PCDF mira rede de anabolizantes e bloqueia R$ 32 milhões no DF

agosto 12, 2026
Halteres enfileirados em suporte de academia, com equipamentos desfocados ao fundo

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou nesta quarta-feira (12) a Operação Narciso, contra uma organização criminosa acusada de fabricar e distribuir anabolizantes, termogênicos e medicamentos controlados de forma clandestina. A Justiça expediu 43 mandados de prisão, entre preventivas e temporárias, e 64 mandados de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio e o sequestro de R$ 32 milhões em ativos financeiros.

Segundo a corporação, a ação também determinou a quebra de sigilo bancário de 58 alvos. Mais de 20 estabelecimentos comerciais foram lacrados, 10 veículos de luxo acabaram apreendidos e mais de 30 sites usados para a venda ilegal saíram do ar. A investigação apontou atuação no Distrito Federal e em outros oito estados.

Quem a investigação aponta como integrante do esquema

A apuração indica que a estrutura não se limitava a vendedores clandestinos. De acordo com a PCDF, participavam do esquema nutricionistas, biomédicos, veterinários, personal trainers e influenciadores digitais, cada um com uma função dentro da cadeia: da compra de insumos e da manipulação em laboratórios improvisados até a divulgação e a entrega ao consumidor final.

Entre os presos estão um casal de influenciadores que morava em Águas Claras e um personal trainer, apontados pela investigação como integrantes da rede de distribuição. Todos são tratados como suspeitos até decisão judicial definitiva.

A rota do Paraguai

A investigação identificou uma linha de abastecimento ligada ao Paraguai, e três pessoas apontadas como líderes do grupo foram presas em Ciudad del Este. Parte dos insumos e dos produtos acabados entrava no país por essa rota e era redistribuída a partir do Distrito Federal para os demais estados.

Entre os bens apreendidos com um dos suspeitos apontados como líder havia carros de marcas de luxo. A PCDF descreve o patrimônio como incompatível com a renda declarada, o que sustentou o pedido de bloqueio dos R$ 32 milhões.

Por que o caso é de saúde pública, e não só de polícia

Anabolizante manipulado fora de laboratório licenciado não passa por controle de dose, de esterilidade nem de identidade do princípio ativo. O usuário não sabe o que está aplicando. Os riscos descritos pela literatura médica para o uso sem prescrição e sem acompanhamento incluem:

  • lesão hepática e alteração do perfil de colesterol;
  • hipertensão e sobrecarga cardíaca;
  • infecção no local da aplicação, quando o produto ou o material não é estéril;
  • alterações hormonais que podem ser irreversíveis.

A venda de medicamento sujeito a controle especial sem receita e sem registro sanitário configura crime, com pena que se soma às imputações de associação criminosa e lavagem de dinheiro apuradas no caso.

O que diz a lei

Fabricar, adulterar ou vender produto destinado a fins terapêuticos fora das regras sanitárias está no artigo 273 do Código Penal, no capítulo dos crimes contra a saúde pública. A pena é de reclusão de 10 a 15 anos, mais multa. O mesmo enquadramento alcança quem importa, expõe à venda, mantém em depósito para vender ou entrega ao consumo o produto falsificado, corrompido, adulterado ou alterado.

O artigo abrange não só o medicamento pronto, mas também matérias-primas, insumos farmacêuticos, cosméticos, saneantes e produtos de uso em diagnóstico, o que explica por que a apreensão de insumos em laboratórios improvisados sustenta a imputação. A esse enquadramento somam-se, no caso da Operação Narciso, as apurações de associação criminosa e de lavagem de dinheiro, que embasaram o pedido de bloqueio de bens.

Não é a primeira apreensão no DF

O mercado clandestino de anabolizantes já vinha aparecendo em operações menores na capital. Em junho, a Polícia Militar apreendeu um carregamento milionário de testosterona e remédios no Distrito Federal. A Operação Narciso é apresentada pela PCDF como a maior ação do ano contra esse tipo de comércio no país, pelo volume de mandados e pelo valor bloqueado.

Como denunciar

Quem tiver informação sobre venda clandestina de medicamentos, manipulação irregular ou propaganda de anabolizante sem prescrição pode acionar a Polícia Civil do DF pelo 197, canal oficial de denúncias da corporação, com garantia de anonimato. Denúncias sobre produtos sem registro também podem ser encaminhadas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Os presos ficarão à disposição da Justiça e os inquéritos seguem em andamento. A PCDF informou que novas fases não estão descartadas, à medida que o material apreendido nos endereços for periciado.

Perguntas frequentes

O que foi a Operação Narciso?

Ação da Polícia Civil do DF, deflagrada em 12 de agosto de 2026, contra uma organização acusada de fabricar e distribuir anabolizantes e medicamentos controlados de forma clandestina.

Quantos mandados foram cumpridos?

43 mandados de prisão, entre preventivas e temporárias, e 64 mandados de busca e apreensão, além da quebra de sigilo bancário de 58 alvos.

Quanto dinheiro foi bloqueado?

R$ 32 milhões em ativos financeiros, por determinação da Justiça.

Como denunciar venda clandestina de anabolizantes no DF?

Pelo 197, canal de denúncias da Polícia Civil do Distrito Federal, com garantia de anonimato.

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