Distrito Federal, a rede pública de referência em oncologia pediátrica concentra o atendimento em unidades específicas da Secretaria de Saúde, e o encaminhamento parte da atenção básica. A orientação vale sempre: sintoma persistente que não cede com o tratamento habitual precisa de reavaliação médica.
Como o projeto tramita
Por estar em regime de urgência, o PL 5430/25 pode ser apreciado diretamente pelo Plenário da Câmara, sem passar pelo rito ordinário das comissões. Aprovado pelos deputados, o texto segue para o Senado. Só depois da aprovação nas duas Casas e da sanção presidencial a campanha vira lei.
Vale registrar a distinção: até aqui o Setembro Dourado é uma mobilização consolidada por entidades e por decretos e leis estaduais e municipais. O que o projeto faz é dar a ela status de política nacional prevista em lei federal, com atribuição definida para o SUS.
Outra frente parlamentar sobre o mesmo tema avançou no Senado. A Comissão de Assuntos Sociais aprovou o PL 1.986/2024, que cria campanhas voltadas à identificação dos sinais dos principais tipos de câncer infantil, com relatoria favorável da senadora Damares Alves. O texto seguiu para o Plenário da Casa.
Leia também: Comissão aprova prioridade do PDDE para escolas inclusivas.
Perguntas frequentes
O que é o Setembro Dourado?
É a campanha de conscientização sobre o câncer em crianças e adolescentes, realizada em setembro. O PL 5430/25 quer transformá-la em política nacional prevista em lei federal.
O projeto já é lei?
Não. O PL 5430/25 tramita na Câmara em regime de urgência. Para virar lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado e depois sancionado.
Qual é o tema da campanha em 2026?
O Ministério da Saúde definiu como tema norteador de 2026 a frase “O câncer infantojuvenil tem desafios, mas também tem cura: fique atento aos sinais”.








