O advogado Celso Vilardi, que defende o ex-presidente Jair Bolsonaro, assumiu a defesa dos três ex-sócios da fintech Naskar Gestão LTDA e entrou com pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A informação foi divulgada pelo Metrópoles neste sábado (22/8).
São clientes de Vilardi no caso Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, mais conhecido como Maurício Jahu. Os três estão presos desde 22 de julho, quando a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) cumpriu mandados em São Paulo. Eles são investigados por desviar cerca de R$ 900 milhões de mais de 3 mil clientes em todo o país.
Segundo o Metrópoles, o pedido foi protocolado na semana passada e distribuído na terça-feira (18/8) à Sexta Turma do STJ. A data do julgamento ainda não foi divulgada. O conteúdo do habeas corpus não foi tornado público, e não há decisão sobre o pedido até o momento.
Quem é o advogado que assumiu o caso
Vilardi é criminalista com atuação em processos de repercussão nacional. Além de Bolsonaro, defendeu o empresário Eike Batista e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares no julgamento do mensalão. Também atuou pela empreiteira Andrade Gutierrez, um dos principais alvos da Operação Lava Jato.
A troca de defesa é a etapa mais recente de um caso que começou a se desenhar em maio, quando os pagamentos aos clientes pararam.
Como funcionava a Naskar
A Naskar Gestão de Ativos chegou a ter sede no Distrito Federal e depois passou a operar com endereço fixo em São Paulo. A empresa se apresentava como fintech, categoria de negócio que oferece serviços financeiros com menos burocracia que a dos bancos tradicionais. O funcionamento, conforme a apuração, seguia este desenho:
- captação de recursos de clientes com promessa de retorno de 2% ao mês, percentual bem acima do praticado pelo mercado;
- em um aporte de R$ 1 milhão, o cliente receberia R$ 20 mil mensais, enquanto a empresa administraria o patrimônio;
- a operação durou 13 anos sem registro de problemas;
- em maio de 2026, o repasse mensal dos rendimentos deixou de ser feito;
- os clientes procuraram a empresa e não obtiveram resposta.
Entre os investigados, Maurício Jahu é o nome mais conhecido do público. Ex-atleta de vôlei, fez carreira no Clube Atlético Pirelli, de São Paulo, teve passagens pela seleção brasileira na década de 1980 e depois trabalhou cerca de 20 anos como apresentador na ESPN Brasil. Marcelo Liranco Arantes é sócio-administrador de outras três empresas além da fintech, e Rogério Vieira comanda duas companhias do ramo financeiro.
O novo dono está foragido
Outro personagem central da investigação segue fora do alcance da Justiça. Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, anunciou a compra da fintech por R$ 1 bilhão e transferiu a empresa para o nome da avó, Célia Fátima Ferreira, de 77 anos, que tem Alzheimer. Ele deixou o Brasil em 15 de julho e está nos Emirados Árabes Unidos.
Duas semanas antes da fuga, Douglas já havia tido a prisão preventiva decretada por outro caso: a suspeita de desvio de R$ 60 milhões da Zema Financeira.
Nenhum dos investigados foi condenado. Todos respondem a inquérito e mantêm o direito à ampla defesa. Casos de crime financeiro com bens de alto valor têm mobilizado a polícia do DF ao longo de agosto. Leia também: Corvette é apreendido no SIA na terceira fase da Operação Black-Tie.
O habeas corpus é o instrumento usado para questionar prisão que a defesa considera ilegal ou desnecessária. No STJ, o pedido só é analisado depois de o tribunal de origem ter decidido sobre a mesma questão, o que indica que a defesa já buscou a liberdade em instância anterior sem sucesso.
A promessa de rendimento fixo de 2% ao mês, cerca de 27% ao ano, é o traço que mais chama atenção no desenho da operação. Nenhum produto de renda fixa regulado no país opera com garantia de retorno nesse patamar de forma sustentada, e a oferta de ganho muito acima da média do mercado é o alerta clássico apontado pelos órgãos de defesa do investidor.
O próximo passo do processo depende da Sexta Turma do STJ, que ainda vai analisar se concede ou não a liberdade aos três ex-sócios enquanto a investigação corre. Não há data marcada para o julgamento.








