Câncer de próstata: INCA estima 940 casos no DF em 2026; SBU e Ministério divergem sobre o PSA
INCA estima 940 casos de câncer de próstata no DF em 2026. SBU recomenda PSA a partir dos 50; o Ministério da Saúde não recomenda rastreio sem sintomas.

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O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 940 casos novos de câncer de próstata no Distrito Federal em 2026, o que dá taxa de 65,49 por 100 mil habitantes, e o Novembro Azul recomeça a discussão sobre quem deve fazer o exame de PSA: a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e o Ministério da Saúde não dizem a mesma coisa.
Quantos homens morrem e quantos adoecem?
No país, cerca de 18,5 mil homens morreram em 2025 de câncer de próstata, o equivalente a 50 mortes por dia, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela SBU à Agência Brasil. O total é 20% maior que o de dez anos antes, quando foram 15,4 mil óbitos. De 2017 a setembro deste ano, a SBU contabiliza mais de 160 mil mortes. Para 2026, a entidade projeta mais de 77 mil diagnósticos novos, o que faz do câncer de próstata o tipo mais comum entre os homens.
Na tabela de estimativas do INCA para o ano de 2026, o Distrito Federal aparece com 940 casos em homens, taxa bruta de 65,49 e taxa ajustada de 57,59 por 100 mil. O número é uma projeção calculada a partir de registros de câncer e de mortalidade, e não uma contagem de pacientes já diagnosticados.
Quem deve fazer o PSA, segundo cada fonte?
A SBU recomenda que homens a partir de 50 anos procurem um urologista para uma avaliação individualizada. Para quem tem histórico familiar da doença, para negros e para obesos, o rastreio começa aos 45. O presidente da entidade, Roni Carvalho Fernandes, argumenta que "esperar sentir dor ou ter dificuldade para urinar significa muitas vezes chegar tarde demais ao diagnóstico". Segundo a SBU, o câncer descoberto na fase inicial tem 90% de chance de cura, mas costuma não dar sintomas nessa etapa.
A página do Ministério da Saúde sobre o tema traz posição diferente. O órgão, assim como a Organização Mundial da Saúde, não recomenda o rastreamento do câncer de próstata, isto é, os exames de rotina em homens sem sinais ou sintomas. A orientação é conhecer os riscos e benefícios dos exames e conversar com um profissional de saúde da confiança antes de decidir. Quando há sintomas, a recomendação é investigar.
Como o diagnóstico é feito
Os dois exames iniciais são o PSA, que mede no sangue uma proteína produzida pela próstata, e o toque retal, em que o médico avalia tamanho, forma e textura da glândula. Valor alto de PSA pode indicar câncer, mas também doenças benignas. A confirmação só vem com a biópsia, indicada quando um dos dois exames tem alteração.
Os sintomas mais comuns, segundo o Ministério da Saúde, também aparecem em problemas benignos. A hiperplasia benigna, aumento da próstata que atinge mais da metade dos homens com mais de 50 anos, e a prostatite, inflamação em geral causada por bactérias, são exemplos. Por isso o ministério pede avaliação médica em vez de autodiagnóstico. Entre os fatores de risco, estão a idade, já que nove em cada dez diagnosticados têm mais de 55 anos, o histórico de câncer de próstata em pai, avô ou irmão antes dos 60 e o excesso de peso.
O que mudou no tratamento pelo SUS
Em 2026, a cirurgia de próstata assistida por robô foi incorporada ao Sistema Único de Saúde, de acordo com a SBU. A entidade também cita a aprovação, pelo Conselho Federal de Medicina, do ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) e da crioablação. A Agência Brasil não informa em quais hospitais nem a partir de quando a cirurgia robótica estará disponível na rede.
Onde procurar atendimento no DF
A porta de entrada da rede pública é a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência do morador, que encaminha ao especialista quando há indicação. O guia da Central de Serviços explica como marcar consulta na UBS e como tirar o Cartão SUS. Não localizamos, até a publicação, programação própria da Secretaria de Saúde do DF para o Novembro Azul de 2026; vale perguntar na UBS sobre ações do mês.
Na Câmara dos Deputados, um projeto trata da cobertura de exames de imagem para a doença, tema da reportagem sobre o PL 665/2011. Fontes: Agência Brasil, INCA (estimativa 2026 para o DF) e Ministério da Saúde.






